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Mel de Carvalho
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« em: Novembro 07, 2009, 19:15:27 » |
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hoje caminho por dentro das palavras e as ancas cedem serventia aos lodos, ao pântano turvo das musas e das linfas.
na boca do corpo o corpo. do texto a que os eruditos decidiram, chamar de poesia.
dou-lhe outro nome (ou outros) a meu ver bem mais apropriado(s): revólver. nafta. diluente. fogo. com que, ora incendeio, ora apago, o raiar do dia, a madrugada albina, de cada letra que soletro
e me magoa e me liberta
não, não sei se sou parideira confessa, ou , se sou. o embrião, o feto. quiçá seja tudo ou não passe de um nado-morto ou da placenta inútil, rota, de um parto que desejando, inapta, incompetente, na forma e no movimento gerei e não pari.
não sei se SOU, sequer, porque hoje, hoje existo, por certo, mais órfão. de todos, até de mim:
estrangulei a palavra.
não contente virei contra o meu vulto revólver. disparei. morri!
seca por dentro, na ausência uterina de tal não ter me acautelo de chorar alegrias e dores de um qualquer puerpério e, sem que chegue a algum lado, antes que, no contraditório da jornada me reinvente, em reiteração de sal e baba,
antes de chegar parti…
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