emptyBullet
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« em: Fevereiro 11, 2010, 04:17:51 » |
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Psicopata
Haverá algo mais importante do que uma pessoa se sentir bem com ela mesma? Poder acordar de manhã, ficar aquele bocado na cama onde se deita todos os dias, a pensar no que é que poderia estar mal na sua vida, o que o poderia estar a incomodar…e simplesmente não descobrir nada. Esse tipo de sentimento único e vivido, que de tão essencial nos deixa em pânico, raramente pode ser conseguido…
Teremos nós que provar aos outros que conseguimos ser mais podres e negros, para que deixemos de pensar e imaginar, todos os nossos dias miseráveis, nos seres bastardos e fúteis desta vida? Será necessário ter que nos deprimirmos e ter pensamentos insanos, para que ganhemos uma armadura insensÃvel para nos tornamos em mais uns daqueles que apenas nascem para serem controlados, como uma espécie de fantoches, pelos criadores da ruÃna e entropia social?
Muitas das vezes somos obrigados a calibrar-nos perante certas consequências do quotidiano, abrigar-nos a errar, para que nos possamos corromper, e com isso levar-nos ao estado necessário para que a subsistência mental do indivÃduo não seja posta em causa pela sociedade. Ficarmos de tal modo alheios a emoções que parece difÃcil distinguir o correcto a fazer…aquilo que nós queremos, ou aquilo em que não queremos pensar fazer. Uma necessidade de conquista e obrigação dos outros a vergarem-se perante a brutidade magnânime que o ser humano consegue alcançar.
Simplesmente como uma transfusão de ética, em que cirurgicamente todos os valores são mudados sem que o nosso consciente tenha hipótese de respirar. Um golpe bem certeiro nos nossos sonhos é o suficiente para que tudo à nossa volta mude de significado…quase como substituir os nossos olhos pelos olhos de uma hiena, vendo tudo e todos com um pano vermelho de fundo. Somos comprados com a confiança que nunca tivemos, e envergonhamo-nos de não sermos capazes de ter pulso firme para controlar um exército de abutres descontrolados, famintos de carcaças humildes e inocentes, causando o verdadeiro pânico para quem observa, conseguindo devastar qualquer tipo de esperança.
Conseguimos rasgar connosco mesmos, super-valorizando as nossas conquistas, subestimando a pequenez aparente no reflexo dos nossos olhos, espelhando um impulso psicopata capaz de conseguir fazer um crocodilo sentir-se um pequeno peixe fora de água, ser possÃvel fazer a justiça engolir o próprio orgulho, e sentirmos que, ter a capacidade de fazer com que toda a vida se ajoelhe perante o nosso lavar de mãos com o próprio sangue, seria a sua vitória.
Conseguimos ultrapassar os medos mais profundos sem nos apercebermos que o nosso maior medo, é estar perto de nós próprios…
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