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Autor Tópico: SALVADOR  (Lida 430 vezes)
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Oswaldo Eurico Rodrigues
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« em: Março 03, 2010, 18:27:20 »



   Acordei cedo num hotel na Praia de Amaralina. Telefonei para meu primo que veio me visitar no restaurante na hora do café da manhã. Ele foi tão rápido que mal sentei à mesa, já recebi o anúncio de sua vinda por uma funcionária da casa. Nunca vi ninguém chegar tão rápido a um encontro. Curioso reconhecer uma cidade onde nunca antes havia pisado. Mais curioso foi conhecer um primo outrora conhecido. Deve ter sido magia da Bahia. Surpreendi-me bastante com tudo que vi. Desde os monumentos e as paisagens soteropolitanas às pessoas; em especial meu primo. Nunca o imaginei tão igual e tão diferente de mim ao mesmo tempo. Ele se parecia um pouco com o meu tio, seu pai, e com o seu tio, meu pai. Tinha algumas atitudes exatamente iguais às dos nossos parentes que não convivem com ele já há mais de vinte anos. Algumas opiniões e gostos dele diferiam dos meus. Outros eram exatamente iguais. Estávamos nos reconhecendo. Ele acompanhou o meu grupo até a Lagoa do Abaeté. De lá juntamente com uma amiga minha nos separamos do grupo que seguiu para uma praia. Nós almoçamos num shopping center e depois fomos ao Centro Histórico. Visitamos a sede do Afoxé dos Filhos de Gandhi e a Fundação Casa de Jorge Amado. Tomamos um sorvete e conversamos bastante enquanto percorríamos a cidade. Ele estranhou o meu ritmo. É que falo rápido para os padrões dos baianos e mudo muito rápido de assunto em idas e vindas dentro de um ou mais contextos, coisa a que estou acostumado desde criança. Lá o tempo é outro. As cores são outras. Tudo muito distinto e muito familiar. A cidade é ao mesmo tempo um pouco de Rio de Janeiro, Ouro Preto, Portugal e Ãfricas. É cosmopolita e típica simultaneamente. É sensual e recatada. Malemolente e rápida de acordo com a necessidade. São lânguidas gentes cor de cravo e canela num gingado único de cores belíssimas dos panos típicos desse pedaço de Ãfrica no Brasil somadas a vendedoras de acarajé em batas brancas imaculadas desfilando no Pelourinho, no Terreiro de Jesus e no Mercado Modelo. São lânguidas gentes de todas as cores num andar lento igualmente único de jeans e camiseta e terno e gravata e vestidos no mais comum, ocidental e singular estilo andando por todo o lado. Aos dois grupos soma-se a multidão de turistas de todo o mundo. Contrastando com esse ritmo, um trânsito de motoristas céleres em carros voadores nas ruas junto das praias. Em Salvador é possível ver de tudo. Ver de todos. Eu e minha amiga vimos o que queríamos e que não queríamos.
   Meu primo já não estava conosco. Teve de voltar ao trabalho. Ficamos sós. Voltamos à Cidade Baixa e fizemos algumas compras no Mercado. Na praça, alguns ambulantes tentavam nos vender fitinhas do Senhor do Bonfim para nos dar sorte. Subimos à Cidade Alta, mas desta vez não pelo Elevador Lacerda, mas sim pelo Plano Inclinado, mais rústico e menos famoso (para falar a verdade, só soube dele quando vi uma placa indicativa desse transporte na praça do Mercado). Chegamos ao alto e fomos ao cinema 180 graus. Entramos em algumas galerias. Fomos a algumas igrejas e decidimos conhecer a Baixa do Sapateiro só porque meu pai havia falado comigo sobre esse lugar. Ele só não disse da falta de segurança desse bairro. Perdemo-nos por lá. Perguntávamos a todos como sair de lá e ninguém sabia nos indicar o caminho de volta ao Pelourinho. Rodamos, rodamos e fomos parar num lugar nada agradável em ruínas onde vimos uma menina fumando um cachimbo de crack. Foi uma das coisas mais horríveis por mim presenciadas. Estávamos a uns vinte metros da garota. Tivemos de seguir em sua direção porque vimos uma ladeira como possível saída daquele lugar infernal. Antes de passarmos por ela, a droga já produzira efeito. Ela estava alucinada. Nunca havia visto nada igual antes. Subimos a ladeira rapidamente e, como mágica, chegamos ao nosso destino. Fizemos questão de esquecer aquela cena terrível. Nunca sentimos tanto medo. Tomamos um ônibus e saltamos no Farol da Barra. Tomamos um suco e voltamos para o hotel já refeitos do susto. Tomamos banho. Fomos jantar com outros amigos. Não entramos em um restaurante típico, mas sim numa pizzaria próxima ao hotel. Viagem curiosa essa onde não comemos nenhum prato típico, não fomos a Igreja do Bonfim e nem fizemos penteados afro. A cidade de Salvador é assim inexplicável, mágica e misteriosa como nós em nossa complexidade.
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Oswaldo Eurico Rodrigues


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« Responder #1 em: Março 22, 2010, 19:58:12 »

Uma crónica que nos cria a ilusão de viajarmos junto.
Abraço
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« Responder #2 em: Março 22, 2010, 21:54:44 »

Ó como recordei, lendo-o, a minha visita a S. Salvador . Também fui à Lagoa de Abaeté "Abaeté é uma lagoa escura /arrodeada de areia branca, ai de areia branca..."
Também fui à fundação J. Amado , ao bonito largo que lhe fica em frente a descer...E fomos à noite a um lugar que parece que era um sítio do tabaco e onde trabalhavam escravos . Jantamos lá e assistimos a um espectáculo muito interessante com dança de...de...capoeira -que me pareceu um tanto para turista ver...Estávamos num hotel sumptuoso à beira mar -depois também estivemos em alguns bem maus em outras terras brasileiras. A cidade é mesmo muito bonita ...embora é claro, não se compare ao Rio.
Obrigado meu amigo por me fazer recordar.
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Oswaldo Eurico Rodrigues
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« Responder #3 em: Março 24, 2010, 19:45:19 »

Você sabe, Goreti, que a minha amiga e o primo nunca leram este conto? Talvez nem tenham curtido o passeio como eu. Mas que foi mágico foi. Tenho muitas saudades.

Geraldes, fico contente por você ter gostado da primeira capital do Brasil. É uma cidade realmente linda, mas concordo não maravilhosa porque, com todo respeito a todas as cidades do planeta, maravilhosa é somente o Rio de Janeiro (falo assim com tranquilidade porque não nasci lá na segunda capital do Brasil. Sou de São Gonçalo, a 35 minutos do Centro da capital fluminense).

Um grande abraço aos dois amigos: um meu e outro do Brasil. Estamos de braços abertos esperando por vocês a qualquer momento.
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« Responder #4 em: Agosto 15, 2010, 01:26:22 »

Olá...Oswaldo.
Sinto muito dizer que vc não conheceu Salvador...achei a sua visão reducionista. Depois, se assustou com o crack? essa é uma realidade tão próxima dos cariocas...Basta ir ao centro do Rio, cidade que gosto muito, aliás, ou às favelas... Sabemos todos que esse mal, infelizmente, está generalizado.

 Você foi pessimamente assessorado; da próxima vez sugiro que me avise, que lhe mostrarei o que é que a Bahia tem em termos de beleza natural, de cultura, e de sofisticação. Vc não conheceu nossos Museus (inclisive a céu aberto, em escavações das construções da época dos Jesuítas, etc); Não foi ao Unhão, ao MAM, ao Museu da Primeira Escola de Medicina do Brasi, entre outros... Não se pode comparar grandezas...Maravilhosa ela é, sim, em suas diferenças (e por isso mesmo), e isso é muito salutar, rico, belo, e sofisticado, se for o caso.
Beijinho,
Guacira.
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Oswaldo Eurico Rodrigues
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« Responder #5 em: Agosto 15, 2010, 03:40:25 »

Oi, Guacira...

Talvez tenha errado a mão ao pintar um quadro com cores não tão fieis. Realmente estive muito rapidamente em Salvador (dois dias) em uma viagem pelo Nordeste. Fui mal conduzido sim. E não dei sorte quanto ao do Solar do Unhão, que estava fechado (não lembro ao certo se para montagem de exposição ou reforma).
Não disse em momento nenhum que no Rio não existe coisas tais como pessoas fazendo uso de crack. Seja por aqui, em Salvador, BH, Tóquio, Luanda etc... o pavor para mim seria o mesmo, posto que nunca havia visto isso antes (e até hoje não vi e nem quero ver de novo em lugar nenhum. O que me apavorou foi ver o efeito da droga e a dependência. Lamentei isso e não quis e nem quero dizer nada de negativo da cidade de Salvador). Jamais poderia dizer que isso é fenômeno típico da primeira capital brasileira e nem de nenhuma das nossas cidades ou de outras de qualquer lugar do mundo.
Pretendo voltar a Salvador, sim (de preferência muitas vezes). Sei que uma viagem não é o suficiente para conhecer nem essa e nem cidade nenhuma. Quando chegar, vou te procurar para que me guie pelas ruas dessa cidade que é tão maravilhosa quanto o Rio, Porto Alegre, João Pessoa, Natal...

Beijo grande desse fluminense tagarela, que conta contigo em novas críticas sinceras e criteriosas (além, é claro, de dicas de cultura de Salvador ou de qualquer outro lugar).

Fui...
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« Responder #6 em: Agosto 15, 2010, 12:20:49 »

Tem que pedir a ele que venha ler. Vale a pena!
Abraço
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Oswaldo Eurico Rodrigues
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« Responder #7 em: Agosto 16, 2010, 01:28:34 »

Bom te ver de novo, Goreti.

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