josé antonio
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escrever é um acto de partilha
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« em: Maio 31, 2010, 11:47:15 » |
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Evando dos Santos, pedreiro sergipano, só foi alfabetizado aos 18 anos. Pegou gosto. Não parou mais de ler. Montou uma biblioteca pública por conta própria. E ajudou a fundar outras 36.
A bem da verdade, a pergunta não chegou a surpreender o primeiro e improvisado professor de literatura do pedreiro Evando dos Santos. Afinal o aluno do esclarecido mestre-de-obras Dernival Pereira, sergipano como ele, tinha sido alfabetizado havia pouco tempo, aos 18 anos, na Escola Batista da Vista Alegre, zona norte do Rio de Janeiro. Devia ter uns 21 na época em que foi apresentado pelo colega sexagenário a uma outra, digamos, marca de clássicos. A conversa aconteceu durante uma rara folga de uma reforma num prédio da Avenida Brasil, no Rio de Janeiro. “ Não é por isso, meu filho “, contornou Dernival, pisando uma beata de cigarro em brasa. Depois, completou como se fosse um mestre-de-obras literárias: “ clássico é um livro bem escrito, original, universal e que fica para sempreâ€. Evando prestou atenção, entendeu mais ou menos e voltou a trabalhar. Mas levou, emprestados de Dernival, alguns livros de autores clássicos, dentre eles Machado de Assis, Lima Barreto e Pablo Neruda. Tempos mais tarde, lendo oito palavras de um livro do escritor Tobias Barreto de Menezes, também emprestado por Dernival, sentiu-se tocado. “ A vida é uma leitura. Ler é lutarâ€, escreveu Barreto que também era filósofo, poeta e jurista. Daquela vez Evando entendeu tudo. Foi o mote que levaria Evando, anos mais tarde, a fundar sua primeira biblioteca. O ex-pedreiro ajudou a criar outras 36 pelo paÃs, incentivando e enviando livros. Foram 20 mil volumes para três estados nordestinos. Até Angola, do outro lado do oceano, se viu contemplada. Essa história sensibilizou Óscar Niemeyer que desenhou gratuitamente o projecto da Associação Centro Cultural e Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de Menezes, que Evando comanda hoje, aos 49 anos, na Vila da Penha, Rio de Janeiro. Os livros não param de chegar desde o dia em que há 11 anos, Evando saiu para consertar uma canalização e voltou para casa carregando 50 tÃtulos que iam ser deitados fora por quem o tinha contratado. Os livros de Evando estão a ser transferidos para a Biblioteca Tobias Barreto, para auxiliar a formação daqueles que, como ele no passado, tiveram pouco acesso à leitura, Já estão catalogados 1500 dos 4500 tÃtulos disponÃveis.
Cronologia: 1960 – Nascimento de Evando dos santos no Estado de Sergipe. 1978 – Pedreiro de profissão, aprendeu a ler aos 18 anos. 1998 – Evando transforma a sua casa numa biblioteca popular. 2006 – Sai o livro italiano “ Un cortile di parole†inspirado na sua vida. 2007 – Recebe a medalha da Academia Brasileira de Letras: a sua história inspira os filmes – O Homem-livro e O pedreiro literário. 2009 – Dá um dos 26 depoimentos incluÃdos no livro recomeços; Ganha o prémio Personalidade Cidadania da associação Brasileira de Imprensa.
EXCERTOS DA REVISTA BRASILEIROS-SÃO PAULO - (Lina de Albuquerque)
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