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Autor Tópico: A NET OU O PAPEL. QUEM VENCERÃ?  (Lida 552 vezes)
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josé antonio
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escrever é um acto de partilha


« em: Junho 01, 2010, 14:48:44 »



A imprensa militante britânica está sufocada pelo aumento dos custos da distribuição.
A edição electrónica pode ser a resposta.



Todas as noites antes de dormir, o jornalista George Monbiot (reconhecido pelos seus artigos dedicado aos problemas ambientais) lê revistas militantes de esquerda (conhecidas o Reino Unido como imprensa radical). “ Têm um papel essencial nas minhas reflexõesâ€, confidencia. Também as lê quando anda de comboio. A curto prazo isto vai deixar de ser possível. Esta variedade de publicações está ameaçada. “Se desaparecerem, Monbiot não será o único a lamentá-lo. A curto prazo isto vai deixar de ser possível.Esta variedade de publicações está ameaçada. Se desaparecerem, Monbiot não será o único a lamentá-lo: centenas de pessoas lêem revistas distribuídas pelo grupo Independent News Collective, mais conhecido como INK. Entre os fiéis autores e redactores destas publicações, contam-se Tony Benn (político britânico), Noam Chomsky (linguista americano), Naomi Klein (jornalista e militante antiglobalização canadiana) ou John Pilger (militante antiguerra).
O desaparecimento desta imprensa militante daria um duro golpe nos debates sem os quais não há uma democracia sã.
A imprensa radical britânica sofre as mesmas pressões que a imprensa generalista: a concorrência dos novos meios, sobretudo da Internet e a baixa das receitas.
Os vendedores de jornais e revistas interessam-se pelo que vende bem “ – afirma Peter McCaig, responsável da INK que distribui títulos como New Internationalist, Permaculture ou Red Paper.
Os títulos porno escoam mais facilmente do que qualquer revista política. O motor continua a ser o dinheiro.
Em meados dos anos 1990, as revistas alternativas britânicas juntaram-se para fundarem a INK numa tentativa de escaparem ao ciclo vicioso da falta de meios, modéstia nas vendas e fraca publicidade. Esta nova empresa de distribuição rapidamente juntou 22 títulos para os distribuir em 300 postos, principalmente lojas de alimentação dietética, mas muitos destes deixaram de vender jornais porque a receita não era atractiva.
Algumas revistas como a The Ecologist, uma das publicações do grupo que melhor vendia, abandonou o formato em papel e passou a ser publicada apenas na Internet. Foi a pior das notícias para a INK: - “ É viável continuar algum tempo sem ajuda. Ainda nos mantemos à tona de águaâ€, afirmou McCaig.


QUEM TEM UM iPHONE TANTO PODE LER UMA REVISTA NO COMBOIO COMO NA CASA DE BANHO. ANTIGAMENTE, EMPRESTAVAM-SE JORNAIS. 




Para Monbiot, a leitura de jornais online não seduz: há demasiadas interrupções, desde o aviso de chegada de correio electrónico às ligações que é preciso seguir. “Online, as revistas perdem-se no meio de milhares de outras fontes que também atraem a atenção. É difícil ler uma revista toda com tantas solicitações. Por outro lado, não me apetece levar o computador portátil para a cama.â€
A observação é pertinente até porque a Net pode ser imprevisível: no início do mês passado, a revista The Economist – publicada apenas online desde o último Verão percebeu que era vítima de um ataque na rede que fazia com que os assinantes não conseguissem aceder durante vários dias. Mas Richard Coles, director da publicação The Ecologist, mantém que é vantajoso passar para a Internet: “ Durante anos a fio a nossa tiragem nunca ultrapassou os 20 mil exemplares. Queremos alcançar mais públicoâ€. The Ecocologist propõe um pacote freemium, com acesso gratuito aos conteúdos essenciais: os assinantes podem pesquisar 40 anos de arquivos, recebem um boletim mensal e descontos.
Este conceito gera receita? “ – Reduzimos o preço das assinaturas em 20 libras. Era de 30 ou 50 libras (consoante o país de residência do assinante). Convidamos os assinantes a visitarem-nos à Internet, propondo-lhes o reembolso da presente assinatura. Houve menos de mil a aceitar esta proposta. “ Sem divulgar pormenores do que esperava, embora ainda abaixo dos que tinha em papel. Coles espera obter o seu melhor resultado de sempre – em termos financeiros – durante o próximo ano.


(THE GUARDIAN – Londres – (John-Paul Flintoff )



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« Responder #1 em: Junho 01, 2010, 18:05:26 »

Eu não troco a leitura do jornal em papel logo de manhã pela Net. Manias... adoro o cheiro do papel!
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josé antonio
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« Responder #2 em: Junho 02, 2010, 11:27:00 »

Eu também não, mas não estou na presidência da INK nem da revista The Ecologist... por exemplo a ficarem sem receitas para sobreviverem...
Esse é o lado desgraçado da questão...
José António
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« Responder #3 em: Junho 10, 2010, 20:07:55 »

O problema não está no facto de o jornal ser em papel ou em formato digital, acho que está no contacto que se tem com o suporte de onde se lê.
Existe uma tecnologia ainda em desenvolvimento, mas que já esta a ser comercializada, que vai ditar a forma como se irá ler no futuro. Falo da tecnologia que está a ser inserida nos "e-books".
Os dispositivos portáteis (os notepads, notebooks, netbooks e alguns telemóveis de ultima geração) permitem descarregar e ler arquivos mas são pouco cómodos para a leitura. A vida das células de bateria é curta (se bem que já existem dispositivos que duram varias horas a trabalhar) também não ajuda. A luz emitida pelo ecrã incomoda na leitura e os reflexos distraem a concentração. Existe também o problema de sermos incomodados pelos e-mails que nos enviam e pelas notificações do S.O. a pedir permissão para fazer updates (se calhar deveríamos dizer ao Mr. George Monbiot que essas defenições se podem desligar temporariamente).
Aqui entram os "e-books", pedaços de deu para leitores havidos e aventureiros dispostos a estourar 500€ por um (as perspectivas são boas no futuro, dentro de 2 anos poderá ser passível ter um por 100€)
Pesam umas míseras gramas (entre 150 a 250gr), robustos ao choque, de utilização intuitiva (sistema de navegação por janela), podem descarregar arquivos digitais (podemos assinar uma revista ou jornal, que ele guarda automaticamente) podemos colocar livros digitais no cartão de memória, abrir páginas de internet (esta "feature" só existe em alguns) e a vida das células de bateria dura e dura. E a tecnologia que incorporam (electronic ink) é perfeita para a leitura, uma vez que simula o papel a nível visual. Como podem ver na imagem que se segue, o ecrã não é luminoso. Significa que podemos agarrar-nos aquilo durante horas, o cansaço ocular será o mesmo que ler em papel. Contras, tem um. A falta de cor nessa tecnologia, uma vez que o ecrã só apresenta escalas de cinzento, mas por ser tão bonito, ele está perdoado.
Muitos argumentos contra esta evolução poderão aparecer. Eu, pessoalmente, adoro o cheiro do papel (o cheiro dos livros velhos é magico), o tacto, o peso, o desfolhar, os pormenores das lombadas e dos relevos na capa. O marcador de página, o desembrulhar um livro que recebemos como prenda, os volumes massivos das enciclopédias que impõem respeito, o espaço criado nas bibliotecas e os ambientes que rodeiam as estantes... Mas isso não se vai perder por se usar um "e-reader", pelo menos de um dia para o outro.
Temos de aprender com as evoluções do passado. O CD substituiu o vinil, que substituiu o disco de goma-laca e que por sua vez substituiu o cilindro de cera. Alguém usou os cilindros de cera? Eu não e não lhes sinto a falta. Ultrapassados, tornaram-se obsoletos. Mas ainda hoje se fazem edições especiais de Vinil e não só para velhos apreciadores. Arch Enemy, uma banda de Death Metal Melódico que é usualmente ouvida por "putos", editou pelo menos dois. Os Metallica, mais conhecidos, têm toda a discografia disponível em vinil (será que se tem que colocar um peso na agulha para ela não saltar do sitio, devido as descargas sonoras?)
Estas "lutas" já são velhas. Quando o rádio apareceu, também se pensou que o papel deixa-se de existir. Quando a T.V. apareceu, pensou-se que a rádio fosse ao ar. Com o aparecimento da internet (e do youtube, especialmente) ditou-se o fim certo de tudo, especialmente do telefone. No entanto, está tudo (quase) na mesma. As pessoas ouvem rádio e lêem o jornal, enquanto a T.V. está ligada para ver como se encontra o trânsito. 
E na escrita? 
O papel substituiu a argila e a tábua, e foi bom. A prensa tipográfica substituiu a escrita manual e difundiu o conhecimento mais rapidamente que no passado e a preços mais acessíveis a mais pontos do mundo, impulsionando o mundo no século dos descobrimentos do método cientifico e natural.
Usaram-se ossos, pedra, paus, facas, penas e metal para escrever. Hoje, usamos canetas.

Tivemos de esperar quase 500 anos até que uma nova revolução cultural da escrita tivesse o seu lugar na história. Eu digo que vale a pena abraçar os "uns" e os "zeros" que nos chegam pelos cabos ou pelo sistema wireless ao computador (pelo menos até a chegada do computador quântico, cujos princípios de funcionamento nem os físicos conhecem).
O papel não vai morrer de hoje para amanhã e quando ele desaparecer, certamente, já cá não estaremos para lhe sentir a falta.

Eu creio que quem tem realmente medo do fim do papel são as pessoas que vão ficar sem "papel" quando estes novos recursos informáticos estiverem a ser usados em grande escala. Acho que já chega de argumentos rascas na defesa de um suporte que se vai tornar inútil no futuro. Em vez dos argumentos apresentados pelo Mr. Monbiot que, quanto a mim, são fracos, se ele apresentasse como argumento o amor ao papel, talvez ele me parece-se mais genuíno e menos idiota, especialmente porque ele se designa um ecologista. Será que ele se recorda da quantidade de água e de lixívia usada para branquear a pasta de papel usada nos jornais e revistas, já para não falar da quantidade de árvores cortadas para alimentar a indústria gráfica britânica? 
Dados relativos a 2004:
"In 2004 recycled paper and board provided about 74% of the source materials for the 6.2million tonnes of paper manufactured in the UK's 76 paper and board mills. A further 7.7 million tonnes were imported."  http://www.wasteonline.org.uk/resources/InformationSheets/paper.htm

Um total de 13,9 milhões de toneladas de pasta de papel... é muita “pasta” para muitos bolsos. Se o seu desaparecimento (parcial) for gradual, digamos que daqui a 50 anos ele pode desaparecer sem que existam problemas a nível financeiro e económico para o(s) país(es).

Ficheiros Anexos Miniatura(s):
« Última modificação: Junho 11, 2010, 00:46:34 por CosmoSe » Registado

O caminho começa com um primeiro passo.
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« Responder #4 em: Junho 10, 2010, 23:46:08 »

Concordo com esta visão do assunto. Eu adoro o cheiro do papel, gosto mais de ler em papel do que num ecrã, mas já não escrevo em papel. Paradoxo? Não. Apenas o tal "gradual". Daqui a pouco, a maior parte de nós ou os vindouros ter-se-ão habituado às novas tecnologias por completo.
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« Responder #5 em: Junho 11, 2010, 00:30:34 »

É um passo inevitável. Por mais que tentem adiar, para o bem e para o mal, o progresso das novas plataformas de comunicação vai sempre avançar. Alias, evoluimos a comunicar uns com os outros, e a qualidade com que comunicamos e a velocidade com que o fazemos determina o avanço da ciência e da aptência moral do Homem.
Ou assim deveria...
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« Responder #6 em: Junho 12, 2010, 14:57:58 »

Deveria sim, mas todos sabemos que nem sempre assim é. Um tema a merecer mais reflexões!
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« Responder #7 em: Junho 14, 2010, 03:38:35 »

É o que disse a Goreti.Gostamos de ler em papel,mas escrevemos no computador.Eu escrevia páginas e páginas na folhinha.Mas o que acontecia era ficarem na gaveta.Escrever no pc leva a partilhar a informação,mas é verdade que,não há nada como sentir o papel nos dedos,e o cheiro magnifico dos livros :woot:
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« Responder #8 em: Junho 27, 2010, 18:15:16 »

Caros amigos,

E viva o livro em papel, que até fica sujeito ao bichinho que o pode comer como os bichinhos nos fazem na terra dos cemitérios...
Abraço
José António
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