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Autor Tópico: Concurso “IMAGENS DA NOSSA MEMÓRIA”  (Lida 22928 vezes)
0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.
Alfredo D
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« Responder #30 em: Junho 15, 2010, 20:30:10 »

Eu vou participar.
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« Responder #31 em: Junho 15, 2010, 20:40:36 »

Texto n.º 7

Perturbatio
 
Bradam os ventos de encontro às rochas
Revolvem-se as ondas em chicotes esvoaçantes
Vergam-se as nuvens em castelos no horizonte
e o meu olhar afunda-se para além dos vidros
(arrastando todos os suspiros contidos)
Querer espartilhado que se revolve com as ondas
brada com o vento
e se estilhaça em partículas de sonhos
 
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« Responder #32 em: Junho 15, 2010, 21:51:11 »

Faça o obséquio senhor Alfredo.
Mas não poste directamente o seu texto neste tópico.
Envie a sua participação para:
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(Assunto: “IMAGENS DA NOSSA MEMÓRIA”)
« Última modificação: Junho 17, 2010, 23:08:50 por Dionísio Dinis » Registado

Pensar amar-te, é ter o acto na palavra e o coração no corpo inteiro.
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« Responder #33 em: Junho 15, 2010, 22:16:25 »

Texto n. 8

A menina esbugalhava os olhos a cada nova passagem.
Em fila indiana, pela estrada nacional fronteiriça ao monte, caminhavam cavalos da GNR, espaçados entre si por uma grossa corda, onde pendia a debilidade humana. Homens de olhar e rosto cansado, marcas profundas num país ferido. Para aquela menina eram homens maus e cruéis, essa a razão porque os guardas os levavam presos.
Ela era a única espectadora daquela cena, os adultos haviam-se recolhido dentro de casa. Na sua inocência infantil, pergunta a quem correra à rua para a ir buscar.
-São ladrões não são?
Uma voz soluçante responde.
- São sim minha filha, são ladrões de ditaduras.
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« Responder #34 em: Junho 15, 2010, 23:04:58 »

E já são 8 as participações.
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« Responder #35 em: Junho 16, 2010, 07:34:22 »

Texto n.º 9

O palco era composto de quase nada. Dois bumbos, um violão, um órgão eletrônico e um cantor. Nunca se soube a cor da face ou o contorno dos olhos da companheira que não o acompanhava – uma dócil utilidade afeita a jamais passar das frestas. Obra do cantor ou do conformismo de um destino, de cuja voz e sorriso pendiam seus cabelos desprotegidos, a sua boca delineada pelos murros da percussão. Enquanto a platéia, dividida e surda, aplaudia num quase silêncio a expressão mezzo-soprano, nascia mais uma heroína morta.

 
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« Responder #36 em: Junho 16, 2010, 18:44:57 »

E já cá moram 9 participações!
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Amo a Literatura e as artes.


« Responder #37 em: Junho 16, 2010, 19:41:49 »

Beleza!
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Escrevo também nos sites Recanto das Letras (www.recantodasletras.com.br) e Luso-poemas (www.luso-poemas.net)
Dionísio Dinis
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« Responder #38 em: Junho 16, 2010, 20:25:39 »

E se isto pudesse ser mais que um concurso.....
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« Responder #39 em: Junho 16, 2010, 21:50:06 »

Participem.

Enviem as vossas participações para:
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(Assunto: “IMAGENS DA NOSSA MEMÓRIA”)
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« Responder #40 em: Junho 16, 2010, 22:33:15 »

Texto n.º 1



DEZASSETE TOSTÕES
 

Apenas dezassete tostões satisfariam o prazer de uns tantos cigarros no consolo dum vício de décadas. Um maço de cigarros “ Definitivos”. Mas do sustento da casa e dos filhos os dezassete tostões não sobravam e a satisfação do vício teria de aguardar por melhores dias. Pelo dia em que depois de todas as despesas pagas, eles sobrassem, sem causar mossa no orçamento sempre batido no zero absoluto, do nada igual a nada. Para além do leite, do pão e da mercearia eles teriam de sobrar um dia. Dia que nem ele, sofredor angustiado nem a mulher adivinhavam quando poderia acontecer.

Texto n.º 2

Enquanto a noite se fazia rogada, o homem trôpego de álcool e a mulher perdida de vida trocavam mágoas a muitos milhões de lamentos por segundo.
O bar vazio com o empregado bufando sono e cansaço cantavam um requiem em louvor daquelas almas penadas.
Por quanto tempo se suporta a dor própria sob a dor da mais desafortunada companhia?
Também, qualquer que fosse a resposta dada a uma equação etílica, nenhuma luz se faria sobre a inquietude dos perguntadores. A verdade da noite, ia mais uma vez ser mascarada por dia vestido de óculos escuros.
Noites e dias repetidos até à exaustão…

Texto n.º 3
O Jeremias depois de uma noite de pândega e asneirada, deu-se ares de deus louco e de pensador eminente.
A coisa ia dando para o torto, não fora a dona Efigénia ter filado o desmiolado do Jeremias no preciso momento em que ele se fazia de Ícaro e se preparava para voar da janela da Carminha cabeleireira, que minutos antes trepara para se aventurar numa alcoólica serenata matutina.
Com calma e experiência de anos de maritais bebedeiras, dona Efigénia lá convenceu o Jeremias a descer de modo mais ortodoxo da varanda e mergulhou a estouvada cabeça do tratante no lago dos peixinhos vermelhos.   

Texto n.º 4

Recolhe o tempo no tempo maior, descem as sombras no descampado da luz e sonha-se a Lua perdendo-se na planície.
O tempo calcorreia a vida do pobre pedinte desassombrado que, sem mossa maior, espera a sopa à porta do albergue. Foge-lhe o tempo na tigela sem colher, água verde ausente de cores outras. Foge-lhe o tempo nos olhos baços. Folhe-lhe o tempo nas pernas bambas, acidente vascular cerebral de outras eras. Apenas o chão espera o próprio tempo. Para matar o resto do tempo. Assim, sem regras nem demoras, como se o Universo não tivesse cancelas.

Texto n.º 5

Seu lábio tocou o meu. Na escola na sala cinza no recreio. Sua boca de boneca sapeca sapecou-me um beijo. Ela não sabe, mas foi meu primeiro beijo na boca. Lembro-me do sabor de novidade que aquele contato intumescido proporcionou. Fiquei atônito e perplexo. Os olhos ainda maiores brilhavam como fogo. Senti as faces queimarem e todo o meu corpo junto. Mal sabia eu o que me esperava. Havia pimenta guardada. O gosto leve e cheiro suave de fim de infância eram apenas a entrada de um grande banquete anunciado para durar uma vida. Há muito com dança e expressões de delicadeza e força intensas revivo esse primeiro momento eterno em mim.

Texto n.º 6

Esquecera há quanto ocultara na falta de tempo as leveduras do pó e seus milhões de ouvidos. Abriu o compartimento de onde viriam as notas. Um clique. Debussy. Massenet. Guardava o som na memória que esquecia títulos, composições. Só a melodia a vagar o sentido que não oblitera. A leitura disforme e veloz como as mudanças tecnológicas. A fome por som continuaria somente até a segunda idéia navegar a distância da aproximação, portas presentes. Meditação para Clair de Lune e Thais. Viu partituras. Ouviu piano, violino. E segregou-se no retrato de um homem que possivelmente teria amado.

Texto n.º 7

Perturbatio
 
Bradam os ventos de encontro às rochas
Revolvem-se as ondas em chicotes esvoaçantes
Vergam-se as nuvens em castelos no horizonte
e o meu olhar afunda-se para além dos vidros
(arrastando todos os suspiros contidos)
Querer espartilhado que se revolve com as ondas
brada com o vento
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Texto n. 8

A menina esbugalhava os olhos a cada nova passagem.
Em fila indiana, pela estrada nacional fronteiriça ao monte, caminhavam cavalos da GNR, espaçados entre si por uma grossa corda, onde pendia a debilidade humana. Homens de olhar e rosto cansado, marcas profundas num país ferido. Para aquela menina eram homens maus e cruéis, essa a razão porque os guardas os levavam presos.
Ela era a única espectadora daquela cena, os adultos haviam-se recolhido dentro de casa. Na sua inocência infantil, pergunta a quem correra à rua para a ir buscar.
-São ladrões não são?
Uma voz soluçante responde.
- São sim minha filha, são ladrões de ditaduras.

Texto n.º 9

O palco era composto de quase nada. Dois bumbos, um violão, um órgão eletrônico e um cantor. Nunca se soube a cor da face ou o contorno dos olhos da companheira que não o acompanhava – uma dócil utilidade afeita a jamais passar das frestas. Obra do cantor ou do conformismo de um destino, de cuja voz e sorriso pendiam seus cabelos desprotegidos, a sua boca delineada pelos murros da percussão. Enquanto a platéia, dividida e surda, aplaudia num quase silêncio a expressão mezzo-soprano, nascia mais uma heroína morta.

 
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« Responder #41 em: Junho 17, 2010, 06:23:56 »

Pela qualidade dos textos expostos, pode-se dizer com propriedades, que o sucesso está à vista.
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escrever é um acto de partilha


« Responder #42 em: Junho 17, 2010, 14:15:55 »

Dionísio

Mais um plágio seu daquilo que eu ia agora mesmo postar...  :yup:
Assim não existem condições! :sleep3:
JA
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« Responder #43 em: Junho 17, 2010, 18:19:50 »

Mãos à obra.Mais prosa e menos prosápia.
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« Responder #44 em: Junho 17, 2010, 19:56:16 »

Texto n.º 10

 O tempo é a marca do homem. O tempo marca o homem. O tempo é um nome. Dias, meses, anos... O tempo a tudo consome. Vidas, amores, encantos... O tempo é a sombra do homem. Perseguidor e perseguido. O tempo é o vento e a rua vazia. O tempo é o furacão e a louca magia.

      De repente, o poeta abre as páginas do seu livro. Um livro que ainda há de existir. E escreve poemas passados e futuros. Escreve memórias e histórias. Os versos? Os versos são fios de um tempo. E muitos fios se embaralham, se confundem, se atraem. O poeta? É um ser sem tempo porque busca a si mesmo através das lembranças.

      Ao fechar o livro que virá, o poeta sorri e vê o tempo passar e não passar...
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