EscritArtes
Maio 25, 2012, 11:40:53 *
Olá, Visitante. Por favor Entre ou Registe-se se ainda não for membro.

Entrar com nome de utilizador, password e duração da sessão
Notícias: Regulamento do site
http://www.escritartes.com/forum/index.php/topic,9145.0.html
 
  Início   Fórum   Ajuda Entrar Registe-se   *
Páginas: [1]   Ir para o fundo
  Imprimir  
Autor Tópico: Xadrez e escolha racional: aplicação lúdica da teoria dos jogos  (Lida 494 vezes)
0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.
Públio Athayde
Novo membro

Offline Offline

Sexo: Masculino
Mensagens: 8
Convidados: 0


Juro que não estou entendento este sítio.


WWW
« em: Agosto 24, 2010, 11:18:17 »

Há alguns anos eu me dedicava intensamente ao jogo de xadrez. Horas a fio de estudos, treinos, partidas jogadas nas mais diferentes situações.
Tal afixionamento provocava-me algumas vezes, principalmente quando me excedia muito em “partidas às cegas”, uma curiosa experiência: sonhava que estava jogando, mas a frustração por não ter adversário que respondesse a meus lances fazia-me acordar depois de muita espera angustiada pela decisão do adversário inexistente.
Minha mente não podia aceitar aquela situação diferente da anterior, quando depois de cada problema solucionado (e feito o lance por mim), surgia novo problema (resultado da jogada do adversário).
Meu subconsciente não assimilava a ruptura da relação dialética amigo-inimigo. Eu não podia aceitar a situação que se colocava: analisada – em sonho – determinada posição eu executava o lance hipotético. Seguia-se interminável espera pela resposta que jamais viria, a fadiga mental se acirrava sem nenhum proveito ou desenlace.
Faltava um indivíduo na operação. Faltava outra entidade capacitada a tomar decisão, efetuar escolha. Não faltavam os outros elementos componentes do comportamento esperado em vão (o lance adversário): as normas estavam assimiladas, as teorias correntes de tática e de estratégia eram conhecidas, os fatores psicológicos, comportamentais, as condicionantes sociais e biológicas do adversário em sonho estavam postas. Nem todas essas condições, pretensamente determinantes de sua capacidade decisória, reunidos, tinham o condão de me propiciar efetuar um lance qualquer pelo adversário.
Faltava a intencionalidade oposta que daria racionalidade ao jogo.
Todas as teorias sobre as prováveis ações do adversário não me tornavam apto a fazer por ele aquilo que lhe é mais característico: decidir; de forma racional e lógica.
A situação do sonho não é diferente da real, acordado também, nem eu nem qualquer outro enxadrista jamais tomou qualquer decisão por seu adversário. Supõe-se, prevê-se, instiga-se, mas não se impõe o arbítrio.
O que mais me intriga, ainda hoje, é a percepção parcial, pelo subconsciente, da impossibilidade de se efetuar por outrem qualquer opção. Nem o mais libertino devaneio de sonho jamais me permitiu executar o lance pelo adversário.
Vejo agora que mesmo a ação de se efetuar o lance sendo composta por uma série de determinantes históricos (a psicologia do enxadrista, sua ideologia, sua formação teórica e técnica, sua experiência pregressa na atividade específica), não serão esses fatores que determinarão em última instância o lance – ou qualquer ação decisória de caráter individual – a ser efetuado em uma situação qualquer. Ainda que a escolha do lance seja racional, e mesmo por isso, e componente de um planejamento estratégico predeterminado.
Por que, se numa situação artificialmente simples, como é o xadrez em relação a toda vida de cada indivíduo, e suficientemente complexa ao mesmo tempo, para ser integrada por diversos componentes históricos, tais como os que mencionei, a escolha final em cada situação de decisão está apartada dos referidos componentes históricos e determinada pela racionalidade da escolha, seria diferente em qualquer outra situação da realidade?
O emprego do jogo de xadrez como artifício para análise dos comportamentos decisórios me parece muito apropriado, por ser um jogo de soma zero, com ponto de sela e maximin presumivelmente existentes. Primeiramente por que seu ponto de sela e maximin estão situados em limite inalcançável tanto humanamente quanto tecnologicamente, posto que, das 10E180 (dez expoente cento e oitenta) situações possíveis, resultam estratégias absolutamente inquantificáveis. Mas também por que sua complexidade sujeita-o a determinantes históricos tão múltiplos que podem compreender até opções estéticas.
O que se torna patente para mim, feitas essas comparações é a inexeqüibilidade da ação dissociada de um interesse motor, a racionalidade da ação decisória mesmo quando a solução do jogo é inexistente – ou inatingível, o que tem o mesmo efeito,  o caráter a-histórico da opção final. Não se aplicam a objeções marxistas ao individualismo metodológico segundo tal análise.
O que foi colocado até aqui é que cada ação não é determinada historicamente. Tal afirmativa não pode ser transposta para o conjunto das ações.
A racionalidade implícita de cada decisão do jogador está subordinada ao grau de informação que ele tem sobre a situação em que se encontra: conhecimento de tática e estratégia, conceitos valorativos, senso posicional adquirido pela prática, estudo das partidas dos adversários e dos jogadores mais conceituados. O coeficiente de racionalidade pode ser avaliado em função da informação teórica de que o enxadrista está munido, e não em relação a um ponto de sela indeterminável e estratégias dele derivadas.
De tal observação decorre que, se cada lance não é determinado, quer por considerandos histórico, quer por motivos de ordem estratégica, e sim pela racionalidade imediata da situação taticamente considerada; o mesmo não se observa em relação às opções de maior alcance.
Certamente nas ações tomadas em seu coletivo notar-se-ão fatores inegavelmente oriundos de determinantes históricos. Se cada lance na partida de xadrez é arbitrário, sujeito a passionalidades momentâneas e determinado pela busca de eficácia na consecução do objeto tático, a opção feita pela linha de abertura, ou pela defesa adotada, são ambas determinadas de forma inteiramente influenciadas por fatores alheios ao campo exclusivo da racionalidade decisória; há determinantes na escolha de linha de conduta, no xadrez ou fora dele, que compreendem tanto racionalidade pura quanto componentes ambientais.
O enxadrista não está isolado das normas determinantes de seu procedimento ou das teorias elaboradas sobre os diversos temas do jogo, não joga necessariamente segundo a opinião corrente em cada situação, não pautará compulsoriamente suas opções pelas análises de seus “segundos” (analistas que acompanham os mestres em campeonatos).
Acho que a maioria das observações que fiz quanto ao xadrez são transportáveis para a realidade social, sem grandes distorções em relação ao modelo.
Não constituem, de forma alguma, novidade as comparações entre o jogo de xadrez e outras situações complexas. Nem foi meu interesse inovar por aí.
Pretendi apenas fazer menção à experiência pessoal – a dos sonhos – que considero comportar intrigantes aspectos da relação com o adversário na disputa racional, principalmente considerando a própria racionalidade como o componente gerador da situação.
Registado
goretidias
Contribuinte Activo
*****
Online Online

Sexo: Feminino
Mensagens: 16078
Convidados: 482



WWW
« Responder #1 em: Novembro 26, 2010, 17:10:20 »

Eu gostava de saber jogar xadrez e " perceber" melhor a realidade social...
Registado

Goretidias

 Todos os textos registados no IGAC sob o número: 358/2009 e 4659/2010
Lucrécia Bórgia
Membro da Casa
****
Offline Offline

Mensagens: 493
Convidados: 0


« Responder #2 em: Abril 02, 2011, 11:10:37 »

Excelente escrita. Já agora, adoro xadrez Smiley
Registado
Páginas: [1]   Ir para o topo
  Imprimir  
 
Ir para:  

Parcerias
Buffering...Buffering...O seu destaque aqui...
Recentemente
[Hoje às 11:14:50]

[Hoje às 09:41:41]

[Hoje às 02:05:54]

[Hoje às 02:03:32]

[Hoje às 00:19:34]

[Maio 24, 2012, 23:57:34 ]

[Maio 24, 2012, 20:46:50 ]

[Maio 24, 2012, 20:42:14 ]

[Maio 24, 2012, 20:40:38 ]

[Maio 24, 2012, 20:24:48 ]
Membros
Total de Membros: 665
Ultimo: Itelvina de Jesus
Estatísticas
Total de Mensagens: 113910
Total de Tópicos: 23146
Online hoje: 75
Máximo Online: 368
(Novembro 05, 2009, 23:05:48 )
Utilizadores Online
Users: 2
Convidados: 73
Total: 75
Últimas 30 mensagens:
Hoje às 10:18:02
bom dia
Maio 23, 2012, 20:51:56
Boa noite a todos
Maio 21, 2012, 18:20:57
Boa tarde a todos
Maio 21, 2012, 17:03:59
Boa tarde...
Maio 21, 2012, 16:10:43
Boa tarde
Maio 21, 2012, 11:55:14
Ótima semana para todos !
Maio 20, 2012, 19:14:48
Ótimo resto de domingo e semana plena de felicidade e sucesso para todos!
Maio 17, 2012, 22:03:50
Boas leituras e melhores escritas
Maio 17, 2012, 22:03:22
Boa noite feliz para todos
Maio 17, 2012, 13:20:45
Boa tarde a todas
Maio 17, 2012, 10:59:03
Bom dia...
Maio 16, 2012, 17:45:04
Boa tarde a todos...
Maio 15, 2012, 20:33:02
Boa tarde a todos
Maio 15, 2012, 16:49:23
Boa tarde a todos
Maio 15, 2012, 01:15:17
boa noite
Maio 14, 2012, 19:57:18
Boa tarde.
Maio 12, 2012, 12:08:50
Boa tarde a todos
Maio 12, 2012, 00:41:12
Boa noite a todos.
Maio 11, 2012, 12:13:54
Bom dia...
Maio 11, 2012, 12:13:50
Bom dia...
Maio 10, 2012, 11:33:42
Bom dia! Aproveitem o sol... enquanto não é cortado pela troyka!
Maio 08, 2012, 20:23:44
Boa tarde a todos
Maio 08, 2012, 07:27:12
Bom dia!
Maio 07, 2012, 18:51:37
Boa tarde a todos
Maio 07, 2012, 15:37:25
Bom dia...
Maio 07, 2012, 07:24:15
bom dia!
Maio 06, 2012, 18:54:26
Boa tarde...
Maio 06, 2012, 15:17:57
Bom dia a todos...
Logos
Buffering...

Firefox 2 xspf player AJAX powered Powered by MySQL 5 Powered by PHP 5 Powered by HoneyPot project Hacker Trap
CSS Valid CSS 2.0 Valid RSS 1.0 Valid RSS 2.0 Valid XHTML Valid
Powered by SMF 1.1.16 | SMF © 2006-2007, Simple Machines
TinyPortal v0.9.8 © Bloc
Página criada em 0.242 segundos com 30 procedimentos.