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gdec2001
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« em: Agosto 25, 2010, 20:30:25 » |
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literatura e literatura
Das muitas e diversas qualificações que se podem fazer da literatura, ou daquilo a que o qualificador chame de literatura, vou hoje referir a mais patente delas que é a que qualifica a literatura em dois grandes, grandÃssimos, sectores . E são os seguintes : A literatura que se entende A literatura que não se entende A literatura que se entende é uma chatice . É certo que há quem entenda de uma maneira e quem entenda de outra maneira mas tais maneiras de entender são muito aproximadas de tal maneira que se a gente, nós, procuramos entender o que se entende de uma maneira e também o que há quem entenda da outra, a proximidade dos entendimentos torna tais entendimentos uma chatice e há mesmo o risco de a certa altura não sabermos de que entendimento estamos a falar. Por outro lado , a literatura que se entende é um perigo para a liberdade porque nos obriga a entendê-la de uma certa maneira ou pelo menos de uma maneira bastante semelhante. Já não é assim com a literatura que não se entende por que, exactamente como se não entende, nós podemos entendê-la da maneira que nos dê bem na gana e é bastante interessante verificar que esta literatura pode ser entendida assim e também no contra-assim ou seja assado. Podemos pois falar desta literatura o mais longamente possÃvel sem qualquer confusão pois nada há que seja mais variado do que as coisas que nada têm a ver umas com as outras coisas e também é claro que por serem as mais divergentes nunca podemos confundir as outras com a uma . E é claro que esta literatura preserva toda a nossa liberdade pois que podemos entendê-la tal como nos der na já referida gana. Espero que me entendam e que me perdoem por isso mesmo .
Geraldes de Carvalho
Ps. Um bom amigo fez-me notar que há uma literatura que não se entende mas"… que sai da alma. É literatura viva, sem razão de ser, que acontece."
 Eu acho que ele tem toda a razão . Na verdade há uma literatura que não se entende mas sai da alma . Mas será que essa literatura não se entende mesmo ? Ora eu julgo que há duas formas principais de entendimento . O entendimento da lógica racional, digamos assim, e o entendimento da lógica dos sentimentos, digamos assado. Esta última espécie de lógica permite-nos entender muito bem -ou talvez pudéssemos dizer sentir, em vez de entender- a tal literatura que sai da alma . E entendendo-a, pelo sentimento, nos permite melhor aderir a ela ou repudiá-la -visto que como há uma alma boa há também uma alma má - Tudo isto na minha opinião e também, talvez, na daquele que disse que o coração -quereria ele dizer a alma ou esta não se usava no tempo dele com o significado actual ?- tem razões que a razão desconhece . Vale, amigos Geraldes de Carvalho
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