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Notícias: 4.ª Colectânea - 4.º Aniversário Escritartes
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Autor Tópico: A ALBINA E O PRíNCIPE 6  (Lida 61 vezes)
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Vitor da rocha
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« em: Setembro 03, 2010, 16:33:57 »

A mãe puxa-a para uma borda da multidão ainda meio vazia, e contorna as clareiras até chegar mesmo à fronteira do oleado circular que aguarda pelos pés da realeza. O acordeão das vozes do povo estica e encolhe ao sabor da expectativa e do prenúncio da entrada em cena do artista, do príncipe de Leopoldina. E um esticão sonoro, repentino e instantâneo saúda a aparição súbita na porta entreaberta da carruagem do personagem maravilhoso, vestido de roupas que destoam da arraia-miúda, e com a azul e nobre capa nos ombros. Levanta os braços e inclina o tronco até à cintura, num gesto humilde que na realeza só fica bem, e as palmas dos servos prestam-lhe a sua submissão. Leopoldina desfaz-se num riso maravilhado, vede-o, o meu príncipe, o mais belo de todos, Leopoldina está quieta, rapariga, que não me deixas ver nada descansada.
E o príncipe olha para a Leopoldina e em sua honra percorre o tapete de ponta a ponta, em saltos ininterruptos, mãos, pés, mãos, pés, mãos, pés, as costas vergadas em arco, e termina com um salto prò céu, de braços estendidos para a lua, e a cabeça altaneira a olhar sobre as cabeças das gentes e ainda as palmas não se esfumaram e já ele está sobre uma bicicleta manca de uma roda, e sobre ela gira, esbraceja, troca os pés pelas mãos nos pedais, e rodopia como uma piasca lançada pela mão de criança; e a Leopoldina agora em estátua se transformou, estátua de olhos arregalados e boca aberta e as mãos nas faces para esconder o espanto e o amor. Mas já o príncipe, espicaçado e ardido com os aplausos recebidos, trepa com as pernas enganchadas pelo poste acima e no meio dum estrondo de temor das gargantas dos assistentes encavalita-se sobre o testo do poste, ora num pé, ora no outro, os dois braços esticados a bombordo e a estibordo, e a crista levantada de quem sabe fazer algo que os outros não sabem, e logo atiça o temor do povo ao pousar o pé direito na corda e ameaçar torná-la em ponte sobre o empedrado sob as solas dos seus pés. Goza então o sabor do medo nos olhos pregados em si por um longo minuto, e avança então, desmedidamente sem receio, pela corda fora, suspenso da respiração de cada um que observa, os braços a navegar e a cruzar as ondas, de um lado e outro, como remos. Leopoldina não pode mais suportar tanta alegria e orgulho, o peito cheio de vento, medo e espanto, os olhos alargados ao limite, como gema de ovo espalhada na clara, o ar gelado na sua goela entupindo a entrada de nova remessa, e as mãos paralisadas sobre a cabeça. A mãe, ao lado, deslargou a compostura de senhora amarga, de mulher que já viu tudo e nada de novo espera, e deixou-se caçar na mesma como a filha e todo o povo pela magia de gestos que nunca a seus olhos aconteceram, pelo sentir de uma realidade para lá da crueza rotineira dos dias, uma realidade que cada alma sente haver e guarda sob o pedregulho da inconsciência. E o príncipe caminha sobre a corda como os anjos caminham pela estrada celeste, solto do peso, aliviando finalmente o pasmo da população quando pisa o porto seguro do outro poste. Os mais crescidos não se fazem rogados e atiram-lhe ramos de palmas sonoras e entusiásticas, mas os ganapos, mais dados a submergirem no tanque da magia que os adultos, permanecem ainda mais uns instantes presos na corda que balouça, com o cenário das estrelas a encher-lhes os olhos e a imagem do artista ainda a refulgir no vácuo.
Vem agora a condessa que Leopoldina vira no cartaz, nobremente vestida com meias vermelhas, saia folhada de renda da largura das tiras de enfaixar um recém-nascido, saia que acena aos homens, para cima e para baixo, abrindo-lhes o apetite para ceia que não terão, mostrando-lhes a suavidade e perfeição de umas pernas que a labuta na terra matou nas suas patroas, afinando como agulhas à medida que o tornozelo se aproxima e engrossando como bons presuntos de porco junto das nádegas e do tufo de ervas que a cueca branca e estreita esconde. Cueca mais estreita que um lenço dum homem, vejam só!, sem combinações nem calções, nem armaduras intransponíveis e inimigas de afrodite. Enlaçam-se os dois e dançam sobre o tapete, num misto de passos, tangos e acrobacias. Depois, ela trepa-lhe pelos joelhos e encarrapita-se sobre os seus ombros, e os dois trocam os olhos aos assistentes com três, quatro bolas que volteiam no ar, num círculo sem fim nem princípio como o ciclo da água, nuvem, terra, mar, nuvem, terra, mar... Salta então para o chão e enquanto o príncipe continua o malabarismo com arcos e mocas a condessa pega numa pequena cesta enfeitada com as cores reais e passeia-se pelas beiças dos homens e as pestanas invejosas das mulheres, de braço estendido e sorriso treinado a exigir o contributo pela miragem oferecida. As coroas e os tostões miúdos caem a custo das árvores desde sempre depenadas e tilintam livres e unidos no fundo da cesta, felizes por assim juntos se sentirem mais fortes como um exército do que num pequeno bando de meia-dúzia de malfeitores próprio do bolso de pelintras. Leopoldina vê a mãe a remexer no porta-moedas e quer dar todas as moedas, caricas e botões que nele houver, que pouco é para o seu príncipe, quieta, rapariga, pensas que não custa a ganhar?, ora vejam lá, que doidice maior te havia de pegar, as pantominices são muito bonitas mas não enchem a barriga, a não ser a deles, por isso, pega lá cinco coroas e deita-as no cesto, Leopoldina, e toma tino!
Quando a condessa chega junto dela, Leopoldina abraça-se a ela como a parenta muito antiga, senhora condessa, quando é a partida?, é muito longe o vosso palácio?, grande?, bonito?, e o príncipe, quando me vem buscar? A senhora olha para Leopoldina, desnorteada e sem perceber a lengalenga, e ao dar com os seus olhos de amêndoa bicuda de albina, o seu corpo grosso de castanheiro velho, atrapalha-se pela falta de uso de dicionário para falar com alguém de outro mundo. A mãe puxa-a por um braço e executa uma vénia de desculpas pelo despropósito da rapariga, a senhora desculpe a minha filha, não vê que o juízo que Deus lhe deu foi à míngua, coitadinha, tão pouco escorreita, não ligue a esta tramelguice de príncipes e palácios, veja lá o que se lhe meteu na cabeça, que os senhores vêm de um palácio e são gente da fidalguia, que não é minha intenção dizer mal das suas famílias, cada um nasce onde nasce e sem ser perguntado, mas é por dizer que a minha filha vive no mundo da lua, a sonhar com gente fidalga que a há-de vir buscar para os palácios, como se os reis e príncipes ainda existissem e se os houvesse alguma vez quereriam conhecer uma enjeitada do destino como esta minha filha, a senhora desculpe.
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Buenas noches
Fevereiro 01, 2012, 10:07:28
E, a respeito da justiça, o Figas diz que: Realmente, são todos iguais quando são chamados para comparecer perante a para a justiça. A diferença está na vinda! 94%  dos inquiridos acha que a justiça está má! Oh! Que admiração!
FigasAbraço, ao ar livre.
Janeiro 25, 2012, 14:44:56
Boa tarde solarenga para todos!
Janeiro 23, 2012, 18:28:03
Boa noite a todos
Janeiro 22, 2012, 18:24:14
Boa noite para todos
Janeiro 22, 2012, 09:34:10
Hoje ,
 domingo,
Nada faço,
Noutros não me dão canseira,
Vou comendo pastéis de nata,
A pátria me agradece!
FigasRegards
Janeiro 21, 2012, 13:07:54
Hoje, um dia bom
mas o frio calor frena,
que não evita inspiração
para o calor dum poema!
.........ssssss.......
Figas, a fazer prova de vida
Janeiro 18, 2012, 11:17:43
Excelente dia para todos!
Janeiro 15, 2012, 20:38:06
Boa noite a todos
Janeiro 12, 2012, 19:28:27
Boa  noite paraa todos
Janeiro 12, 2012, 12:05:16
Bom dia, quase boa tarde!
Janeiro 10, 2012, 06:29:55
Excelente dia!
Janeiro 09, 2012, 18:24:00
Boa noite a todos
Janeiro 09, 2012, 11:23:42
Excelente semana para todos!
Janeiro 06, 2012, 23:19:00
Para Administração: por lapso coloquei um textò/crónica na secção humor. Agredecia que fosse transferido para  o item crónicas. Obrigado. Boa noite.
Janeiro 05, 2012, 19:55:18
Boa noite a todos
Janeiro 04, 2012, 20:39:49
Obrigado J.A. Bom 2012.
FigasAbraço
Janeiro 04, 2012, 18:03:57
Boa tarde a todos
Janeiro 04, 2012, 16:22:50
Figas, correção efetuada. Abraço.
Janeiro 03, 2012, 21:26:05
Ao cuidado da Administração. No "Ó Gaspar, assim, vai-te lixar" o 25º verso é : "Para pagar o empréstimo da mirra" Obrigado do Figas
Janeiro 03, 2012, 10:37:45
Excelente terça-feira para todos!
Janeiro 02, 2012, 21:58:54
Na questão da produtividade, a igreja também veio à liça, e para aumentar a santidade aumentou meia hora à missa!
Janeiro 02, 2012, 10:29:03
Eu era para desejar Bom 2012, mas, afinal, resolvi esperar até 31 dezembro para ver. Depois conversamos.
Cuidado. Apertem o cinto, porque o voo 2012, na sua rota vai apanhar muitos poços de ar! FigasAbraço,
Janeiro 01, 2012, 16:36:40
Boa tarde para todos
Janeiro 01, 2012, 12:52:49
UM 2012 PLENO DE SAÚDE, PAZ, FELICIDADE, ALEGRIA E SUCESSO, COM EXCELENTE ESCRITA À MISTURA, PARA TODOS MEMBROS E FAMILIARES DO "ESCRITARTES"!
Janeiro 01, 2012, 02:49:48
Feliz Ano Novo!
Dezembro 31, 2011, 21:36:10
Um novo ano repleto de felicidade!
Dezembro 31, 2011, 18:54:49
Apenas e tão só, desejar a esta casa, a estes amigos, a todos, enfim, um EXCELENTE 2012. Levo-vos comigo, nesta data de passagem, com a gratidão de quem, sempre que vem, se sente em casa. Um fraterno e ENORME abraço.

Dezembro 31, 2011, 18:53:10
BOM ANO 2012 para todos, com muita Paz, Saúde e Alegria... e VIVA A CULTURA LITERÃRIA NO ESCRITARTES.
Dezembro 31, 2011, 17:54:01
Bom ano 2012 para todos
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