Josefu
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Muito se engana quem pensa...
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« em: Julho 30, 2011, 23:45:34 » |
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UMA HISTORIETA EXEMPLAR
Acho esta historieta exemplar. Adivinhem porquê, porque eu não digo. A vida é um sonho e o homem, de tão fraco que é, só sobrevive à desilusão, ao destino sem sentido, à vontade de não existir, graças aos sonhos. O sonho, porém, não passa de um sonho e quanto mais o homem o quer como realidade palpável, mais ele lhe escapa. “O sonho comanda a vidaâ€, diz o poeta. De facto, o sonho pode servir para que o homem evolua no sentido mais essencial e único: o espiritual. Então, vamos ao nosso sonho… Era uma vez um leão, rei na sua terra. Ora, uma noite, reparou numa luz no céu que o atraÃa irresistivelmente e o guiava ao encontro do Rei dos Reis. Era uma luz tão forte como nunca vira, de uma claridade estranha e penetrante. Era uma luz que lhe chegava à alma e quando uma luz nos chega à alma… bem, tudo pode acontecer! Vai daÃ, o leão que era rei pôs-se a caminho para encontrar o misterioso Rei dos Reis que lhe enchia o pensamento. Levou consigo uma prenda, uma única e valiosa prenda, uma pedra preciosa, guardada junto ao peito, para lhe oferecer. A caminhada foi longa, difÃcil e, a certa altura, atravessando uma campina, reparou que andavam a trabalhar por ali. Era um grupo de galinhas que apanhava o grão. Ao aproximar-se reparou também que elas eram vigiadas por alguns mastins que de vez em quando lhes davam umas ladradelas e umas ferroadas no pernil para as tornarem mais ativas. Ali perto, a uma sombra, deitado numa fofa manta, descansava um urso branco que petiscava, de quando em vez, umas frutas que tirava de uma grande taça dourada. Pelos vistos, o urso era o dono das galinhas e o patrão dos mastins, pois que, de vez em quando lhes dava, em voz grossa, ordens. O leão, sem saber bem como, sentiu o que até aà nunca sentira: compaixão. Decidiu dirigir-se ao urso e pediu-lhe que libertasse as galinhas. “A troco de quê?†retorquiu-lhe o urso. O leão sentiu então um dilema: continuar o caminho ou entregar-lhe a pedra preciosa que ciosamente guardava para o Rei dos Reis, a troco da liberdade das galinhas. Foi então que sentiu com mais intensidade o calor da luz que o tinha guiado até aÃ. Não hesitou. “Dou-te esta pedra preciosa em troca da libertação das tuas escravas!â€. O urso aceitou de imediato. Pedras preciosas eram raras e escravos era o que mais havia… Feito o negócio, urso e mastins desandaram dali e o leão aproveitou a manta para descansar um pouco e meditar. Já cabeceava quando sentiu alguém tocar-lhe. Era uma das galinhas: “Patrão, patrão, é a hora do almoço. Temos fome!â€. Um pouco confuso, o leão respondeu-lhes: “Mas.. vós agora sois livres; podeis ir por aà arranjar a vossa vida como quiserdes…†As galinhas, com grande espanto seu, viraram-lhe as costas e partiram com cara de desiludidas e a resmungar cacarejos: “Ora bolas, era bem melhor viver com o patrãoâ€. “ Vamos procurar outroâ€. Foi então que o leão sentiu um ardor insuportável no focinho. Acordou. Afinal, adormecera à sombra de um frondoso carvalho e o sol, no seu eterno movimento, batia-lhe agora em cheio na face. Então percebeu: era o sol, a luz que vira no sonho…
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