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Autor Tópico: A MORAL DA IMORALIDADE DESTA CRISE  (Lida 745 vezes)
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josé antonio
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escrever é um acto de partilha


« em: Novembro 19, 2008, 23:17:33 »


Antes do mais devo confessar que estou a escrever estas linhas muito distante, ou se calhar, não, do meu estar de poeta, ficcionista ou outro género qualquer. Estou a desabafá-las como cidadão, pai e formador de jovens profissionais num mercado de trabalho que de tão precário quase se torna inexistente. Plano de vida, quem sabe ou pode definir, com recibos verdes e de todas as cores, qualidade quem a pode executar com o cutelo da precariedade em todos os minutos do dia, produtividade e bom desempenho, que se pode aprender dos péssimos modelos de patrões, prepotentes, gananciosos, sem formação e sem escrúpulos que povoam as empresas que sustentam o tecido empresarial deste país? Digo patrões, porque não os quero misturar com empresários e pseudo-empresários sobre os quais também tenho muito a relatar ao fim duma carreira de 38 anos entre eles.  Mas não vem daqui o cerne do problema. A sementeira desta crise que está para continuar começou nas famílias. Iniciou-se com o facilitismo que nós pais, temos teimado em proporcionar aos nossos filhos e em grande parte dos casos através de endividamentos desastrosos. Empréstimos para bodas de casamento às dezenas de milhar de euros? - Automóvel quando perfazem os 18 anos? Que estudem se tal o desejarem, porque está tudo pago, mesmo que seja através dum fórmula efémera e falida? E foi deste ponto fraco, mais que débil que as instituições que vendem dinheiro se aproveitaram. E com o que arrecadaram, saltaram para mais altos voos, de forma demasiado arriscada para obtenção de maiores e mais rápidos proveitos nas bolsas e não só por esse mundo fora. Resultado: o que está à vista mas que ninguém sabe quando nem como irá terminar. A maioria das populações já conhece a realidade da fome enquanto se assiste ao paradoxo parvo de haver, num clicar de dedos tantos milhões para injectar nos bancos e outras empresas mal geridas por parte dos governos, e não só, que com apenas 1% desse valor teriam evitado muita morte pela fome e continuação da miséria por este mundo fora.
Pela minha parte, porque considero este tema agora aberto demasiado importante, actual e social para estanquizar aqui, dar-lhe-ei a continuidade julgada oportuna e obviamente conducente com a continuidade que lhe vier a ser dada.
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Alice Santos
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« Responder #1 em: Novembro 20, 2008, 23:33:24 »

Pois é amigo José António - posso tratá-lo assim? - esta crise também me preocupa muito mas, acima de tudo, o que me inquieta é a incerteza do futuro dos jovens. As consequências podem ser graves. Tem razão ao dizer que começou nas famílias... eu, que "não dou tudo" ao filho, tantas vezes me questiono se não estarei a estragá-lo com o que mesmo assim já possui.
Um abraço,
Alice
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josé antonio
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« Responder #2 em: Novembro 22, 2008, 16:45:38 »

Boa tarde Alice,

Antes do mais permita-me confessar-lhe que ficaria sentido se me tratasse doutra forma. Quanto ao seu texto de contributo, é óbvio e como pais que somos sabemos dessa realidade. Tudo tentamos proporcionar aos nossos "rebentos" para lhes proporcionarmos melhores ferramentas de progressão e bem-estar no seu futuro e nunca, falo por mim, com o intuito de lhe mostar uma vida tão fácil e doce e aconchegadora que nem exige esforço para a vencer nas suas variadas etapas.Sou pai de um casal e sempre pautei a educação de ambos neste sentido. As coisas ganhas por nós, com o nosso querer e esforço, têm um sabor em nada parecido aos ganhos na base da mentira, do esforço fingido ou pseudo-mérito. Talvez por ter começado a minha profissional, de homem e de cidadão aos dezasseis anos ainda tenha esta vontade e respeito pelos valores morais em detrimento puro dos valores meramente materiais. É difícil incutir nas novas gerações o valor pessoal, de auto-estima de podermos circular numa rua qualquer, numa cidade qualquer, no mesmo passeio sem ter de sair do mesmo ou virar a cara, escondidos para com alguém com quem nos cruzámos acidentalmente, por má conduta passada ou presente.   
Disse difícil, mas possível com muitos deles. Relativamente ao sucesso profissional, com futuro cada vez mais negro e desanimador, aquilo que penso e pratico, tanto com os meus filhos como com oas jovens que drijo e a quem dou formação profissional, é muito simples: que procurem a melhor formação e conhecimento possíveis, seu melhor investimento, respeitando o seu gosto e vocação pessoal sem a preocupação emergente, na moda e quanto a mim castradora, de cursos com saída. E quais são eles?, se até já os médicos incorrem no desemprego? Perante esta realidade nada melhor e mais feliz, porque a vida profissional também deve ter felicidade, que lutarem, trabalharem e obterem o curso da sua paixão, que será sempre uma boa "moleta" de conhecimento para saltos posteriores aliada à capacidade criativa, inovadora e de polivalência que cada um de nós possui e deve, porque humanos e racionais, usar e desenvolver.
E esse é sem dúvida o suporte do sucesso pessoal e profissional.

Abraço do

José António       
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« Responder #3 em: Novembro 22, 2008, 17:17:51 »

Um tema mais que actual. De facto, vá-se lá saber se estamos a educar bem ou mal os nossos jovens. Mesmo quando educamos um grupo sob os mesmos princípios, uns adquirem uma forma de estar e outros uma diferente! Vá-se lá saber o peso real da genética... Eu cada vez acredito mais no seu poder que no meu. Mas, enfim...
Porém, uma coisa é certa: proporcionar tudo aos jovens não dá frutos sadios, apenas enfezados e bichados pela ganância, egoísmo e intolerância. Precisam aprender a lutar pelo que ambicionam, desenvolver "garras" que os ajudem a subir até onde podem e devem. Façamos alguma coisa por eles enquanto é tempo, se vamos a tempo!
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josé antonio
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« Responder #4 em: Novembro 24, 2008, 21:37:51 »


Acho que este tema sempre foi demasiado actual, só que sem a dimensão de que agora infelizmente se reveste com o impacto da crise económico-social e financeira que estamos e vamos ter de continuar a suportar, mesmo que não presidentes de bancos ou gestores premiados com chorudas indemnizações para quando se tem de ser despedido depois de ter produzido o mal-estar dos outros em grande escala. Esta situação relembra-me e confirma uma crítica sentida que de há alguns anos atrás, desde que nos meandros da formação, tenho dito aos meus colegas de ocasião, para renovação do CAP, etc.,que estamos todos errados - deveríamos dar formação ao topo e muito menos às bases, porque se a gestão e o exemplo de topo funcionar bem, por seguimento normal, necessário e humano, a base da pirâmide hierárquica enriquece e melhora. E todos lucramos em grande escala.
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« Responder #5 em: Fevereiro 02, 2009, 22:27:28 »

Não teremos que usar a base para dar formação às cúpulas? É que as bases estão tão habituadas a gerir o nada...
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Antonia Ruivo
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« Responder #6 em: Junho 13, 2009, 12:57:41 »

Lendo o seu texto, não consigo evitar o esboço de um sorriso amarelado, nestes últimos trinta anos temos sido um país de facilitismos, digo trinta porque os primeiros anos após a queda da ditadura, foram anos de euforia, onde se começou uma nova casa pelo telhado, assim se iniciou uma nova era, da repressão, depressa passamos para a revelia. Somos um povo de oito ou oitenta, não sabemos lidar com meios termos, onde o equilíbrio reside, depois lamuriaríamos as nossas mágoas, e nem perdemos tempo a analisar os porquês dessas mágoas.  Recordo-me que a primeira coisa que uma criança aprendia, era o respeito, pelos ideais e pelos valores, que ensinamos nós, aos nossos filhos, talvez pouco, muito pouco. Passámos a alimentar o desrespeito, a imoralidade e o ter tudo de mão beijada, contra mim falo, tenho dois filhos homens, muitas vezes passei ao lado das suas reais necessidades, e cedia aos seus caprichos principalmente de adolescentes, como eu não tive, toca de lhe dar tudo o que pediam. Tive sorte, nunca me deram problemas de maior, o mais velho seguiu a carreira militar o mais novo seguiu designer gráfico, ambos estão bem, felizmente, talvez sorte, talvez brio na sua existência, vamos lá saber.
Que fizemos nós como povo para a solidificação do nosso país, pouquíssimo, vivemos acomodados à sombra de subsídios da CEE, durante duas décadas. Subsídios esses que serviram para tudo, e não falo das infra-estruturas necessárias para o desenvolvimento do mesmo, essas foram feitas, agora o uso que se lhe deu, duvido que seja o mais adequado, falo dos milhões que foram decapitados em cursos de formação profissional, sem futuro algum, a titulo de exemplo estou-me a lembrar de um curso que alguém da minha família tirou, onde aprendia nada mais nada menos que a real arte de criar minhocas em viveiro, em empresas que a sua viabilidade era tão reduzida que só existiram nos anos obrigatórios para receber esses subsidio. Aqui no Alentejo, em subsídios para a agricultura que ainda hoje reclamam, que tinham como objectivo criar uma planície de pasto para gado, e de a povoar de bons jipes e boas piscinas.  Os nossos jovens investiram em cursos na maioria das vezes sem saída profissional possível, num país tão pequeno, investiu-se nos cursos superiores quando se devia ter investido na formação profissional séria e de futuro, onde já se viu tantos doutores e engenheiros, passou-se a ser um país de doutores e a massa produtiva onde está,  não me alongo mais, muito há a dizer sobre o tema, obrigado pela reflexão, beijinhos


Antónia Ruivo
« Última modificação: Junho 13, 2009, 15:32:32 por Antonia Ruivo » Registado

A vida é uma constante procura cabe a cada um facilitar essa jornada
josé antonio
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« Responder #7 em: Junho 13, 2009, 18:33:25 »

Olá Antónia Ruivo,

O seu sorriso amarelado tem toda a razão de existir perante tanta hipocrisia e cinismo a que estamos sujeitos.
Pior que tudo é que agora, com toda esta miséria em cima dos mais desfavorecidos e não só, os gurus que ganham milhares nas televisões para comentar o incomentável, e revistas de gestão, admitem como benéfica esta crise, para proporcionar a criatividade e inovação, para a pseudo criação de postos de trabalho mas para a realidade de estarem a cair no bolso de quem nunca soube nem usou honestidade e continua a desempregar e fechar, sem qualquer controlo.
É isto que temos, castigo, maldição?
Talvez o sono da falta de valores morais e não só desperte e voltemos a ser gente, como semelhantes que devemos ser...
Grande abraço
José António
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« Responder #8 em: Junho 20, 2009, 07:55:47 »

Talvez se a crise proporcionasse também um acréscimo de criatividade e inovação nos que ficam ao leme da Nação o resultado fosse melhor...
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« Responder #9 em: Agosto 23, 2009, 21:25:53 »

Qual crise qual carapuça! Enquanto mais de metade dos portugueses estiverem obesos não há crise! Qual crise, qual carapuça!? Afinal, o Estado dá casas, há os bancos da fome, os subsídios, dão seringas aos drogados, etc!
Crise? Não. Apenas uma fase de adaptação. Viver é fácil, difícil é respirar!
É crise ser doutor e estar desempregado? Então para que serviu o estudo? Não é capaz de montar uma empresa no mercado global? Não se deve dizer mal dos patrões. Cada um de nós pode ser um..... ou não pode?
Ao fim e ao cabo a necessidade aguça o engenho. Engenho não falta aos portugueses! Basta ver o engenho de um que foi engenheiro a um Domingo!
Com o fim da crise, a outra metade dos portugueses não tarda a engordar!
Cumprimentos do Figas (um má língua)

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« Responder #10 em: Agosto 26, 2009, 01:55:07 »

O nosso engenho anda a faltar-nos! Deve ser da abundância de engenheiros! rs...
Qual crise?
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pedrojorge
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« Responder #11 em: Dezembro 04, 2009, 18:20:15 »

A crise está na moral de cada pessoa e na falta de liberdade que todos continuamos a consentir.
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« Responder #12 em: Janeiro 07, 2010, 17:55:08 »

Pior é a tendência de alguns acharem que moral exigida e exigível é só para alguns ... outros. Undecided
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Boa noite! Estamos a fazer manutenção ao site, daí a janela de conversação ter ficado vazia.
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