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Textos => Prosa Restante => Tópico iniciado por: CAMPISTA CABRAL em Maio 18, 2019, 19:24:16



Título: NÃO EXISTEM MAIS HERÓIS
Enviado por: CAMPISTA CABRAL em Maio 18, 2019, 19:24:16
Não Existem mais heróis…

Estes, ficaram em fotos, figuras coloridas ou desbotadas, ficaram nas páginas de um livro velho, ou então, são relembrados de maneira torpe e fragmentada por aqueles que contam histórias antigas, mas têm já uma memória vaga das coisas.

Hoje, o tempo é de homens perversos. Tempos de perversidade!

Hoje, o tempo é de guerra e divisão, de discurso copiado na rede e de arma na mão!

Hoje é o tempo de imbecis! É o tempo do fim da nação!

Nas fronteiras do mundo, homens rasgados, mulheres cortadas, crianças interrompidas tentam fugir do caos.

No entanto, apenas prolongam a agonia do desterro…

Não existem mais heróis.

Estes, enganaram a troco de pouco, por trinta moedas ou menos…

Hoje, o tempo é de muros mais altos, dedos em riste, cercas e arame farpado.

É o tempo do discurso do ódio, da banalização da morte e da miséria, da mediocridade como solução!

Não existem mais heróis nem cavalos pra montar.

Não existe mais o final feliz, não há mais aprendiz. O que há é a marca. O que fica é a cicatriz!

Hoje, o tempo é de revolver cascalhos, olhar os escombros, contar os mortos…

É o tempo de filósofos desbocados, de agressivos comentários, de loucos pra todos os lados!

É o tempo dos flagelados, dos desnudados, dos milhões de desempregados…

Não existem mais heróis…

E já já não existirão mais poetas.

Haverá a necessidade de expulsá-los porque teimam frequentemente em pensar, porque teimam absurdamente em enxergar…

Mas isso tudo não importa, pois as pessoas já não pensam e não enxergam…

Nas fronteiras do mundo, a despeito da dor, bandeiras continuam delimitando espaços, marcando territórios, desumanizando vidas…

As ideologias, rotas e desfiguradas, ainda teimam em dizer o que é bom é o que não é.

Ainda fazem pessoas saírem de suas casas.

Ainda fazem ver o outro como inimigo.

Nas fronteiras do mundo, duas bandeiras se misturam, se interpenetram, mas não se fundem, ao contrário, criam um vazio, uma incógnita…