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Textos => Pensamentos => Tópico iniciado por: carlossoares em Novembro 02, 2019, 14:50:49



Título: Fugir ao destino Big bang
Enviado por: carlossoares em Novembro 02, 2019, 14:50:49
Será que podemos fugir ao destino?
O destino, por natureza, é triste e, muitas vezes, trágico.
Não precisamos de ser muito sábios para constatarmos a realidade do destino.
Tudo isto é fado, tudo isto é triste, ou, tudo isto é triste, tudo isto é fado.
Não se trata de optimismo ou de pessimismo.
Optimismo ou pessimismo, cada um toma o que quer.
Talvez nenhuma espécie, como a humana, viva o dilema e o problema de as coisas não terem de ser como são, mas serem como são, apesar de não deverem ser como são.
Volto ao princípio: será que podemos fugir ao destino?
Tudo indica que sim e tudo indica que não.
O big bang pode ser entendido como uma fuga ao destino. No entanto, cumpriu o destino. E, assim, tem sido ao longo de milhões e milhões de anos.
Nos últimos séculos, os registos históricos revelam que a humanidade tem estado tão obcecada a fugir ao destino, que quase não tem tempo nem disponibilidade para mais nada. E, assim, cumpre o seu destino de fugir ao destino.
Inventa-se tudo, pensa-se em tudo, sacrifica-se tudo, faz-se tudo, para escapar ao destino.
Mas o destino é cada vez mais destino.
Sem querer ser "totalitário", diria que todas as revoluções, toda a discussão e dialéctica entre o bem e o mal, toda a cultura e todas as guerras, quiseram moldar o destino e conseguiram-no.


Título: Re: Fugir ao destino Big bang
Enviado por: Dionísio Dinis em Novembro 10, 2019, 19:04:38
E não poderemos nós forjar um não-destino, um ponto imaterial de fuga e reencontro? Não detemos nós o poder de fintar e trocar as voltas ao fado e às variações do mesmo?
Afinal, reflexão e acção são o melhor desiderato para lidarmos com as imponderabilidades do destino.


Título: Re: Fugir ao destino Big bang
Enviado por: carlossoares em Novembro 11, 2019, 10:43:07
O homem, desde os primeiros artefactos, da reprodução de animais e da agricultura, percebeu que, de algum modo, podia tomar conta do destino, usando as "leis da natureza", o determinismo inelutável do "comportamento" da matéria, para os fins que lhe interessavam. Mas há outras condições, produzidas pelo homem, para além das materiais, que podem ser fortemente determinantes da vida das pessoas. Em ambos os casos o problema é escapar às consequências ou efeitos das condições. De um modo passivo ou de um modo ativo. Mas as consequências ou efeitos podem ser mais ou menos da responsabilidade do indivíduo. Nem todos estão nas melhores condições para torcer os determinismos a seu favor e, ao fazê-lo, as consequências disso podem não ser algo de inócuo, para si e para os outros. O que não nos é dado escolher, enquanto vivos, é "nada fazer", por pouco que seja, porque somos organismos vivos. Quanto mais opções e alternativas e possibilidades de escolha, de fazer e não fazer, tivermos, como indivíduos e como grupos sociais, maiores e melhores serão as perspetivas de fazermos o destino que, assim, deixaria de chamar-se destino.


Título: Re: Fugir ao destino Big bang
Enviado por: margarida em Novembro 11, 2019, 11:33:39
Já acreditei no destino, já desacreditei... Hoje não sei bem... Mas gosto de ler o que se escreve sobre isso. Em particular, do Carlos.