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Autor Tópico: Romance - O POETA DA LUA parte 3  (Lida 1136 vezes)
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António Casado
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« em: Dezembro 10, 2013, 01:07:19 »

Romance O Poeta da Lua capítulo 1 - tomo 1 pagína 7 a 14

A verdade vestia aquelas palavras sinceras e moderadas. A vontade de saber, de aprender, perdera-a algures num ninho de pintassilgos entre uma √°rvore e outra fora do recinto da escola.
- Faz um esfor√ßo, s√≥ um! ‚Äď Implorou a m√£e. ‚Äď irei esfor√ßar-me para que te sintas melhor. Mas antes de te deitares aviso-te: Se o teu comportamento n√£o mudar farei o que te disse. S√≥ quero o melhor para ti, filho.
Deitou-se. Não conseguia dormir. A realidade acentuada pela mãe inquietava-o. Apercebeu-se que deixara pelo caminho os objectivos. Não eram muitos… eram os seus! O prazer de escrever definhara num mar sem tempo onde corria de um lado para o outro à procura de não ter tempo para pensar, para julgar, para sofrer. O convívio com a madrasta assumia um aspecto vampírico e atormentava-o como se uma terrível ave de rapina o perseguisse e lhe retirasse a oportunidade de fugir. Ir para casa do pai? Impensável! Ela odiava-o! De uma coisa tinha a certeza nunca mais teria paz. Neste momento estavam em causa os cacos do que fora a família.
A partir desse dia come√ßou a escrever notas em peda√ßos de papel. Quando sa√≠a deixava-os sobre a pequena mesa no √°trio de entrada. Entre os textos sobressa√≠a de forma continuada a mensagem ‚Äúnunca serei um farrapo‚ÄĚ! O comportamento alterou-se. Passou a frequentar as aulas embora nunca mais conseguisse ser o aluno que fora. O desinteresse apegara-se √† pele como lepra e n√£o permitia que a cura triunfasse. Acabou por completar o Ciclo Preparat√≥rio em 1973 com m√©dias inferiores √†s que habituara m√£e e professores.
Contra todas as expectativas entrou para a Escola Comercial e Industrial de Set√ļbal com treze anos. Um edif√≠cio enorme na baixa da cidade com longos corredores altos caiados de branco. Cada um deles com v√°rias salas de aula. Fascinava-o o √°trio! Uma pintura frente √† porta de entrada representava algumas figuras hist√≥ricas quinhentistas. Reconhecia Trist√£o da Silva, D. Henrique, Vasco da Gama entre outros. Refer√™ncias mar√≠timas de um pa√≠s expansionista. Tamb√©m l√° estava o astrol√°bio a fazer men√ß√£o ao desenvolvimento da matem√°tica e das ci√™ncias n√°uticas‚Ķ Um expoente da sabedoria portuguesa! Detinha-se muitas vezes diante daquele colorido painel e sonhava com viagens e naus‚Ķ
Determinou prioridades temendo uma atitude da mãe. Os antigos amigos assediavam-no, mas recusava-os. Fez novas amizades com as quais partilhava os estudos. O restante tempo dedicava-o a si. Desta vez escutar as matérias nas aulas não era suficiente. Alguns momentos traziam-lhe o desencanto da tristeza como se o fracasso do presente o dominasse e impedisse de ir mais longe impondo barreiras invisíveis e intransponíveis. A vontade de fazer melhor, a certeza de não se sentir motivado, exasperava-o. A luta entre querer e não querer era desgastante!
Leonardo era um aluno mediano e ass√≠duo. Tal como ele tinha poucos amigos. Via-o quase sempre s√≥ a deambular pelos corredores. Apesar de os colegas comentarem que era uma pessoa af√°vel, de sorriso nos l√°bios, terno e sincero, parecia-lhe um √°rido deserto. Lembrava-lhe uma linda flor plantada no cimo de um pr√©dio de cimento. Ignorava o que o levou a aproximar-se mas sentia-se aconchegado por aquele temperamento vulc√Ęnico e delicioso. Era um mo√ßo alto, forte, um ano mais velho, de curtos cabelos negros e olhos da mesma cor. As m√£os sapudas davam-lhe a impress√£o de tenazes macias e quentes. Quando havia intervalos entre as aulas sa√≠am da escola e passavam pelo jardim municipal, o Bonfim, o antigo campo do ‚ÄúAnjo da Guarda‚ÄĚ como o denominavam; o ‚Äúex libr√≠s‚ÄĚ da cidade de Set√ļbal determinado em 1939. Ao fundo daquele arborizado espa√ßo a Ermida do Senhor Jesus do Bonfim, chamada inicialmente ‚ÄúErmida do Anjo da Guarda‚ÄĚ fundada pelo padre Diogo Mendes em 1669. Passavam depois pelo est√°dio do Vit√≥ria de Set√ļbal inaugurado a 16 de Setembro de 1962 com a colabora√ß√£o dos moradores e comerciantes ‚Äď sempre foi um sonho da popula√ß√£o ter um Clube Desportivo representativo da cidade. Dos desentendimentos do primeiro grande clube de futebol ‚ÄúBonfim Foot-Ball Club‚ÄĚ fundado em 1908 e da alian√ßa com o primeiro grupo de destaque o ‚ÄúSetubalense Sporting Club‚ÄĚ, que envergava a camisola √†s riscas verdes e brancas, fundado em 1910, nasceu a 5 de Maio de 1911 o clube ‚ÄúVit√≥ria Foot-Ball Club‚ÄĚ que passou a funcionar no Pal√°cio Salema na Rua do Bocage. O est√°dio estava situado inicialmente no ‚ÄúCampo dos Arcos‚ÄĚ. S√≥ em Junho de 1912 √© que ‚ÄúVit√≥ria‚ÄĚ apresentou ao p√ļblico pela primeira vez as camisolas que ainda hoje mant√©m.
Subiam at√© ao Liceu Nacional de Set√ļbal e cortavam pelas traseiras. Uma extensa propriedade inculta, recheada de matos e canaviais estendia-se at√© √† Estrada da Baixa de Palmela. Conheciam bem aquele s√≠tio. Esgueiravam-se por uma brecha aberta no canavial e sentavam-se junto ao ribeiro de √°gua doce e transparente que corria por entre as pedras. Era o esconderijo do resto do mundo onde se sentiam libertos de tudo e todos. Viviam a proximidade com a natureza e uma liberdade sem limites. Falavam de tudo o que lhes vinha √† cabe√ßa. Riam, choravam, preocupavam-se‚Ķ tudo ali, junto √† serenidade mansa da √°gua. Naquela tarde quente de Abril tamb√©m. Ainda se fazia sentir um pouco a aragem fria de Mar√ßo que abandonara o poleiro h√° tr√™s dias. Deitaram-se num peda√ßo de areia branca junto ao riacho. Alexandre deitou a cabe√ßa sobre os bra√ßos cruzados e olhou a pequena nesga de c√©u por entre as folhas compridas, verdes e vi√ßosas das canas. Leonardo ficou ao lado, virado para ele, apreciando a sua viagem pelo sonho. Um sil√™ncio tranquilo envolveu-os. O mist√©rio daquele recanto transmitia-lhes sensa√ß√Ķes de placidez e repouso. Leonardo com a m√£o alisava a areia enquanto Alexandre galopava nas asas de um poema por escrever.
Alexandre despiu o casaco e colocou-o sob a cabe√ßa fazendo de travesseiro. O corpo envolvido pela camisa era atraente. Os tra√ßos firmes despertavam em Leonardo sensa√ß√Ķes de bem-estar.
- Gosto de estar aqui. ‚Äď Confidenciou Leonardo que continuou a apanhar gr√£os de areia com a ponta dos dedos e, erguendo o bra√ßo, deixava-os cair no ch√£o.
Alexandre não respondeu, nem quando o braço esticou um pouco e alguns grãos secos e frescos lhe agraciaram o peito. Leonardo continuou com os desenhos, agora sobre o ventre do amigo como se de uma mensagem se tratasse.
- Posso chamar-te Alex? ‚Äď Perguntou-lhe.
Sorriu. Porque n√£o? Era muito mais pr√°tico.
- Podes.
A m√£o sapuda repousou sobre o peito e delicadamente afastou a areia com movimentos tranquilos e suaves. Alex anu√≠a com um sorriso √†s brincadeiras. Fechava os olhos e lia os movimentos das pontas dos dedos sobre a camisa. Leonardo dobrou-se sobre ele e beijou-o no pesco√ßo. N√£o se moveu. Soube o que o amigo procurava com aquele gesto quente e gracioso que o deliciou; estava disposto a deix√°-lo caminhar, ir at√© onde quisesse. A inexperi√™ncia de qualquer acto sexual impedia-o de tomar uma postura. Sabia que estava prestes a ter uma experi√™ncia e isso n√£o o desagradava. A curiosidade de sentir outra pessoa toc√°-lo superava qualquer medo ou repulsa. At√© a√≠ o √ļnico prazer que conhecia era a masturba√ß√£o que praticava na banheira mergulhado na √°gua quente, ou na cama enrolado nos cobertores. J√° se surpreendera nalgumas manh√£s quando ao acordar notava que estava molhado. √Ä pressa tentava limpar-se com vergonha que a m√£e reparasse nalguma coisa e se enfurecesse. Incomodava-o as erec√ß√Ķes matinais principalmente quando Maria dos Anjos o destapava depois de ter inventado mil argumentos para n√£o sair da cama.
Neste momento era a mão de Leonardo que desabotoava a camisa e como esponja a rolava devagarinho sobre a pele palpando os mamilos erectos. Os olhos mantinham-se cerrados à vida que os rodeava e como alguém que passa uma fronteira virtual visualizava as ondas de prazer que cresciam e o estimulavam. Os lábios quentes e rosados do amigo sorviam o calor da pele enquanto a língua acariciava o peito e o externo, de cima para baixo, até se perder no pescoço, subir pelo queixo e deter-se entre os lábios secos de excitação. Era a primeira que o beijavam nos lábios. Estranho, mas não repulsivo. Continuava inerte diante dele, às portas de um prazer desconhecido esperando que elas se abrissem e lhe contassem todos os segredos do mundo. A mão passava agora pelas calças apertando o vulto quase erecto. Com os dedos correu o fecho e as cuecas brancas surgiram como que por magia expondo diante dos olhos sequiosos todo o volume oculto. Alex levantou a cintura e as calças desceram até aos joelhos. As cuecas acompanharam-nas. Quando a areia fria se fez sentir no traseiro estremeceu. Os dedos do amigo seguraram o instrumento de prazer e massajaram-no até o sentirem firme.
- Posso brincar com ele? ‚Äď Perguntou Leonardo com a respira√ß√£o ofegante e os olhos brilhantes.
Alex acenou com a cabeça. Enquanto a língua descia pelo umbigo e a boca recolhia o pénis Leonardo ia-se despindo cada vez mais louco e transpirado de tesão numa descontrolada vontade de ser possuído, de gozar, de viver o prazer que a mente projectava na película dos sentidos.
- Gosto de ti. ‚Äď Segredou-lhe Leonardo ao ouvido.
Uma eterna can√ß√£o faminta de sensa√ß√Ķes bradava dos c√©us e a ladainha do desejo ensaiava ecos de harpas pelas canas verdes. Os l√°bios voltaram a ro√ßar-se. Os sapatos foram expulsos dos p√©s; a roupa atirada para o lado deixando-os nus da cintura para baixo.
- Levanta-te…


O Poeta da Lua
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Boa noite feliz para todos.
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Boa tarde!
Novembro 29, 2019, 17:35:53
Boa tarde a todos!
Novembro 12, 2019, 18:18:18
um abraço para a administração, para quem dinamiza este espaço, seja como escritor, como leitor, como comentador.
Novembro 12, 2019, 18:15:54
margarida, plenamente de acordo.
Novembro 11, 2019, 11:31:31
Bom dia. Se todos fizerem igual, n√£o h√° coment√°rios.
Novembro 09, 2019, 14:53:10
Oi Dion√≠sio. Obrigado pelo teu coment√°rio. Desculpa eu ser relapso a fazer muitos coment√°rios. Evito-os, para n√£o  louvar uns ou criticar outros. Prefiro ficar na minha, ficar no que me parece. O meu principio geral: escrever, quem l√™ l√™, quem n√£o l√™ n√£o l√™. Ponto. Leio poesia d'outros, m
Novembro 01, 2019, 14:41:40
Boa tarde  todos. Os que est√£o e os que vir√£o.
Outubro 31, 2019, 14:58:38
Parabéns, Figas. Parabéns a todos os que lêem e que escrevem, parabéns a todos os que partilham escritas e comentários.
 
Outubro 10, 2019, 12:24:06
Bom dia. Hoje, andaei a pastar pelas 351 páginas da poesia e encontrei 32 poemas meus, milionários de leituras. com média de 1209 leituras cada. Obrigado a todos os meus contribuintes de lucros poéticos. FigasAbração, a todos. Nota: O Campeão é o Linguagem Decente, com 3692 leituras.Viva a D
Julho 29, 2019, 22:55:56
Olá para todos! Boas histórias e boas escritas!
Julho 02, 2019, 07:05:22
Bom dia!
Junho 28, 2019, 14:37:28
Boa tarde. Hoje, apeteceu-me saudar todos os que aqui tentam p√īr arte na pena. Figasabra√ßo
Maio 18, 2019, 19:22:13
Ol√°! Boa leitura e boa escrita para todos!
Maio 01, 2019, 17:26:47
Boa escrita e boa leitura para todos!
Março 30, 2019, 10:37:35
Boas leituras e boas escritas para todos!
Janeiro 27, 2019, 19:36:43
Boa noite feliz para todos.
Janeiro 11, 2019, 09:21:27
Ol√° para todos!
Dezembro 24, 2018, 21:55:27
Boas Festas.
Novembro 03, 2018, 14:19:38
Claro que sim, Mateus. Vamos lá puxar pelos neurónios?
Novembro 01, 2018, 18:36:27
Ol√° para todos!
Novembro 01, 2018, 15:51:21
A ideia com que fiquei em conversas, era a de que se pretendia fazer, uma sequela do "esfaqueador". Agora estou baralhado.
Outubro 31, 2018, 18:31:48
Temos um tópico em aberto "sem título". Podem entrar. A ideia é fazer algo ao jeito do Esfaqueador da Régua. Estão convidados!
Setembro 12, 2018, 14:34:00
Esfaqueador da Régua, aqui nascido, terá o seu lançamento na Feira do livro do Porto, dia 21 de Setembro.
Julho 04, 2018, 13:54:05
Bom dia.
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