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Autor Tópico: O POETA DA LUA - Tomo 1 - p√°gina 14 A 16  (Lida 2181 vezes)
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António Casado
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« em: Dezembro 11, 2013, 21:36:14 »

Alex levantou-se. De joelhos enterrados na areia segurou-lhe as ancas e puxou-o para si. A boca aspirou aquele bocado de carne cada vez mais excitado e molhado. A l√≠ngua passou de mansinho pela glande avermelhada enquanto Alex libertava suspiros de um prazer desconhecido que o fazia vibrar dos test√≠culos √† mente e o absorviam num todo descomunal e potente. Leonardo pediu-lhe que ficasse de joelhos. Virou costas ao companheiro e encostou-se tanto quanto p√īde. Segurou no sexo hirto como as canas que os rodeavam e protegiam e encostou-o ao √Ęnus que fervia na urg√™ncia da introdu√ß√£o. Alex mecanicamente empurrou as ancas para a frente e o p√©nis entreteve-se a ocupar o amigo que gemia vestido com a roupa de uma loucura insana, de um desejo crescente e envolvente. Passados alguns instantes sentiu-se h√ļmido. Alex derramara dentro de si o resultado das sensa√ß√Ķes que lhe provocara.
- Fica mais um pouco dentro de mim‚Ķ   
Alex segurou-o pelas ancas e com força encostou-se às nádegas de Leonardo que se masturbava enquanto o instrumento de prazer ainda erecto se entretinha a vibrar dentro dele. Ouviu-o gemer com maior intensidade e sobre a areia algumas gotas de esperma foram derramadas.
- Adorei! ‚Äď Disse virando-se para Alex e beijando-o.
N√£o respondeu. Vestiram-se. Tudo aquilo era novo para Alex. Algo dentro de si parecia gritar de emo√ß√£o. A sensa√ß√£o de j√° n√£o ser virgem fazia-o sentir-se mais homem: o reconhecer que era desejado alegrava-o. Fora a experi√™ncia mais maravilhosa que acontecera na vida, tinha disso a certeza. Era um segredo que n√£o revelaria a ningu√©m, excepto ao Leonardo. O grau de intimidade que tudo aquilo lhe transmitira fizera crescer dentro dele um maravilhoso sentimento de posse como se o corpo do amigo lhe pertencesse, estivesse √† sua disposi√ß√£o e ele √† de Leonardo. A partir dali n√£o havia necessidade de quaisquer segredos principalmente dos mais √≠ntimos; podiam falar a s√≥s de todos os assuntos inclusivamente dos que respeitassem ao sexo. Ali√°s seria a √ļnica pessoa com a qual falaria sobre isso j√° que nunca ouvira comentar nada sobre o assunto nem entre adultos, nem na escola‚Ķ Era como se o sexo n√£o existisse. Talvez o sexo fosse uma coisa da qual s√≥ se pudesse falar de uma pessoa para outra. N√£o entendia o porqu√™ da vergonha mas era a √ļnica conclus√£o a que chegava. Nem os casais abordavam a quest√£o sexual. A sensa√ß√£o de um pecado inocentemente cometido, o pre√ßo a pagar pela absolvi√ß√£o, a necessidade de narrar o porqu√™ do pedido de absolvi√ß√£o levava a que optassem pelo sil√™ncio. O sexo representava o enigma de um tabu. As opini√Ķes dividiam-se: A igreja interpretava-o como uma forma pecaminosa de procria√ß√£o; para os homens e mulheres comuns era uma demonstra√ß√£o de amor. Os religiosos recusavam qualquer rela√ß√£o sexual cujo objectivo fosse exclusivamente o prazer. Esse era um privil√©gio das prostitutas e das mulheres de mau porte. √Ä mulher como usufruto do homem restava-lhe a inac√ß√£o. O apelo do desejo que sempre motivou as rela√ß√Ķes humanas jamais poderia ser invocado por ela para justificar a sedu√ß√£o ou a vontade. O seu papel limitava-se √° satisfa√ß√£o das necessidades e caprichos masculinos. S√≥ ao homem era concedido o direito ao prazer. Para qu√™ falar de algo que s√≥ por si era vergonhoso?
- J√° tinhas feito isto com algu√©m? ‚Äď Perguntou Leonardo abotoando as cal√ßas.
Foi levado a dizer que sim. Admitir a virgindade era aflitivo. Como qualquer adolescente sabia que a virgindade era sin√≥nimo de infantilidade. Pensou evocar largos conhecimentos sobre sexo, contar abundantes experi√™ncias‚Ķ o olhar curioso, as ac√ß√Ķes paralisadas tra√≠am a causa.
 - N√£o! ‚Äď Foi a resposta poss√≠vel.
- Nem com mulheres? ‚Äď Insistiu Leonardo.
- Nunca imaginei fazer isto com mulheres…
Voltaram à escola. Dali em diante quando a ocasião proporcionava entregavam-se ao devaneio de um prazer que os fazia perder numa alucinação deliciosa.
Alex esfor√ßava-se por manter a rela√ß√£o √≠ntima que mantinha com o amigo. Temia que os colegas descobrissem. Compreendia agora porque se afastavam de Leonardo, porque teciam sobre ele maquiav√©licos coment√°rios, porque hipocritamente o toleravam. Nem era por conhecerem a realidade sobre a sua vida sexual mas pela suspeita de que podia ser ‚Äúmaricas‚ÄĚ. Junto dos colegas de turma aferia gestos, palavras, toques, ainda que subtis e impercept√≠veis temendo que algum percal√ßo o tra√≠sse e o segredo fosse revelado. Adoptou uma postura mais masculina, mais machista. Leonardo, na escola, era apenas mais um colega. O medo tinha garras de polvo! Como reagiria a m√£e se soubesse? Nem se atrevia a pensar! Para al√©m do desgosto de ter um folho com um defeito a frustra√ß√£o de n√£o o ter educado de forma a precaver-se contra este tipo de tenta√ß√Ķes. A m√£e nunca poderia saber! O mais certo seria envi√°-lo para o pai. Seria o objecto do esc√°rnio da madrasta e a vergonha do progenitor. Como a encararia a partir desse momento? Nem era este o √ļnico problema: Havia os vizinhos, os conhecidos, aqueles que o rodeavam. Se desconfiassem de alguma coisa fariam dele motivo de galhofa; p√ī-lo-iam ao rid√≠culo com palavrinhas sarc√°sticas como j√° vira acontecer no bairro com um dos rapazes que fora apanhado a fazer sexo com outro. Passaria a ser o motivo das anedotas do caf√©. Lembrou-se de um coment√°rio feito na catequese: ‚ÄúUm homem fazer coisas com outro homem √© pecado!‚ÄĚ Nunca entendeu aqui das ‚Äúcoisas‚ÄĚ mas assustava-o o panorama do inferno e do purgat√≥rio. Sabia que Deus, ou fosse quem fosse, n√£o perdoava tais lux√ļrias e que podia ser excomungado. Que aconteceria se o excomungassem? Deixaria de ser o Alexandre? N√£o sabia mas temia. Mais importante que tudo: Se lhe perguntassem se gostava de homens encolheria os ombros. N√£o sabia responder porque nunca tinha pensado nisso. O que conhecia at√© a√≠ era o prazer da masturba√ß√£o que tamb√©m era pecado como dissera o padre. A silhueta masculina dominava o desejo nessas alturas sem que o compreendesse. O prazer a dois que descobrira com Leonardo era novidade. Nada s√©rio. Apenas‚Ķ prazer. Um prazer que o fascinava e motivava a repetir; talvez mais como a pr√°tica saud√°vel de um desporto que se gosta e n√£o enferma. Como vantagem a gabarolice de contar algumas aventuras sexuais em segredo junto dos amigos substituindo o personagem dos desvarios por uma f√™mea. Como se sentia importante quando os colegas paravam para o ouvir contar as mais picantes aventuras!
Sonhava muitas vezes com rapazes mesmo antes de Leonardo ter aparecido. Conhecidos e estranhos povoavam o sonho e excitavam-no. Se as rela√ß√Ķes sexuais n√£o existiam no deleitoso sonho a sedu√ß√£o estava presente nos pequenos toques, nas poses, no prazer do conv√≠vio, como se um apelo lan√ßado por todos o impelisse ao bem-estar provocado pelo desejo. Quando isso ocorria acordava excitado e extasiado. Nunca confidenciara com ningu√©m tais situa√ß√Ķes. Eram √≠ntimas demais para partilh√°-las inclusive com amigos. Que pensariam dele? Dentro de si as quest√Ķes reproduziam-se como insectos √† beira de um riacho ais quais faltava alimento. Desconhecia onde procurar respostas. Se n√£o tinha a no√ß√£o de que isso pudesse ser um problema para qu√™ procurar uma solu√ß√£o? Os di√°logos mantidos com Leonardo n√£o ajudavam muito. Quando lhe perguntava porque fazia sexo com ele obtinha como resposta:
- Porque gosto.
Nem um nem outro se aceitavam homossexuais apesar de Leonardo aceitar que gostava de homens. Sentiam prazer m√ļtuo e por raz√Ķes inexplic√°veis praticavam-no. Apenas isso. Leonardo j√° tivera uma rela√ß√£o anterior com um homem mais velho. Tinha dez anos. N√£o contou a ningu√©m por vergonha. Se Alex o soube foi porque a continuada intimidade gerada pela rela√ß√£o o provocou. Pelo que narrara um adulto aproveitara-se de si, da ing√©nua curiosidade e violara-o. Sabia que ele tinha inocentes experi√™ncias com rapazes da sua idade e chantageava-o alegando contar √† m√£e as suas actividades. Tiveram rela√ß√Ķes sexuais algumas vezes at√© que Leonardo se afastou. O homem ainda o procurou mas fugiu. Aquela situa√ß√£o desagradava-o. Passou a procurar envolvimentos emocionais junto dos colegas de turma com idades semelhantes √† sua. Contou-lhe que um dia se apaixonou por um rapaz de outra turma, mais velho que ele. Algo estranho dentro de si levava-o a procur√°-lo e a querer estar junto dele. Foi mal interpretado quando lhe revelou o que sentia. Este reuniu cinco amigos, sem que o soubesse, e convidou-o a dar um passeio por S. Paulo, uma zona arborizada no sop√© da Serra da Arr√°bida. Foi. Chegados a uma clareira viu-se rodeado por todos aqueles rapazes. Entre gargalhadas e amea√ßas obrigaram-no a masturb√°-los urinando-lhe depois para cima. Nunca se sentira t√£o humilhado! Viu-os partir prostrado no ch√£o como v√≠tima do orgulho ferido e da dignidade despojada. Ficou arrojado sobre o tojo at√© anoitecer. O corpo exalava um odor imundo‚Ķ A alma estava destro√ßada de m√°goa‚Ķ!
- Que esquecer que tudo isso aconteceu… - Murmurava de permeio ao choro sobre o travesseiro.

O Poeta da Lua
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Goreti Dias
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« Responder #1 em: Dezembro 18, 2013, 13:50:29 »

Nem todos os homossexuais o são por terem sido violados. Espero que a continuação do romance nos não leve por esse caminho.
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Maria Gabriela de S√°
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« Responder #2 em: Mar√ßo 29, 2014, 18:16:55 »

Por que é que este senhor, que escreve tão bem não publica mais?
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Dizem de mim que talvez valha a pena conhecer-me.
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Boa noite feliz para todos
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Boa noite feliz para todos.
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Boa noite feliz para todos
Dezembro 01, 2019, 18:52:15
Boa noite!
Novembro 29, 2019, 20:32:37
Boa noite feliz para todos.
Novembro 29, 2019, 17:37:17
Boa tarde!
Novembro 29, 2019, 17:35:53
Boa tarde a todos!
Novembro 12, 2019, 18:18:18
um abraço para a administração, para quem dinamiza este espaço, seja como escritor, como leitor, como comentador.
Novembro 12, 2019, 18:15:54
margarida, plenamente de acordo.
Novembro 11, 2019, 11:31:31
Bom dia. Se todos fizerem igual, n√£o h√° coment√°rios.
Novembro 09, 2019, 14:53:10
Oi Dion√≠sio. Obrigado pelo teu coment√°rio. Desculpa eu ser relapso a fazer muitos coment√°rios. Evito-os, para n√£o  louvar uns ou criticar outros. Prefiro ficar na minha, ficar no que me parece. O meu principio geral: escrever, quem l√™ l√™, quem n√£o l√™ n√£o l√™. Ponto. Leio poesia d'outros, m
Novembro 01, 2019, 14:41:40
Boa tarde  todos. Os que est√£o e os que vir√£o.
Outubro 31, 2019, 14:58:38
Parabéns, Figas. Parabéns a todos os que lêem e que escrevem, parabéns a todos os que partilham escritas e comentários.
 
Outubro 10, 2019, 12:24:06
Bom dia. Hoje, andaei a pastar pelas 351 páginas da poesia e encontrei 32 poemas meus, milionários de leituras. com média de 1209 leituras cada. Obrigado a todos os meus contribuintes de lucros poéticos. FigasAbração, a todos. Nota: O Campeão é o Linguagem Decente, com 3692 leituras.Viva a D
Julho 29, 2019, 22:55:56
Olá para todos! Boas histórias e boas escritas!
Julho 02, 2019, 07:05:22
Bom dia!
Junho 28, 2019, 14:37:28
Boa tarde. Hoje, apeteceu-me saudar todos os que aqui tentam p√īr arte na pena. Figasabra√ßo
Maio 18, 2019, 19:22:13
Ol√°! Boa leitura e boa escrita para todos!
Maio 01, 2019, 17:26:47
Boa escrita e boa leitura para todos!
Março 30, 2019, 10:37:35
Boas leituras e boas escritas para todos!
Janeiro 27, 2019, 19:36:43
Boa noite feliz para todos.
Janeiro 11, 2019, 09:21:27
Ol√° para todos!
Dezembro 24, 2018, 21:55:27
Boas Festas.
Novembro 03, 2018, 14:19:38
Claro que sim, Mateus. Vamos lá puxar pelos neurónios?
Novembro 01, 2018, 18:36:27
Ol√° para todos!
Novembro 01, 2018, 15:51:21
A ideia com que fiquei em conversas, era a de que se pretendia fazer, uma sequela do "esfaqueador". Agora estou baralhado.
Outubro 31, 2018, 18:31:48
Temos um tópico em aberto "sem título". Podem entrar. A ideia é fazer algo ao jeito do Esfaqueador da Régua. Estão convidados!
Setembro 12, 2018, 14:34:00
Esfaqueador da Régua, aqui nascido, terá o seu lançamento na Feira do livro do Porto, dia 21 de Setembro.
Julho 04, 2018, 13:54:05
Bom dia.
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