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Autor Tópico: Sortil√©gio 27  (Lida 1556 vezes)
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gdec2001
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« em: Fevereiro 23, 2014, 16:05:44 »



Passados, porém, alguns momentos ela disse:
Façamos um juramento:
Jamais me interessarei por outro homem e tu jamais te interessar√°s por outra mulher.
O que é que entendes por interessar-se(?), disse ele .
Oh! N√£o. Voltamos a discutir?
Sempre, sempre. Mas juro ... que jamais me interessarei por outra mulher.
Ent√£o beija assim, os teus dedos. E com as m√£os fechadas uma ao lado  da outra, estendeu os indicadores, cruzou-os e beijou um e o outro .
E ele repetiu-a, rindo muito. Oh! Com quem aprendeste isto?
Vi na televisão. Mas apesar disso é para cumprir, ouviste.
Sim, sim.
Durante os próximos dias ele andou atarantado. Aquela revelação fora demasiado rápida para ele.
Ela, porém andava tranquila e feliz. Há muito tempo que se capacitara de que haviam nascido um para o outro. E nem ela sabia que, enquanto o concebera, a mãe dele só pensava nela.
E durante algum pouco tempo guardaram segredo. Não que tivessem qualquer receio da reacção dos pais dele e dela, mas porque entenderam que era um facto muito grande, demasiado grande para ser entendido por quem quer que fosse. Afinal era a vida deles, toda a sua vida. E da sua vida ninguém entendia nada senão eles. Era o que sentiam sem que, na realidade, pensassem nisto, nestes termos - mas não sei dizer melhor, o que se passava, efectivamente -.
Por√©m, a determinada altura, ficaram mais atentos ao que se passava √† sua volta. E repararam que havia muitos casais igualmente prendidos um ao outro. Que o seu caso n√£o era, assim, nada original. E n√£o ficaram tristes por isso. Antes satisfeitos, porque o fen√≥meno que os atravessava era, efectivamente um fen√≥meno humano e n√£o espec√≠fico deles pr√≥prios, como o haviam sentido ao princ√≠pio - sem que, por√©m, tivessem pensado nisso, desta maneira porque, √© claro que estavam fartos de saber que h√° uma determinada fase na vida em que geralmente, os homens e as mulheres se unem ligados, segundo geralmente julgam, por la√ßos indissol√ļveis. Enfim saber sempre haviam sabido que √© como √©. Mas sentir...era outra coisa.
Contaram ent√£o, cada um deles aos seus pais  - ele primeiramente √† sua m√£e e ela, primeiro, ao seu pai -  o que sentiam um pelo outro e todos se alegraram, principalmente a Ol√≠via que viu ent√£o que a sua m√° ac√ß√£o acabara por ter um resultado bom; como muitas vezes acontece, sempre que n√£o morre ningu√©m, pensou, porque a morte √© o mal total...
E querem ver que agora dei a pensar em verso!, continuou pensando -.
E a Adélia disse para o Mário: Estava escrito... ainda que em linhas tortas.
√Č mesmo, respondeu ele.
O Jos√© e a Elsa n√£o alteraram substancialmente o seu comportamento exterior, um em rela√ß√£o ao outro. Sabiam que a grande altera√ß√£o se dera na maneira de se encararem mas que, cada um deles, tinha de cumprir os requisitos da sua pr√≥pria exist√™ncia, como seres humanos bem integrados no momento em que viviam. Tinham de se alimentar e de se vestir e de se conformar em tudo o resto, com os demais homens e mulheres que faziam a sua vida sem se distinguirem aparentemente, uns dos outros, mais do que pelas suas pequenas idiossincrasias. Que desta maneira, a grande altera√ß√£o que se dera nas suas vidas era, pelos outros, encarada como um acontecimento normal, tal como eles pr√≥prios encaravam iguais transforma√ß√Ķes que aconteciam nas vidas daqueles que viviam √† sua volta.
Por√©m, quando se encontravam sozinhos tudo se modificava. Vivam com alegria, a verdadeira e falsa, mas inebriante, sensa√ß√£o de serem √ļnicos.
Estarem nus ou vestidos n√£o interessava, sen√£o pelo facto de melhor se acariciarem quando libertos dos revestimentos exteriores. E tudo lhes era permitido e de nada eram afastados pelas costumeiras raz√Ķes morais porque as sabiam origin√°rias de uma doutrina que odiava o prazer e, com isso, a vida - a √ļnica realidade, verdadeiramente sagrada, que conheciam.
Nenhum deles tinha experi√™ncia do acto sexual, propriamente dito, o que ambos bem sabiam, pois muito haviam falado disso, quando se consideravam como irm√£os. E continuaram assim, durante algum tempo. Verdadeiramente s√≥ se aperceberam do valor da altera√ß√£o, quando ela, durante uma c√≥pula que aconteceu, quase que por acaso, deu um grito de dor e de j√ļbilo e depois -  bastante depois - ambos desfaleceram de prazer.
Mas por diversas raz√Ķes, que nunca explicitaram, n√£o se davam muito a esta forma de prazer. Talvez porque o achassem demasiado total e eles temessem embot√°-lo, naquela idade. Talvez porque tivessem encontrado outras formas de usar o seus corpos para obter sen√£o um prazer t√£o completo, pelo menos alguns, n√£o menos refinados. Talvez, principalmente, com o medo de terem filhos e n√£o lhes fazer nenhum jeito estarem a calcular quando podiam  ou n√£o podiam ter rela√ß√Ķes sexuais.
Mas, verdadeiramente sexual, eram, agora, todas as suas rela√ß√Ķes, mesmo as discuss√Ķes mais intelectualizadas. Tal como espiritual, era tamb√©m tudo o que sentiam mesmo o entumecimento do membro viril e o arrebitar dos mamilos dela.
Porque, na realidade tudo neles, era o mesmo, corpo e espírito, corpo e alma, corpo e intelecto, corpo e corpo, espírito e espírito, alma e alma, intelecto e intelecto.
Como é assim com todos os jovens apaixonados.
Isto digo-o eu, assim, porque sou escritor... v√° l√°. Mas eles nunca assim o pensaram porque n√£o davam palavras aos seus sentimentos, parecendo-lhes que, com isso, os depreciariam. E tinham raz√£o.
Mas como é que há de um homem descrever os sentimentos, senão com palavras? Por isso eu tenho de utilizar palavras ainda que bastante ...esquerdas e, principalmente, insuficientes.
Continuemos, pois :
Nos primeiros dias depois daquela revela√ß√£o, os nossos her√≥is, quando ficavam juntos e sozinhos, esqueciam-se, por vezes, de comer, de ir √†s aulas ou de qualquer outra tarefa que tivessem de fazer mas, em breve, se capacitaram de que n√£o podia ser assim. Tinham de adaptar estas novas rela√ß√Ķes com as suas antigas rela√ß√Ķes, com as suas antigas obriga√ß√Ķes e at√© com os seus antigos prazeres, porque as suas novas rela√ß√Ķes n√£o eram, evidentemente, uma forma de empobrecimentos das suas personalidades: antes, o contr√°rio.
Assim era que não gostavam menos dos seus pais e dos seus restantes parentes e amigos, nem haviam deixado de interessar-se por conhecer coisas novas, admirar as velhas e novas belezas e ocupar-se até dos entretenimentos simples que a vida lhes propiciava.
Acrescia que não tinham ainda alcançado aquela relativa independência que se obtém quando se ganha o suficiente para viver.
Assim ela dizia: Logo que esteja formada emprego-me e então poderemos viver sós, à nossa vontade.
Sim; quando eu estiver também formado.
N√£o sabia que agora eras machista.
Sabes que n√£o √© por mim que falo mas pelos meus e pelos teus pais e pelas restantes pessoas das nossas rela√ß√Ķes, algumas das quais ficariam bastante escandalizadas se eu passasse a viver √† tua custa.
Tens toda a raz√£o; n√£o devemos escandalizar as pessoas de quem gostamos.
Admiro-me como concordaste, com tanta facilidade.
Eu concordo sempre que tens razão, é claro. Tu é que não.
√Č para te fazer zangar.
Bem sei, bem sei, querido tonto.
Oh deuses! L√° est√° ela a concordar outra vez. Que fazer ?
Aguentares-te, como desde que nos conhecemos. Lembras-te de me conheceres?
√Č claro que n√£o. Conhe√ßo-te desde sempre. Desde o in√≠cio dos tempos. Tu √©s eu; eu sou tu. Pelo menos assim o espero.
Sim, sim.
Sim, sim .
Não faças troça.
Ent√£o, agora sou eu que n√£o posso concordar contigo.
Nunca, nunca...
Deixemos, por√©m estas jovens personagens pois corremos o risco de nos tornarmos lamechas como elas, visto que est√£o apaixonadas e em tal estado todos somos lamechas ou rom√Ęnticos, que √© apenas uma forma de dizer a mesma coisa, tendo bem em aten√ß√£o que n√£o √© apenas por uma mulher que podemos estar apaixonados mas sim por qualquer objecto que se possa transformar numa ideia porque a paix√£o √© o amor por uma ideia. Por isso √© que a paix√£o √© t√£o absurda  - digamos assim, sem medo das ideias, que gostam √© claro, de ser amadas -  visto que o amor exige a posse...f√≠sica e, √© evidente, n√£o se pode possuir fisicamente uma ideia.
√Č claro que as nossas personagens n√£o est√£o apenas apaixonadas, amam-se tamb√©m, embora se contenham...bastante.
Voltaremos pois a elas quando puderem esquecer, um pouco, a sua paix√£o.
Mantemo-nos porém, na observação de algumas das personagens principais.

Geraldes de Carvalho
 
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Geraldes de Carvalho
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Goreti Dias
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« Responder #1 em: Fevereiro 23, 2014, 20:05:46 »

Jamais?! Ui... no que isso vai dar!
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margarida
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« Responder #2 em: Fevereiro 25, 2014, 10:56:39 »

Foi bom saber que apesar de ser ficção ainda há quem acredite no para sempre. Wink
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Boa noite feliz para todos.
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Boa tarde a todos!
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um abraço para a administração, para quem dinamiza este espaço, seja como escritor, como leitor, como comentador.
Novembro 12, 2019, 18:15:54
margarida, plenamente de acordo.
Novembro 11, 2019, 11:31:31
Bom dia. Se todos fizerem igual, n√£o h√° coment√°rios.
Novembro 09, 2019, 14:53:10
Oi Dion√≠sio. Obrigado pelo teu coment√°rio. Desculpa eu ser relapso a fazer muitos coment√°rios. Evito-os, para n√£o  louvar uns ou criticar outros. Prefiro ficar na minha, ficar no que me parece. O meu principio geral: escrever, quem l√™ l√™, quem n√£o l√™ n√£o l√™. Ponto. Leio poesia d'outros, m
Novembro 01, 2019, 14:41:40
Boa tarde  todos. Os que est√£o e os que vir√£o.
Outubro 31, 2019, 14:58:38
Parabéns, Figas. Parabéns a todos os que lêem e que escrevem, parabéns a todos os que partilham escritas e comentários.
 
Outubro 10, 2019, 12:24:06
Bom dia. Hoje, andaei a pastar pelas 351 páginas da poesia e encontrei 32 poemas meus, milionários de leituras. com média de 1209 leituras cada. Obrigado a todos os meus contribuintes de lucros poéticos. FigasAbração, a todos. Nota: O Campeão é o Linguagem Decente, com 3692 leituras.Viva a D
Julho 29, 2019, 22:55:56
Olá para todos! Boas histórias e boas escritas!
Julho 02, 2019, 07:05:22
Bom dia!
Junho 28, 2019, 14:37:28
Boa tarde. Hoje, apeteceu-me saudar todos os que aqui tentam p√īr arte na pena. Figasabra√ßo
Maio 18, 2019, 19:22:13
Ol√°! Boa leitura e boa escrita para todos!
Maio 01, 2019, 17:26:47
Boa escrita e boa leitura para todos!
Março 30, 2019, 10:37:35
Boas leituras e boas escritas para todos!
Janeiro 27, 2019, 19:36:43
Boa noite feliz para todos.
Janeiro 11, 2019, 09:21:27
Ol√° para todos!
Dezembro 24, 2018, 21:55:27
Boas Festas.
Novembro 03, 2018, 14:19:38
Claro que sim, Mateus. Vamos lá puxar pelos neurónios?
Novembro 01, 2018, 18:36:27
Ol√° para todos!
Novembro 01, 2018, 15:51:21
A ideia com que fiquei em conversas, era a de que se pretendia fazer, uma sequela do "esfaqueador". Agora estou baralhado.
Outubro 31, 2018, 18:31:48
Temos um tópico em aberto "sem título". Podem entrar. A ideia é fazer algo ao jeito do Esfaqueador da Régua. Estão convidados!
Setembro 12, 2018, 14:34:00
Esfaqueador da Régua, aqui nascido, terá o seu lançamento na Feira do livro do Porto, dia 21 de Setembro.
Julho 04, 2018, 13:54:05
Bom dia.
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