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Autor Tópico: Sortilégio 28  (Lida 1854 vezes)
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gdec2001
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« em: Março 01, 2014, 22:30:42 »



Mantemo-nos porém, na observação de algumas das personagens principais.

Para conhecer os filhos temos de conhecer os pais
Vejamos os pais do José.
A mãe do Mário, que se chamava Maria José, morreu.
Vivia lá, no Alentejo, viúva há alguns anos, num enorme monte que tinha uma muito boa casa .
Só depois de ficar viúva é que começou a dar-se melhor com o filho com quem ficara muito zangada quando ele abandonou os estudos e se tornou motorista.
A morte da mãe chocou muito o Mário, para grande surpresa dele que se julgava ofendido por ela ter estado vários anos, sem mesmo lhe falar.
Na verdade passou mesmo a ter pesadelos em que, sendo ele uma criança, ela lhe aparecia em contextos eróticos  que, quase sempre, o faziam acordar com o coração palpitante de angústia. Aquilo que sonhava era tão horrível que não se atreveria a contá-lo a ninguém e fazia por esquecê-lo muito rapidamente o que conseguia com facilidade. Alguns dias depois restavam-lhe apenas vagas reminiscências mas depois o pesadelo repetia-se.
Pouco a pouco foi-se, porém, transformando num sonho em que a mãe o tratava com ternura, coisa de que ele mal se lembrava que tivesse acontecido na realidade .
Sempre que o Mário, a Adélia e o José iam à aldeia da naturalidade dele, ainda em vida do Sr. José Bernardo, o pai do Mário, tinham de hospedar-se num hotel em Beja e, por vezes, apenas viam o velho pai, o qual aceitara com naturalidade a mudança de vida do Mário.
Mas quando o pai morreu a mãe mudou de comportamento como se a culpa da sua animosidade em relação ao filho fosse do marido.
 O Mário, porém, ofendido como estava, não encorajou a reconciliação. Falava-lhe, é certo, mas nunca mais a visitou.
Ela parecia não notar isso. Aparecia em Lisboa com frequência e criticava o facto de eles viverem numa casa pequena onde "ela mal cabia" embora tivesse ali um quarto só para si.
Quando nasceu o José, rendeu-se-lhe e nunca suspeitou sequer que não era verdadeira avó dele.
Cumulava-o de brinquedos e guloseimas mas para o filho e para a nora nunca trazia nada o que o Mário nem notava pois bem sabia que já passara, há muito, o tempo em que seria natural receber presentes dos seus pais.
Era uma mulher enérgica e activa e, mesmo quando o marido era vivo, era ela quem dirigia a propriedade.
O Mário ficou espantado com o dinheiro que ela acumulou.
A Alexandra sempre manteve com os pais uma relação normal, mas em vida, pouco mais recebera deles do que o Mário.
O Mário e a Alexandra dividiram entre eles o dinheiro deixado pela mãe e puseram a herdade à venda pois nenhum deles quis ficar a dirigi-la e também não quiseram vende-la a nenhum dos oportunistas que então se apresentaram para comprá-la a preço degradado.
O Mário manifestou alguma relutância em receber alguma coisa dos pais ainda que, na realidade, a propriedade viera à posse deles por herança paterna, quero dizer, dos avós paternos, mas foi a própria Alexandra quem lhe disse que não fosse tolo, pois que não tivera nenhuma culpa do desaguisado que houvera entre ele e a mãe.
A Alexandra deixou, imediatamente, de trabalhar ainda que tivesse ficado a receber apenas, uma pequena pensão de reforma.
O Mário e a Adélia não modificaram aparentemente a sua vida por causa da herança mas por essa mesma altura, ainda que por diferentes razões, a sua vida  mútua, digamos assim, enriqueceu-se extraordinariamente.
Na realidade estivera um tanto limitada pelos interesses que o Mário tinha fora de casa e, também pela ocupação da Adélia com os cuidados com o José.
É certo que esta ocupação já desaparecera há bastante tempo porque o José tornara-se desde cedo, um miúdo bastante capaz de ser independente ainda que gostasse de estar - mas apenas sentimentalmente, digamos assim - debaixo das saias da mãe. Na verdade fora a mãe quem, lutando contra a sua tendência de não o deixar crescer, decretara a sua independência porque o sentia capaz de enfrentar a vida.
Mas persistiu ainda, durante uns anos, a ligação do Mário à Maria Dulce, ligação essa que a Elsa desconhecia porque, na verdade, não queria saber pois bem sentia que a vida que o Mário pudesse ter fora de casa não punha a do lar em risco.
E, também, quem era ela para se zangar ?...
Desde porém que o Mário deixou de se encontrar com a M. Dulce, pouco a pouco, passou a ficar mais tempo em casa, onde arranjou um pequeno escritório e passou ali a trabalhar. É que só precisa de estar no lugar do serviço cerca de duas horas por dia.
A Adélia fica maravilhada pois muitas vezes sai de casa e deixa lá o Mário e quando volta lá o encontra.
Os cabelos dele estão menos abundantes do que antigamente e quase todos brancos, o que na opinião das mulheres lhe fica muito bem.
A Adélia engordou um pouco e, como não é alta, fica, agora, menos esbelta, mas ainda tão bonita como sempre. Continua a trabalhar na mesma fábrica e embora seja muito respeitada, não trepou tanto como merecia, na sua profissão, porque o lugar da chefia do escritório está ocupado por uma nora do antigo dono, agora mulher do novo. É que o Sr. Esteves morreu subitamente, ao que consta com um enfarto no coração.
O novo dono, também Esteves, filho do antigo patrão, é muito diferente dele. Respeita, rigorosamente, as leis do trabalho mas trata todos os trabalhadores de uma maneira indiferente e mesmo fria, olhando-os como se eles não tivessem rosto. De maneira que o descontentamento dos trabalhadores é generalizado mas não há maneira de o manifestarem porque na realidade o patrão não lhes dá verdadeiros motivos. Nem eles sabem, verdadeiramente, porque não gostam dele.
A Adélia pensa algumas vezes em reformar-se mas ainda lhe faltam quase dez anos para perfazer o tempo necessário.
Às vezes censura-se por ter aquela ideia porque não ganha nada mal e também não tem demasiado trabalho e por outro lado em casa também já não tem muito que fazer agora que o José está criado. Mas gosta tanto de devanear...
Ela e o Mário dão longos passeios nos Sábados e nos Domingos.

Geraldes de Carvalho
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Geraldes de Carvalho
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margarida
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« Responder #1 em: Março 02, 2014, 18:32:39 »

Uma escrita escorreita. Aos poucos irei para trás ler os restantes episódios.
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gdec2001
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« Responder #2 em: Março 19, 2014, 00:05:36 »

Força, amiga . Obrigado
geraldes
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Boa noite feliz para todos.
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Boa tarde a todos!
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um abraço para a administração, para quem dinamiza este espaço, seja como escritor, como leitor, como comentador.
Novembro 12, 2019, 18:15:54
margarida, plenamente de acordo.
Novembro 11, 2019, 11:31:31
Bom dia. Se todos fizerem igual, não há comentários.
Novembro 09, 2019, 14:53:10
Oi Dionísio. Obrigado pelo teu comentário. Desculpa eu ser relapso a fazer muitos comentários. Evito-os, para não  louvar uns ou criticar outros. Prefiro ficar na minha, ficar no que me parece. O meu principio geral: escrever, quem lê lê, quem não lê não lê. Ponto. Leio poesia d'outros, m
Novembro 01, 2019, 14:41:40
Boa tarde  todos. Os que estão e os que virão.
Outubro 31, 2019, 14:58:38
Parabéns, Figas. Parabéns a todos os que lêem e que escrevem, parabéns a todos os que partilham escritas e comentários.
 
Outubro 10, 2019, 12:24:06
Bom dia. Hoje, andaei a pastar pelas 351 páginas da poesia e encontrei 32 poemas meus, milionários de leituras. com média de 1209 leituras cada. Obrigado a todos os meus contribuintes de lucros poéticos. FigasAbração, a todos. Nota: O Campeão é o Linguagem Decente, com 3692 leituras.Viva a D
Julho 29, 2019, 22:55:56
Olá para todos! Boas histórias e boas escritas!
Julho 02, 2019, 07:05:22
Bom dia!
Junho 28, 2019, 14:37:28
Boa tarde. Hoje, apeteceu-me saudar todos os que aqui tentam pôr arte na pena. Figasabraço
Maio 18, 2019, 19:22:13
Olá! Boa leitura e boa escrita para todos!
Maio 01, 2019, 17:26:47
Boa escrita e boa leitura para todos!
Março 30, 2019, 10:37:35
Boas leituras e boas escritas para todos!
Janeiro 27, 2019, 19:36:43
Boa noite feliz para todos.
Janeiro 11, 2019, 09:21:27
Olá para todos!
Dezembro 24, 2018, 21:55:27
Boas Festas.
Novembro 03, 2018, 14:19:38
Claro que sim, Mateus. Vamos lá puxar pelos neurónios?
Novembro 01, 2018, 18:36:27
Olá para todos!
Novembro 01, 2018, 15:51:21
A ideia com que fiquei em conversas, era a de que se pretendia fazer, uma sequela do "esfaqueador". Agora estou baralhado.
Outubro 31, 2018, 18:31:48
Temos um tópico em aberto "sem título". Podem entrar. A ideia é fazer algo ao jeito do Esfaqueador da Régua. Estão convidados!
Setembro 12, 2018, 14:34:00
Esfaqueador da Régua, aqui nascido, terá o seu lançamento na Feira do livro do Porto, dia 21 de Setembro.
Julho 04, 2018, 13:54:05
Bom dia.
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