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Autor Tópico: Concurso "Uma vida por 600 neurónios"  (Lida 29829 vezes)
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« Responder #15 em: Maio 08, 2015, 21:51:34 »

Texto n.º 5

Descalça, pisando a neve do caminho, seguia para a escola uma frágil menina. Levava em sua mão uma sacola de serapilheira que a custo suportava o peso dos livros. Era uma criança pobre como tantas outras que viviam naquela aldeia, mas tal como seus irmãos eram crianças de grande educação e respeito porque os pais assim os ensinaram, mas também lhes exigiam que assim fossem. E essa menina cresceu fez-se adulta, deu a volta à dificuldade, já não anda descalça, já não pisa a neve do chão com seus pés nus, vive feliz em sua moradia com marido e filhas que ela adora. E do passado não resta saudade!
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« Responder #16 em: Maio 09, 2015, 11:08:46 »

         Texto nº6

           Quatro filhos! Fora coragem tê-los em tempos tão difíceis. Ou talvez fosse só o acaso. Os dois mais velhos, cinco ou seis anos, iam pendurados na janela do comboio. Em frente, no outro banco, um rapazinho de oito anos e a mãe observavam aquela família de seis pessoas, o pai do outro lado da coxia, enquanto a progenitora tentava sossegar o sono do casal de gémeos de cerca de dois anos.
          Então, a outra criança, perguntou-lhe numa vozinha doce:
         - Quer que pegue num menino ao colo? Eu estou habituado com o meu irmão mais novo.
          A mãe disse que não e agradeceu.

Texto nº7
          Estirada ainda na cama, nesse dia, dera em pensar na morte. Deus tinha feito as coisas bem, ninguém sabia o momento exacto, assim é que devia ser. Desde o nascimento e até lá, havia a vida e não valia a pena debruçar-se sobre o assunto quando o sol, lá fora, crepitava no azul do céu com beleza e boa vontade. A Joaninha acabara de nascer. Não, hoje não pensaria nos contrastes da existência, e quem sabe se o amor não lhe faria uma serenata ali sob a sua janela ao luar?
        Então, saltando da cama, pareceu-lhe sensato saudar a manhã e deixar o dia D a morrer envolto no seu próprio mistério.


Texto nº 8
           Os buracos das obras no passeio eram enormes e os peões circulavam sobre umas tábuas periclitantes dispostas ali com displicência.
           As duas jovens preparavam-se para seguirem sobre a tábua estreita até à parte sã, dois metros à frente, posicionando-se a primeira no início. Em sentido contrário, um homem dos seus 40 anos preparava-se para fazer o mesmo.
          Depois de alguma hesitação, ambos iniciaram o percurso, encontrando-se a seguir no meio da tábua onde um abraço os salvou da queda.
          - Desculpe!
           - Nada, menina! Nunca um abraço me soube tão bem!

Texto nº9

           A mulher sentou-se a meu lado no banco do centro comercial onde acabara de comprar um livro. E, com o à vontade de quem tem palavras entaladas na garganta, abriu-o. Pretendia saber como tratar-se. Aos 72 anos, já se sentia a fraquejar.
       Depois, disse-me, aos 35 anos ficara viúva e com duas crianças para criar, no meio de uma família de onze irmãos.
     Também me confidenciou ter, aos 40 anos, vivido um grande amor com um irlandês. Mas tudo ficara enterrado no passado como coisa inacabada.
          Quando foi embora, desejei para mim uma velhice como a dela. Mas sem solidão.




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Oswaldo Eurico Rodrigues
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Amo a Literatura e as artes.


« Responder #17 em: Maio 10, 2015, 05:05:31 »

Quero participar!
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Oswaldo Eurico Rodrigues


Escrevo também nos sites Recanto das Letras (www.recantodasletras.com.br)
Dionísio Dinis
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« Responder #18 em: Maio 10, 2015, 13:45:34 »

Ainda vai ser livro.De valor!
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Pensar amar-te, é ter o acto na palavra e o coração no corpo inteiro.
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« Responder #19 em: Maio 10, 2015, 14:47:26 »

Texto n.º 10

Chegara ao cimo da encosta e parou de repente. Experimentou uma sensação de perda. Os dois eucaliptos gigantes que se habituara a ver desde sempre na berma da estrada tinham desaparecido, e com eles fora a música das folhas que o vento tocava com suavidade nos dias amenos de toda a sua infância. Chegara ao futuro embalado por ela e, agora que não a ouvia, doía-lhe o silêncio e a ausência, que se prolongavam nas casas mortas com memórias dentro. E a ele só lhe restava guardar as recordações como se fosse uma caixinha de música para se abrir em dias assim, quando lhe mordesse a saudade.
« Última modificação: Maio 11, 2015, 20:21:48 por Administração » Registado
Goreti Dias
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« Responder #20 em: Maio 11, 2015, 20:27:56 »

A bom ritmo!
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Goretidias

 Todos os textos registados no IGAC sob o número: 358/2009 e 4659/2010
Dionísio Dinis
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« Responder #21 em: Maio 13, 2015, 13:17:49 »

Quantos mais e melhores e criativos.E todos!
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Alice Santos
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De mãos dadas pela poesia.


« Responder #22 em: Maio 13, 2015, 16:10:16 »

Ainda não enviei mas já tenho dois textos prontos...

Isto vai meus amigos... isto vai...
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« Responder #23 em: Maio 19, 2015, 16:10:00 »


Texto n.º 11

Maio estendia-se pelas montanhas verdes e a pequena cabreira seguia na cauda do seu rebanho. Rosnão, o seu fiel cão de guarda, acompanhava os animais, ora no seu flanco, ora na sua dianteira. Tudo parecia correr calmo como o vento ausente.
- Socorro, socorro!
 O cão farejou o ar à procura do inimigo, por momentos pareceu desinteressar-se mas, de repente, num pulo, galgou o espaço que o separava da sua dona. Os dentes cravaram-se nas omoplatas do homem que segurava o pescoço da moça. As mãos mudaram de pescoço, mas o pescoço do cão era mais difícil de agarrar. Correu metros com o cão às costas…
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« Responder #24 em: Maio 30, 2015, 20:00:47 »

Texto n.º 12

“Bom dia senhor condutor”. A mota parou junto ao meu carro. O agente da GNR, impecável, fez a continência. “é proibido parar neste local”.Olhei.  Não havia dúvida. Era o Luís. Perdi-lhe o rasto. Não o via desde a infância, na escola primária. Pobre, mais pobre que a pobreza. Roto, remendado, sujo. O professor mandou-o  cortar o cabelo, desgrenhado, . “Diz ao barbeiro que eu pago”. Saiu e voltou de cabeça baixa. Trazia um bilhete: “senhor professor, não consegui acabar o corte. Tantos piolhos! fiquei enjoado. Não precisa pagar. As minhas desculpas”. “As minhas desculpas. Bom dia senhor guarda.”
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Dionísio Dinis
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« Responder #25 em: Maio 30, 2015, 20:04:57 »

A cada dia o desafio vai sendo respondido com arte e engenho. Façam-se atores de mais um acontecimento de valor.Participem!
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Alice Santos
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De mãos dadas pela poesia.


« Responder #26 em: Junho 04, 2015, 17:02:27 »

Vamos lá dar trabalho aos neurónios...

 :woot:
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« Responder #27 em: Junho 04, 2015, 18:24:41 »

TEXTO 13
 
Encostada olhava o rio correr veloz. Lá em baixo tudo era perfeito.
Como num filme, via a sua vida deslizar em câmara lenta. Episódio após episódio lembrava a infância feliz à beira-rio, o namoro ora escaldante, ora gélido e o casamento. O terror começara nesse dia. A paixão de outrora tornara-se um martírio. Quando as mãos que a acariciavam a empurraram, morreu tudo o que a acorrentava àquele monstro. Decidida a juntar-se ao seu mais puro e inocente amor dirigiu-se ao centro da ponte. As águas gritavam seu nome. Era tão suave aquele apelo, tão doce, tão terno... Maria mergulhou no abismo.
 
 
TEXTO 14
 
O avião cortava a toda a velocidade as ebúrneas nuvens tal como outrora os seus pés descalços a neve branca. O imenso azul assemelhava-se ao mar que apenas conhecia da televisão. Só depois daquele pássaro enorme quase roçar a montanha, se apercebeu que aterrara numa nova vida. Por bagagem apenas a mala carregada de sonhos. Para trás ficara uma longa e dura caminhada. Um sorriso enorme e dois braços abertos corriam para si. Voou para o abraço. Estava a breves passos do paraíso. O seu lar. Nele iria ancorar, lançar à terra as sementes do futuro que sonhara feliz e repleto de risos de crianças.
 
 
TEXTO 15
 
Era fim de tarde… decidiu passear na praia saltitando pela água esquecendo a idade. A sua frescura inundava-lhe a alma, não refrescava o corpo somente. Que bem que estavam a saber as férias longe da melancolia, que nem o reboliço da cidade atenuava. Parou ao sentir uns olhos fixos em si. Virou-se… estremeceu, as pernas fraquejaram. Um homem correu a ampará-la, abraçando-a.
Reconheceu de imediato a doçura daquele olhar cor de mel. Quantos anos haviam passado? Sentiu-se rejuvenescer no reencontro tardio. Em silêncio deram as mãos e os lábios se uniram selando o amor eterno tantas vezes adiado.
 
 
TEXTO 16
 
Sentada sob a frondosa palmeira observava. Um casal preparava a refeição. As meninas tentavam esticar uma toalha sobre uma manta de cores garridas. Cada uma puxava para seu lado e tudo continuava enrolado. O mais pequeno fazia o que melhor sabia. Brincava. Os sorrisos cúmplices espelhavam felicidade. Numa breve troca de olhares, gesticulando, a mulher convidou-a. Declinou o convite devolvendo o sorriso. Não se dando por vencida, enviou como emissário o rapazinho de olhos doces com uma apetitosa manga. Puxando-a pelo páreo ria a plenos pulmões. Impossível resistir a tão franca hospitalidade.
 
 
TEXTO 17
 
António madrugava para ajudar a mãe a carregar a canastra. A família era numerosa e de parcos recursos. Todos ajudavam. Assim que terminava corria descalço, alegre em direção à escola. Muitos eram os dias em que se perdia nas brincadeiras e faltava. Os calções, já gastos pelos irmãos, mas que lhe serviam na perfeição, numa dessas manhãs desapareceram enquanto mergulhava no Douro. A mãe dizia:
- Onde vou arranjar dinheiro para outros, meu malandro?
Um dia, após muitas travessuras no rio, encontrou uma nota de 20 escudos. Subiu a ladeira correndo e gritando:
- Mãe! Mãe! Estamos ricos! Ricos, mãe!
 
 
TEXTO 18
 
Na aldeia era costume os meninos participarem na procissão. Nesse ano era a sua vez de levar a cruz. Contrariado lá vestiu a sua melhor farpela e, pela mão da mãe, mais parecendo um animal a dirigir-se ao matadouro, foi para o seu lugar. Farto de ir a passo de caracol, José virou a cruz e, como se fosse uma guitarra, começou a tocar e a cantar “Caramelos, quem os compra finos e belos de sabor sem igual”.
A mãe, envergonhada, acenou-lhe. Foi até ao fim triste e em silêncio.
Ainda hoje, se questionado sobre a peripécia, diz que tentou portar-se bem e que graças a ele nasceu a música nas igrejas.
 
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De mãos dadas pela poesia.


« Responder #28 em: Junho 05, 2015, 15:36:35 »

Então?!...
Ainda não se dispôs a usar 600 dos seus muitos neurónios?!...
Vamos lá! Há tempo para dar repouso aos restantes...
Toca a escrever!...

 Cheesy
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Maria Gabriela de Sá
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« Responder #29 em: Junho 05, 2015, 19:17:38 »

Pois, o Pires de Lima manda os interessados na TAP dar corda aos sapatos, nós mandamos desfazer os nós dos dedos e martelar as teclas do computador com franca harmonia literária.
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Dizem de mim que talvez valha a pena conhecer-me.
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Obrigado, Administração, por avisar!
Setembro 14, 2021, 10:50:24
Bom dia. O site vai migrar para outra plataforma no dia 23 deste mês de setembro. Aconselha-se as pessoas a fazerem cópias de algum material que não tenham guardado em meios pessoais. Não está previsto perder-se nada, mas poderá acontecer. Obrigada.

Maio 10, 2021, 20:44:46
Boa noite feliz para todos
Maio 07, 2021, 15:30:47
Olá! Boas leituras e boas escritas!
Abril 12, 2021, 19:05:45
Boa noite a todos.
Abril 04, 2021, 17:43:19
Bom domingo para todos.
Março 29, 2021, 18:06:30
Boa semana para todos.
Março 27, 2021, 16:58:55
Boa tarde a todos.
Março 25, 2021, 20:24:17
Boia noite para todos.
Março 22, 2021, 20:50:10
Boa noite feliz para todos.
Março 17, 2021, 15:04:15
Boa tarde a todos.
Março 16, 2021, 12:35:25
Olá para todos!
Março 13, 2021, 17:52:36
Olá para todos!
Março 10, 2021, 20:33:13
Boa feliz noite para todos.
Março 05, 2021, 20:17:07
Bom fim de semana para todos
Março 04, 2021, 20:58:41
Boa quinta para todos.
Março 03, 2021, 19:28:19
Boa noite para todos.
Março 02, 2021, 20:10:50
Boa noite feliz para todos.
Fevereiro 28, 2021, 17:12:44
Bom domingo para todos.
Fevereiro 26, 2021, 21:31:48
Bom fim de semana para tod@s.
Fevereiro 25, 2021, 20:52:03
Boa noite a todos.
Fevereiro 24, 2021, 20:43:45
Boa noite a todos.
Fevereiro 22, 2021, 16:46:56
Uma boa semana para todos.
Fevereiro 22, 2021, 16:43:41
Sejam muito bem vind@s
Fevereiro 22, 2021, 16:41:57
Boa tarde a todos.
Fevereiro 18, 2021, 20:52:07
Boa noite a todos.
Fevereiro 17, 2021, 19:09:25
Boa quarta para todos.
Fevereiro 16, 2021, 19:10:20
Boa noite a todos os presentes.
Fevereiro 15, 2021, 14:54:45
Boa semana para todos.
Fevereiro 14, 2021, 15:29:30
Bom domingo para todos.
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