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Autor Tópico: SOBRE AS ÁGUAS DA VIDA O SILÊNCIO DÓI  (Lida 438 vezes)
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vitor
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Olá amigos.


« em: Julho 31, 2016, 15:02:58 »

SOBRE AS ÁGUAS DA VIDA O SILÊNCIO DÓI
Vítor Burity da Silva
(romance)































I
   


   Não há pressa para nada e de tempos em tempos o silêncio é necessário. Cada árvore, cada folha, um papel rasurado na mesa encostada ao caixote do lixo dizer besteiras com palavras tão profundas. hesito madrugada ainda e com a caneta na mão direita, qual computadores qual quê, as vozes rangem lá longe e eu sentado nas memórias, ainda a guerra colonial nesta cabeça dorida pelos pensamentos vadios que me invadem todos os dias, o soldado estiolado a meu lado, eu longe de casa, nasceu a minha filha e eu nem lá, remédios para me acalmarem,
“Tem paciência Deolinda!”
aqui tudo é frio por dentro, socorro amigos estripados pelas balas da noite, não durmo há dias e saudades
“Deolinda”
(como sempre amável)
sei que esperas por mim
“Como estás?”
lamento esta solidão que te deixo, é assim, tropa
“Nunca mais me envias-te cartas!”
neste ruído de balas frequentes o cabo
“Atenção Doutor!”
Salta do seu canto, corre em direcção a mim, um soldado na enfermaria com as tripas de fora que fazer, ali a seu lado eu, agulhas enferrujadas, empurro-as para dentro enquanto o coso sem luvas
“Ele vai morrer?”
Não desisto de rematar contra estas balizas onde a vida mora, a minha cabeça baloiça entre memórias e saudades e longe de casa esta guerra no norte de angola, curo-me também entre remorsos e incapacidades
“Se não o conseguir salvar parte de mim morrerá também?”
de um médico abandonado numa obrigação, aqui na mata a viagem nocturna desconhecendo completamente onde estava, o barulho do jeep a diesel velho nem tanto nesse tempo
“Deolinda!”
gritava a minha voz para dentro tentando encontrar na recordação algo que me desse forças e continuar
“Estou bem, acredita!”
não ouvia, o que me fazia saber disso?, falta das cartas, saber de ti, da nossa filha nascida sem pai perto, e tu, abandonada sem estares de facto abandonada, a guerra chamou-me e nada podia fazer a não ser fazer como tantos, exilar-me em frança ou desertar mas aprendi, comecei a sentir a responsabilidade ignóbil de médico salvar ou divinamente conseguir evitar que morressem camaradas
“A força que tens miúda!”
graças a Deus, um lugar ausente, impresente, este escuro sem sombras calam-me qualquer ideia, tantas vezes perco a noção de mim, calo-me
“Cala-te!”
o cabo nervoso a meu lado a enervar-me mais ainda, a minha mãe a morrer de tédio e velhice e nem lá, mais uma granada explode e eu neste bloco improvisado, sangue e raiva porquê estar nesta guerra que não entendo, na minha cabeça a minha filha acabada de nascer meses depois e já um ano é ultrapassado
“A força que tens meu amor!”
o consultório do quartel que consultório, uma tenda verde cobria-nos num improvisado desejo e compromisso de salvar era tudo o que desejava enquanto definhavam camaradas nas minhas mãos.
O meu pai regente negoceia o meu regresso a minha mão na costura nada me espanta, cansado deste regime onde um salazar me quer, a milhares de homens como eu sem pátria nesta terra de outros vomitar mortos pelos terrenos imensos
“Luanda?”
a caminho, noite de nada me apercebi o caminho no breu sem estrelas o jeep caminhava, o motorista calado
“Acho que vamos para Luanda Doutor.”
naquela picada infinita e sem relógio, mato e mato ladeavam a viagem, não era turismo, meteram-me nesta guerra onde apenas aprendi a ver gente morrer
“Ai!”
suspiro para dentro não por medo mas por não perceber, quanto mais o motorista, deixei o cabo Silva algures no norte e o soldado cosido com ferrugem e truques se o salvar foi conseguido. Um granada ou mina sei lá explode mesmo à nossa frente
“Calma, porra!”
saltavam do jeep todos tive que berrar, parecia carneiro sem saber sequer onde estava
“Continua pá!”
ao lado do buraco que havia na picada iluminada pelas luzes do jeep
“Tens mulher?”
a resposta calada, o soldado quase analfabeto e com mais medo que eu, e se medo, medo nenhum, não adiantava ter medo, acreditem, fomos metidos de forma igual nesta masmorra e guerra, colonial sentença, herança do fascismo que sempre abominei mas ser preso também, nunca tive coragem para desertar
“Onde tens os tomates?”
continuamos, o dia a aparecer numa calma tao linda e nós tao feios no mato estranho e tudo estranho, a picada desconhecida sem gps a vadiar, era mesmo.























II



   Ainda assim o azedume esquelético dos passos tatuados, estampados para reviverem mais tarde, o crucifixo pendurado ao peito badala a cada salto, o jeep barulhento caminha sobre as giestas escondidas deste paraíso de medos, água benta, a bênção do capelão,
“Benza-me, meritíssimo!”
a minha mãe velha, sozinha, tive uma mesma largada entre tantos, num cais qualquer de lisboa rumo ao longe,
“Até breve querida!”
a voz do soldado de verde, cabelo aparado, a boina inclinada para a direita da cabeça, sem brilhantes nos ombros.
Do longe infindável, o mar imenso onde o horizonte é branco e que vazio o olhar, onde saudades já só lágrimas encharcam o rosto, a caserna do navio repleta de melancolias, no plural as almas nem falam, um silêncio imundo neste fim do mundo de águas salgadas ladeiam este monstro que navega sobre ondas, cruza ventos, ultrapassa tempestades.
O mar adormece, anoitece entre as nuvens, o olhar perpendicular colado às saudades, o choro da mãe na cabeça ainda, onde que raivas me inspirava a dor,
“Até um dia mãe!”
este eco permanente a vadiar-me por dentro, nem sonhos onde nem sono, talvez seco um gole envenenado de rhum, trepidar a cabeça encostado ao taipal do navio enquanto surgia um destino, talvez, se um naufrágio, se uma raiva, salazar sentado creio, as criadas de servir, uma em cada lado da mesa,
“Senhor doutor, posso servir o almoço?”
nem fome nós, acoplados como tambores por entre os ferros velhos, cansados, esgotados, de um navio sobre as ondas.   

Os berjenjos coitados, de alguma mirandela fria, fui contando, eram imensos, santos, silva, costa, miranda, apenas alguns de mirandela lendo o jornal de caserna escrito com penas inventadas, cartas já pensadas antes da viagem, de lisboa berjenjos, alcântara, alfama, bairro alto de prostitutas nas ruas, o vento do tejo, o miradouro de santa luzia,
“Senta-te soldado!”
o ruído oco no porão dos taipais entregues ao relento, o soldado surdo bastava que conseguisse ouvir o zunir invisível de moscas assustadas, na água golfinhos de olhos secos, acenando pena por nós, acompanham-nos neste deserto onde só água por todos os lados, o horizonte dormita, um coxo outro maluco dizem, rumo ao longe. Sobre as águas da vida o silêncio dói, na aldeia a matança do porco, nossa tradição
“Quando poderei voltar a participar?”
um soldado berjenjo de uma aldeia perto de mirandela, a sua voz, não a sua voz falada, não com palavras mas com pensamentos perdidos no olhar sente-se, o molhado imenso cobre a farda verde, se escorrida por lágrimas, o sol espreitava tímido de uma janela escondida por entre as nuvens que caminha talvez para leste, ameaçando chuva
“Quando poderei voltar a participar?”
costa, santos, silva, etc., nenhum guerra, todos para a guerra, para esse longe na cabeça perdida, que destino sem onde nunca, eu
“Ai Deolinda!”
no convés tudo mirava, oficial miliciano médico, tremia,
“Ai doutor!”
a febre pairava e suores, tremiam sobre a chapa velha do navio velho um berjenjo,
“Ai doutor, o meu corpo!”
resoquina e mais tarde a febre baixa, talvez nem sabe nada disso, nunca ouvira tal nome, estranho nome, diz-se gripe, resoquina uma pastilha amarelada com um sabor medonho, do tamanho da saudade, do medo, a distância, outros tatuavam no braço
(amo-te mãe)
e um coração junto ao coração, uma seta a atravessá-lo, como se assim se conseguisse diminuir a dor, onde sangue jorra, com agulhas de costura uns aos outros, cabeça rapada,
(amo-te mãe)
“Quando voltar à metrópole caso-me!”
o nariz do costa vermelho, os outros tomates apertados dentro da breguilha daquela farda verde e apertada.
Dom Afonso Henriques atracado em sines definha, morre aos poucos por dentro das ferrugens famintas, abandonado e de tantas viagens carregado até às costuras, ao longe a falésia da cidade, diziam a capital,
“Luanda à vista!”
medo daquilo ou coisa nenhuma, medo de luanda nunca ouvira falar de luanda, na cabeça a raiva soçobrava, sabia, nem do mato tenho a certeza,
“Há leões por aqui, ouvi dizer que sim!”
nem em luanda nem em lado nenhum, coisa nenhuma, entretanto instruções,
“Pronto um, pronto dois, pronto três, pronto...”
o coronel com cara de mau, zangado sei lá, entregavam-nos armas G3 para logo de seguida entrar-mos num jeep qualquer ali para nos acolher, pensei, mas para onde ou quê?
“Isto é que é luanda?”
viemos para lutar, honrar a pátria, nada de turismo, saímos do porto de luanda para a picada, sem parar num bar beber saudades e esquecer saudades, directos para a picada ali próximo, pensava, combater no princípio o vazio, nem leões apenas cães ladravam correndo atrás do jeep barulhento, sentia-se ainda o cheiro do mar e após um chuvisco a terra gritava um cheiro a terra, inalamos sentados na parte de trás do jeep o furriel à frente com ordens recebidas de lisboa,
“Siga!”
partilham-se cheiros e entretanto pedras, entram-nos pelas narinas quem de cheiros como aqueles nada sabia, inertes, o rosto negro de uma menina com os seios pendurados no peito,
“Tem paciência comigo Deolinda!”
acenava-nos com os dois braços no ar à entrada daquela picada, a bússola
“Seguimos para norte.”
a seta apontava para norte, apenas o jeep iluminava o caminho,
“Qual guerra qual quê, isto é como limpar a cú a meninos!”
o furriel sentado do lado direito do 1º cabo condutor,
“Aqui só pretos comandante!”
os que comentam sobre aquela expedição que saiu de lisboa,
“são tão parecidos connosco!”
continua, a tímida, tremida, medo ainda que memória de elefante,
“Cala-te pá!”
em mirandela nem luz eléctrica, muito menos televisão,
“Você não veio para fazer perguntas!”
para o que vim então? misturo-me na viagem tão longa, perder a noção do tempo, a minha mulher em casa sozinha, nem notícias dela, falava sozinho obrigando-a a escutar-me, a luz de um obus a despenhar-se quase sobre o jeep, esperava-nos a madrugada, escutava a voz de Deolinda,
“Isto mete medo Doutor!”
a minha filha nascera entretanto e eu nesta vida escura da mata, Dom Afonso Henriques e entretanto gritos,
“Já és pai meu amor!”
ouvia isso quatro cinco seis ou mais vezes, naquele som triplicado entre tantas que partiam e se metade voltaria,
“E que nome lhe darei?”
Santa Paola, o apelido da mãe e o meu, ai que extenso fica amor, caramba, ouvi falar da ilha, onde dizem nasceu a cidade, que mania dar-mos tantos nomes aos nossos filhos, talvez porque juntamos o seu primeiro às nossas memórias, mágoas, de seguida se tens mãe, se tens pai, embora não fosse no tempo dos reis, havia quem fosse desse tempo, nós mesmos nem sabemos, submetidos ao que já havia sido ultrapassado da nossa história, salarizar o sentido proibido da nossa vontade, nós neste sul verde e vertido por entre matas verdes e secas onde cafés e eucaliptos que saudades amor, ver a minha menina e beijá-la fá-lo por mim até o dia de desembarque num cais qualquer de lisboa, este sul é escuro encoberto pela floresta imensa, nem consigo ver o céu acima da cabeça, o escuro do mato e o calor saliva pelos poros ainda noite, o soldado benze-se a cada passo, cospe a saliva verde do capim, a cada buraco, trincheira, perdido,
“Deus não dorme doutor!”
a cada quilómetro a vida deixada na metrópole, na terra não esquecida, não recordada, apenas imaginada alguns anos depois, alojada apenas um corpo safira de capins com medo das balas desconhecidas, um corpo, outro, mais, depois tantos! um dia esta memória de elefante, um regresso numa viagem ao contrário da última viagem, atracar num cais qualquer de lisboa, olhar à volta e milhares por ali, encontrar maria, jacinta, ambrósia, sidónia, gertrudes, outros doutora não sei quê, médica não sei do São José quem sabe, a vida de mulheres portuguesas contra a guerra colonial, umas famintas pelo tal abraço, aquele que havia sido prometido na partida, o santos, o silva, tantos e outros olham à sua volta e nada, que solidão que dói, a da chegada a luanda, a do regresso a lisboa,
“Não há ninguém a esperar-me!”
talvez castigo por ter morto um elefante na mata, pensava sem palavra sequer,
“Se pudesse afogava-te, untava-te de ódio e paciência, queria a tua paciência o corpo inteiro, dor.”
uma pensão de prostitutas no cais do Sodré, beber até vomitar todas as ânsias vividas, saudades de tudo e nada, pena de mim,
“Em quantas negras tocaste?”
“Tira-me o camuflado, bolas!”
(Se me perguntares quantos foram não sei)
um escuro profundo entre os relâmpagos, explosões e nem um ai, para o desconhecido que era tudo aquilo, assassinei o abstracto, com rajadas disparadas onde silêncios viviam, onde o que se mexia passaria a ser alvo a abater e nada abatia, fértil sensação de que haveria sempre alguém pelas trincheiras naturais, algo no escuro, o deveria ter que limpar, o galho seco, os capins estendidos camuflavam os rostos, se o sebo cansado, os pássaros esvoaçam ao cair da tarde, um pôr do sol distante, onde pessoas?, nem goivos nem tambores, apenas nervos e medo no meio corvos,
“Quem não deve não teme!”
o camarada ao lado e na mesma medo, não eu, nós, cada um amparando a sorte do outro,
“Segue!”
de quem já nem sei, o pico das pedras rasga-nos os poros escondidos no camuflado, o corpo sem falésias sequer, de vez em quando uns tiritos para nos assustarem, o calendário esfrangalhado, qual ave estendida de pernas para o ar a definhar a dor, o bico aberto ao ar nem respira, definha, depenadas as asas evaporam-se ao ar livre no cimo da terra cansada onde jeeps e tanto percorrem devagar, cavam grutas disfarçadas e nem silêncio, o ruído dos motores invade noites e tempos e esse som na cabeça com os dias riscados a vermelho desde que aqui cheguei e nem isso, agora e apenas anos sem dias nem horas, riscava no braço o meu aniversário encostado ao soldado a meu lado com as tripas de fora nesta tenda hospital, sem luvas, batina, o capelão benze-o, sobre o seu corpo a bandeira da pátria,
(Serás eterno a partir de agora!)
mastigado como folhas secas sobre a cabeça,
“O doutor vai ter que entender!”
continuava,
“Não nasci para isto!”
e eu calado,
“Onde o meu futuro?”
perdido pensei,
sem batina nem luvas restam dedadas, pela enfermaria de tendas de campo criadas para o efeito e cirurgias, tripas de fora e cabeças estioladas o cérebro fora do crânio, ossos aguçados rasgam a pele, rastilhos juntos ao calcanhar destroçado e gritos, gemidos, às vezes enervantes, sei lá se por eles ou com eles,
“Queixa-te ao coronel porra!”
a minha filha nem sei, eu nada sei aqui ou qualquer outro lugar, mama ao colo da mãe, aqui viagens nocturnas pelo tempo cercado de mato, o tempo para a nosso lado, não ainda, mato o tempo para o nosso lado, não ainda,
(um dia escreverei sobre tudo isto)
não eu,
(um dia serei livre)
ouvia o cabo condutor do jeep que nos trouxe a este escuro cada vez mais escuro sem fim onde uma mina nos atira a todos pelos ares tombando sem para quedas nem relva, sem colchão nem sono, que insónias adormecem sobre as pedras aguçadas olhando-nos à espera de quem sobre elas tombasse, aguçadas e com raiva e até as pedras com raiva,
“Ai!”
coisa nenhuma,
“Ai!”
(ouvia)
“Onde estamos?”
atordoados, mas pelo menos vivos, alguém, não decifrei quem, fumos e escuro,
“Ai!”
a voz de quem?, o cabo condutor e os outros?, ninguém morrerá aqui,
(pensei)
levanto-me dando ordens,
(aprendi na escola de oficiais milicianos)
“Em frente - marche!”
viemos numa missão de paz para esta comissão de lágrimas?






III



“nem sabia quem eras”
o sonho encobria-me vagarosamente num mordaz nenhum enquanto eras, arma de pranto?, eras coisa ali sentada à janela chorando prantos e o teu pai na guerra, eu num sonho pai nenhum, militar desacampado num deserto ou que floresta sozinho, a tenda de campanha abandonada, ninguém a não ser eu, o cabo Esperança sem alma, o verde confundido com lama, a chuva nevrálgica na atresia desértica desta áfrica longe e a minha mãe,
“que Deus te proteja meu filho!”
o meu dedo picado a agulha enganada, ele em prantos, nervoso sem cicatriz no corpo e um carro lá fora,
- Ambulância?
Não sabia quem eras.

Quem era eu não sei, o jazigo em viagem, a terra enfurnada sobre as memórias gastas de tiros e balas o inimigo escondido como eu, inimigo também, vozes sobre os ecos vadios um grito, o meu pensamento sem cal e cor e coisa nenhuma a alma arde como carcere voluntário quem quer, a tenda nunca escondida à vista do céu sobrevoa a cansada vontade de morrer com alma de guerreiro nunca fui nem nunca o quis,
“queira Deus sobreviva!”
um soldado sem arma amado em fugitivo,
“um cobarde!”,
diz o coronel, foi. Vi-os na lavra onde quimbos, onde cubatas, galinhas definhadas sem asas um churrasco apenas era fome, fome nenhuma se medo,
“doutor, ai doutor”,
a bala alojada e com calma dorme sobre a rótula de que perna,
“esconde-a se faz favor”
disse,
o céu aceso onde descansam os meus olhos de sonho ainda, a minha casa, o meu gato parido na arma lembrada e a caça onde o tio Zeca sacava pérolas.
“a metrópole, a metrópole!, estou cansado destes gajos doutor”,
voz morta!
Que barca navio, que viagem suculenta sobre as áridas paisagens de tanto nada, a ferrugem esquecida tal a vontade de ver um leão sobre quintais alheios, um preto escorreito se gente, uma bala na testa se acertares e acertas, nem que fugir solucione, não, não nasci para isto, tudo isto é mentira juro, nunca imaginei ser parte disto nuca o fui, o alfredo fugiu e que espanha de franco o recambiou a Caxias, um morto sem sangue e que bandeira o devolveu, a minha amada lá, sei lá se viva.

(…) continua.

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Olá para todos! Boas escritas!
Abril 11, 2017, 14:47:44
Boa tarde a todos
Abril 01, 2017, 20:52:08
Boa noite e um bom fim de semana para todos vocês.
Abril 01, 2017, 20:52:05
Boa noite e um bom fim de semana para todos vocês.
Fevereiro 22, 2017, 07:23:30
Bom dia!
Dezembro 24, 2016, 22:23:10
Boas Festas para todos os que por aqui navegam.
Dezembro 24, 2016, 11:32:23
Desejos de Bom Natal, PAZ, Amor e uns trocados. FigasAbraço a todos
Setembro 08, 2016, 19:38:09
Já está publicada a lista final de autores para a coletânea - 129
Setembro 07, 2016, 20:57:46
Boa noite a todos.
Setembro 06, 2016, 18:31:36
Boa tarde a todos
Setembro 01, 2016, 15:26:02
OLÁ!!!
Agosto 24, 2016, 05:49:47
Bom dia a todos
Agosto 04, 2016, 08:39:17
bom dia a todos
Julho 08, 2016, 18:22:38
Olá, Alice e Nação Valente!
Junho 13, 2016, 12:51:19
Em fase final de seleção de textos para a rádio. Inscreva-se!
Maio 30, 2016, 16:17:57
Apagamos o pdf, Nelson.
Maio 30, 2016, 16:13:58
Nelson, vamos apagar a sua resposta pois expôs os seus dados publicamente. Essa ficha deve ser mandada por mail para administracaoescritartes@gmail.com
Maio 13, 2016, 21:41:50
Boa noite. Há que ror de horas nada ponho aqui. Hoje, choveu para cima. FigasRgds
Abril 08, 2016, 20:16:46
Olá para todos! Boas escritas e formidáveis leituras para todos!
Março 27, 2016, 08:51:07
Páscoa feliz!
Março 27, 2016, 08:50:45
Bom dia!
Fevereiro 17, 2016, 20:00:55
Não consigo aceder à caixa de comentários do "Esfaqueador da Régua". Alerta de spammer. Que fazer?
Fevereiro 01, 2016, 21:16:09
Boas leituras e melhores escritas
Fevereiro 01, 2016, 21:16:08
Boas leituras e melhores escritas
Fevereiro 01, 2016, 21:15:36
Boa noite a todos
Janeiro 23, 2016, 19:55:03
Boa noite a todos
Janeiro 19, 2016, 17:13:16
Boa tarde. Smiley
Janeiro 08, 2016, 21:14:02
As primeiras 10 gravações estão na página inicial, na playlist e os vídeos estão no Quadro "Virtual 2D e 3 D" pela ordem de gravação
Janeiro 07, 2016, 21:21:52
Clicar no link para ouvirem e verem todos os vídeos das poesias gravadas para a rádio.
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