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Autor Tópico: Do Tempo e do Amor  (Lida 1000 vezes)
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Oswaldo Eurico Rodrigues
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« em: Julho 17, 2018, 02:57:24 »

Comecei a escrever uma crônica sobre o Hoje. Comecei nomeando o Presente, não me prendo ao Passado e não construí castelos no Futuro. Cometi porém um erro imperdoável: brinquei com o tempo. Ele não gostou do atrevimento. Fui castigado. O texto estava pronto, mas não salvo. Fui formatá-lo e o perdi. Não lembro mais as palavras ditas a longínquos quinze minutos. O Tempo agora é outro. O assunto vai ser outro. Não ouso mais desafiá-lo.
Acabei de perder minha criação. Vou recriar!
Não me peçam para lembrar de tudo outra vez. Não quero reviver o trauma de perder um trabalho assim sem mais nem menos por tão pouco para o Tempo.
Vou eu mudando de assunto. Vou falar de algo intangível assim como o Tempo Presente de grego ou da Carochinha.
Vou falar de Amor. Mas não há tempo. O amor é fugaz como o prazer de receber o Presente. Dura ínfimos e infinitos instantes sussurrantes e suspirantes crescentes no peito de quem ama. As mãos querem prender. As bocas calam-se no eternizar de instantes perenes de Ontem e de Amanhã insaciáveis no crivo do Agora.
O Afã e as Horas voam e nos entorpecem. O tempo nos engana outra vez assim como está me enganando agora. Terei de encerrar meu texto sem falar profundamente do Amor. Terei de arrumar outro tempo. Não creio em Cronos. Sou cronista mesmo assim. Quero um tempo sem fim. Não quero ser devorado pelo Tempo que atingiu o Céu. Meu instante dura e se acumula forte como gladiador, robusto, poderoso como general, opulento como nobres das ricas cortes. Meu instante se alimenta da leveza futura. Sou nutrido pelas emoções de antes e de amanhã agora enquanto amo esse amor eterno como Quem o criou e o mantém.
« Última modificação: Julho 17, 2018, 03:08:15 por Oswaldo Eurico Rodrigues » Registado

Oswaldo Eurico Rodrigues


Escrevo também nos sites Recanto das Letras (www.recantodasletras.com.br)
Maria Gabriela de Sá
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« Responder #1 em: Agosto 07, 2018, 22:12:38 »

Como eu o entendo quando se perde  uma obra,  que até parecia uma obra de arte,  para o senhor  "Tempo Perdido"!
De resto, não sendo a mesma coisa, nem a mesma obra, a obra perdida, gostei da obra nova e da  sua reflexão sobre o Amor, o Tempo, a frustração e por aí...

Abraço
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Dizem de mim que talvez valha a pena conhecer-me.
Oswaldo Eurico Rodrigues
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« Responder #2 em: Agosto 08, 2018, 03:41:58 »

E eu gostei do seu comentário, Maria Gabriela.

Abraço...
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carlossoares
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« Responder #3 em: Agosto 08, 2018, 23:19:53 »

Oswaldo,

mais uma vez, parto do seu texto inspirador, que agradeço, para discorrer um pouco sobre o problema e a canga do tempo, na nossa cultura.
A invenção do tempo deve ter sido o início de todas as formas de escravidão.
A minha descoberta do tempo correspondeu à minha consciência de finitude e de mortalidade, com que perdi a inocência de criança selvagem que se contentava com a liberdade. Era tão pouco mas revelava-se demasiado. A instauração da ansiedade, dos formalismos, da educação, da escola...ditaram a minha condição, sem apelo nem agravo.
Restava-me sonhar...
E o meu pai, que começou a trabalhar aos dez anos, dizia, nem sei se protestando, ou avisando, que tempo é dinheiro e que, para se vencer uma guerra, é preciso dinheiro, dinheiro e mais dinheiro.
Para ele a vida era uma guerra e o trabalho era o campo de batalha. Quando morresse teria a eternidade para descansar.
É isso. Porque não nos deixam ter a eternidade da duração da nossa vida?
Porque teremos de esperar pela morte para termos direito à eternidade?
Ainda acreditei, durante uns anos da minha infância e adolescência, que não iria ser como ele.
Agora vejo melhor como eram proféticas as suas palavras.
Não me lembro de ouvi-lo pronunciar a palavra amor.
Certamente, não a considerava palavra maldita, mas nasceu e cresceu nas maiores guerras mundiais e chegou a ser preso pelos seus discursos acusadores e subversivos.
Havia palavras que ele abominava na boca de certas pessoas, amor era uma delas, Deus, outra.
O amor para eles e o ódio para os outros? Não pode ser.
Deus para eles e o diabo para os outros? Deus não é isso.
Paraíso para eles e inferno para os outros? Que o paraíso de uns não seja o inferno dos outros.
O tempo e a corrida contra o tempo são fenómenos muito intrigantes e estranhos.
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Carlos Ricardo Soares
Goreti Dias
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« Responder #4 em: Agosto 09, 2018, 12:31:37 »

Será que o tempo existe mesmo ou inventamos essa "coisa" apenas para justificarmos outras menos confessáveis?
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Goretidias

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Oswaldo Eurico Rodrigues
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« Responder #5 em: Agosto 09, 2018, 16:50:17 »

Carlos,

Seus comentários sempre me enriquecem, me fazem refletir e me estimulam a escrever.
Esse de agora me levou a lembrar do Sr. Oswaldo Taperoá, meu pai. Aqui ele só sentiu o reflexo da Segunda Grande Guerra Mundial. O restante foram as revoluções e a Ditadura Militar. Ele era funcionário público e optou pelo silêncio. Era um silêncio que dizia muito e que eu herdei e, de certa forma, o deixo falar através dos meus textos e desenhos e pinturas e comidas e aulas e conversas. Ele foi um gigante de 1,65m. Trabalhador incansável e com jeito muito peculiar de amar.
Enfim...

Goreti,

Seus comentários são igualmente preciosos para mim.
Muitas vezes, através deles, construí outros textos.
Esse último agora me leva a um novo antigo projeto de escrita e de arte.

Um grande abraço a vocês dois a quem tanto admiro.
« Última modificação: Janeiro 28, 2019, 16:54:55 por Oswaldo Eurico Rodrigues » Registado
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Temos um tópico em aberto "sem título". Podem entrar. A ideia é fazer algo ao jeito do Esfaqueador da Régua. Estão convidados!
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Esfaqueador da Régua, aqui nascido, terá o seu lançamento na Feira do livro do Porto, dia 21 de Setembro.
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Boa tarde a todos
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Boa noite e um bom fim de semana para todos vocês.
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