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Autor Tópico: Edilson Pantoja  (Lida 720 vezes)
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« em: Setembro 25, 2018, 18:52:21 »

 Do meu amigo Edlison Pantoja grande escritor brasileiro -no meu entender- um bocadinho do seu romance "A PEDRA DE BABEL "

"A IMAGEM DE ADELEINE

A imagem do santo, mesmo ap√≥s o vento lhe apagar as pegadas, permanece em minhas retinas. Abertos ou fechados, meus olhos o v√™em chegar, permanecer e, afinal, partir. V√™em-lhe os passos fr√°geis, a capa a esvoa√ßar sob o vento. √Č como torna a mim para, outra vez e sempre, tocar na saudade de Adeleine. A ignorada Adeleine. Fantasma a assustar-me dentro de minha solid√£o. Que natureza lhe atribuir sen√£o a de espectro tremulante, como s√£o todos os espectros do deserto?
Quando, em meus tempos de mar, conheci Adeleine, eu, que jamais pisara a terra antes deste deserto imensur√°vel tragar meu oceano e, por fim, devorar-me o altaneiro barco? No entanto, Adeleine, a apari√ß√£o s√ļbita, √© agora o que mais se demora em meu esp√≠rito. A ele cravou-se como as centop√©ias do deserto ao cr√Ęnio adormecido. Sonho com ela e, quando acordado, os cotovelos apoiados em minha vigia, perscruto a dist√Ęncia em busca de seu vulto.
A aparição mais ínfima me aliviaria. E no entanto...
Mas o deserto é assim mesmo, cheio de ausências. E a maior delas, que o cobre por inteiro, é a de Adeleine... E isso me traz outra vez o peregrino. Pobre santo... encontrará algum dia o que saiu a procurar? Busca um sinal nos céus para santificar-se e não se percebe já santificado na procura. Uma santidade teimosa a brotar-lhe de si mesmo. De sua procura e da ausência absoluta do sinal além.
Houve um tempo em que o além habitava o deserto e o santificava.
Mas o mar secou e, com ele, toda a possibilidade do al√©m. Pobre santo! N√£o o quis ‚Äď nem poderia ‚Äď dizer-lhe. Mas o al√©m, tal como Adeleine, √© uma aus√™ncia a doer dentro do vazio.
Ora, mas por que Adeleine chega a mim como uma dor? Sim, √© na forma de uma dor que aprendeu a vir. Uma dor jamais sentida... Ou simplesmente apagada, um efeito do vento, como se deu com as pegadas do peregrino? Uma dor que cresce em mim enquanto tamb√©m crescem as corcovas... E agora penso se minhas corcovas n√£o s√£o, cada uma por sua vez, a dor de duas aus√™ncias: a dor de Adeleine e a dor do mar. Deste √ļltimo n√£o esque√ßo. Como poderia? Mas, e Adeleine?
Adeleine √© puro esquecimento. Camadas sobre camadas do mais cristalino vazio. Um esquecimento para nunca mais? E, contudo, a vejo! Sim, todos os dias eu a vejo e a ou√ßo em representa√ß√Ķes. √Č quando o vento, de quem aprendi a decifrar as vozes - na verdade, mais que isso: com quem aprendi a falar, a pinta nos c√©us para mim. Adeleine me surge como um sinal nos c√©us. Como o al√©m que jamais procurei, mas que, com todas as for√ßas, desejo. Durante as tempestades de areia, corro para o mais alto do farol e, ali, aonde a tempestade n√£o chega, ponho-me a contemplar Adeleine. E a vejo, a mais bela odalisca, a dan√ßar. Apenas para mim √© que dan√ßa. E sorri. E balan√ßa os quadris. E faz mimos. Ent√£o sinto meu cora√ß√£o arder, um fogo de labaredas poderosas, como o fogo da grande noite. E ponho-me a dan√ßar com Adeleine a m√ļsica mais suave... E lhe sussurro ao ouvido o meu mais √≠ntimo segredo. √Čbrio de amor, vejo em lindo pal√°cio uma alcova a nos aguardar...
Oh! Por que dar ouvidos a uma raposa do deserto? E a um santo sumamente confi√°vel? E agora, os olhos a perscrutarem dist√Ęncias imensur√°veis, suspeito se ambos, a raposa e o santo, n√£o eram, na verdade, simples poeira que o vento, nalgum momento de ira ou suprema alegria, ergue ante meus olhos sedentos. Meras tempestades de areia: simples imagens, como a da bela e ignorada Adeleine, dor jamais sentida e, nem por isso, isenta de doer."


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Geraldes de Carvalho
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Boa tarde  todos. Os que est√£o e os que vir√£o.
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Parabéns, Figas. Parabéns a todos os que lêem e que escrevem, parabéns a todos os que partilham escritas e comentários.
 
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Bom dia. Hoje, andaei a pastar pelas 351 páginas da poesia e encontrei 32 poemas meus, milionários de leituras. com média de 1209 leituras cada. Obrigado a todos os meus contribuintes de lucros poéticos. FigasAbração, a todos. Nota: O Campeão é o Linguagem Decente, com 3692 leituras.Viva a D
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Olá para todos! Boas histórias e boas escritas!
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Bom dia!
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Esfaqueador da Régua, aqui nascido, terá o seu lançamento na Feira do livro do Porto, dia 21 de Setembro.
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Bom dia.
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