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Autor Tópico: O Estado da Literatura Portuguesa  (Lida 566 vezes)
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Maria Gabriela de Sá
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« em: Dezembro 15, 2018, 22:50:18 »

        O Estado da Literatura Portuguesa

           Ontem tive um almoço de confraternização natalícia com pessoas que não via há bastante tempo. E como pensei que pelo menos algumas delas poderiam gostar das minhas escritas, especialmente de uma cujo tema era o passado de um novo hotel na baixa do Porto, meti meia dúzia de livros num saco do Continente e aí vou eu ao encontro dos meus amigos.
          A coisa começou logo mal… Até porque dei em confundir o centro comercial e fui para um que não era o certo. Mas tudo iria compor-se num curto lapso de tempo. Afinal há centros comerciais por todo o lado, e, embora eu não conhecesse o confundido, não era longe do primeiro. Enfim. O telefone fervia de chamadas:
          “Onde estás?” “Estás a ver o lago?” Mas que lago? “ É melhor perguntares.” E assim fiz.
          - Não, não é aqui. E o homem, certo homem do primeiro Shopping e do primeiro restaurante, levantando a cabeça do prato em que comia, lá me explicou.
          Daí a nada, já algures no novo destino sem orientação:
          “Onde é que andas?- perguntava-me o telemóvel, “Está toda a gente à tua espera”
          E ali andei, para trás e para a frente. Uma chamada agora, outra daí a minutos.
          A dada altura, já chateada com aquele mundo desconhecido onde era suposto encontrar a minha gente, ela algures por ali a secar à espera, pousei no chão o saco, que ainda pesava um pedaço, e como a minha interlocutora continuasse a dar indicações e a fazer perguntas sobre o meu paradeiro, como uma barata tonta num monte de batatas podres, esqueci-me da bendita Literatura no meio da praça.
          Já estava perto do restaurante e a Beatriz viu-me entretanto. Finalmente salva!
          De repente olhei para as mãos vazias, e então lembrei-me do bendito saco e da sua, pensava eu, preciosa carga.
          - Porra, já perdi um saco com livros (quatro títulos diferentes)! Apesar de ter sido eu a escrever alguns, não eram meus, eram da editora. - Já tenho o estupor do dia estragado! – resmunguei, com ar de quem iria estragar o almoço a toda a gente, de trombas com a sorte.
          - Calma, aconselhou a Beatriz. Vamos fazer o percurso inverso.
          - Perdi-os, não há que inventar.
          - Mesmo assim vamos.
          Passaram-se seguramente dez minutos. Mas, Ó Deus bendito! A dada altura lá estava ela, perdida e inocente como uma criança, que, se o fosse mesmo, estaria já banhada em lágrimas.
          - Já estou a ver a saca, Beatriz. Olha para ali! – disse-lhe, mal vi luzir ao longe uma coisa vermelha e branca, parecida com a divisória plástica de uma rua em obras
          Eis senão quando um homem se abeira da saca como quem está prestes a descobrir um tesouro, debruçando-se para melhor se inteirar do seu conteúdo. Durante aqueles dez minutos, já outras pessoas deveriam ter feito outro tanto.
          Mal se põe de cócoras assim se levanta, prosseguindo o seu caminho como cão por vinha vindimada….

           É só para demonstrar aqui o interesse que a Literatura desperta aos portugueses… E oxalá o PAN não calhe de ler este pedaço de prosa “en passant”. De contrário, talvez eu ainda venha a ser incomodada por uso indevido da raça animal num texto bárbaro.
« Última modificação: Dezembro 16, 2018, 23:47:29 por Maria Gabriela de Sá » Registado

Dizem de mim que talvez valha a pena conhecer-me.
Nação Valente
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outono


« Responder #1 em: Dezembro 21, 2018, 20:41:51 »

Estavam Gabriela e Beatriz procurando desesperadamente uma saca de livros perdida, quando Gabriela a viu no horizonte próximo e disse:
-Aleluia, temos livros.
-Eureka, respondeu Beatriz, quem porfia mata caça. Às vezes temos de nos perder para nos encontrarmos.
-Não entres em euforia, pois aproxima-se um transeunte acidental. Não sabemos o que pode acontecer. Este mato tem cachorro.

O transeunte fazia o seu caminho caminhando como todos os dias, à mesma hora, embrenhado nos seus pensamento, ou em diálogo com os seu botões, quando  vislumbrou no seu trajecto, um objecto não identificado. Pelo menos nunca o tinha visto antes no meio daquela praça, que conhecia como a palma das suas mãos.

Que diabo será aquela coisa, vermelha e branca que apenas me aparece como um borrão. Mais uns passos e já vou saber. Agora já distingo as suas formas, parece ser um saco. Mas que raio terá dentro? E quem será que ali o colocou, mesmo no centro, como se fosse uma decoração de Natal? Nem sei se deva aproximar-me? Quem sabe se não será uma bomba? Nos tempos que correm tudo é possível? Pelo sim , pelo não, sempre lá vou. Espero que esta desta vez a curiosidade não mate o gato.

Objectos de papel? Sem dúvida. São mesmo livros. Deixem-se estar. Para que quero eu livros? Não se comem, não se bebem, não se fumam. Para que servem, a não ser para ler. Tenho lá tempo para isso. Quando chegar a casa para almoçar, tenho é que ver as ùltimas notícias nas têvês, ou um programa que me distraia do raio de vida que tenho. Livros, ah! Até podia levá-los e entregrá-los, num local onde alguém os procurasse, mas sei lá se quem lá os pôs já estava farto deles, e os abandonou à sua sorte. Ou pior, quem sabe se me ainda me acusam dos roubar?  Vou mas é ver se chego a alguma coisa que se deixe comer.

-Olha Gabriela, disse Beatriz, hoje é o teu dia de sorte. O tipo não ligou patavina aos livros. Ou então é milagre de Natal.
-Ainda me assustei, mas pouco, comentou Gabriela, porque gostar de ler, é gosto de poucos. Dizem que os livros são caros. Já não sei, pois nem dados os querem. Qualquer dia ainda temos que pagar para os aceitarem...


« Última modificação: Dezembro 21, 2018, 21:38:28 por Nação Valente » Registado
Maria Gabriela de Sá
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« Responder #2 em: Fevereiro 04, 2019, 19:51:39 »

Pois, mas....
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Olá para todos!
Novembro 01, 2018, 15:51:21
A ideia com que fiquei em conversas, era a de que se pretendia fazer, uma sequela do "esfaqueador". Agora estou baralhado.
Outubro 31, 2018, 18:31:48
Temos um tópico em aberto "sem título". Podem entrar. A ideia é fazer algo ao jeito do Esfaqueador da Régua. Estão convidados!
Setembro 12, 2018, 14:34:00
Esfaqueador da Régua, aqui nascido, terá o seu lançamento na Feira do livro do Porto, dia 21 de Setembro.
Julho 04, 2018, 13:54:05
Bom dia.
Março 01, 2018, 20:26:58
Boa noite!
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Boas Festas!
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Olá para todos! Desde já, um feliz natal e um 2018 de novas escritas!
Novembro 11, 2017, 17:23:12
Boa tarde a todos! Votos de muita inspiração na nobre arte da escrita.
Outubro 25, 2017, 10:20:24
Meu bom dia a todos!
Julho 18, 2017, 20:17:24
Olá para todos! Boas escritas!
Abril 11, 2017, 14:47:44
Boa tarde a todos
Abril 01, 2017, 20:52:08
Boa noite e um bom fim de semana para todos vocês.
Abril 01, 2017, 20:52:05
Boa noite e um bom fim de semana para todos vocês.
Fevereiro 22, 2017, 07:23:30
Bom dia!
Dezembro 24, 2016, 22:23:10
Boas Festas para todos os que por aqui navegam.
Dezembro 24, 2016, 11:32:23
Desejos de Bom Natal, PAZ, Amor e uns trocados. FigasAbraço a todos
Setembro 08, 2016, 19:38:09
Já está publicada a lista final de autores para a coletânea - 129
Setembro 07, 2016, 20:57:46
Boa noite a todos.
Setembro 06, 2016, 18:31:36
Boa tarde a todos
Setembro 01, 2016, 15:26:02
OLÁ!!!
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Bom dia a todos
Agosto 04, 2016, 08:39:17
bom dia a todos
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