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Autor Tópico: O rapaz do isqueiro assassino  (Lida 437 vezes)
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Maria Gabriela de S√°
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« em: Janeiro 29, 2020, 21:17:15 »

          - Desta vez correu-te mal‚Ķ ‚Äď disse Fausto para o amigo rec√©m-chegado que acabara de o procurar, sem esperar grandes justifica√ß√Ķes. Era o que fazia sempre. Ou, pelo menos, numa grande parte dos casos. Nunca insistia em arrancar confid√™ncias √† for√ßa de palavras carregadas de insinua√ß√Ķes maldosas, fruto de um conhecimento antecipado sobre a vida dos outros. Soubesse embora estarem eles em maus len√ß√≥is por causa de mau feitio ou v√≠cios que s√≥ a morte poderia curar.
          - √Č verdade‚Ķ
          O rapaz, na casa dos vinte e poucos anos, chegara esbaforido, tal como quem sai de casa √† pressa e sem tempo para meter numa mala meia d√ļzia de pe√ßas indispens√°veis para umas f√©rias de ver√£o, por mais quente que ele estivesse. Era o caso, n√£o seria preciso grande roupa. Ainda assim, n√£o levara nenhuma. Os term√≥metros tinham atingido o descalabro de uma temperatura que, mesmo √†quela hora, marcavam uns sufocantes trinta e sete graus, liquefazendo quantos n√£o conseguiam enganar o calor atrav√©s do recurso ao ar-condicionado.
          - Antes de ires para o quarto, onde ficar√°s o tempo suficiente para resolveres os teus problemas, usas as minhas coisas ‚Äď disse Fausto com uma autoridade em que n√£o cabiam recusas, enquanto ambos se encaminhavam para os aposentos do anfitri√£o -. Todas as pe√ßas te devem servir. Tens roupa interior, cal√ßas, cal√ß√Ķes e cal√ßado para a vida toda, se for caso disso ‚Äď acrescentou o homem mais velho sorrindo.
          - Obrigado, √©s um bom amigo. Sem ti, n√£o saberia o que fazer. Quando dei conta da necessidade de me refugiar em algum lado para p√īr as ideias em ordem, o nome Fausto foi o primeiro a ocorrer-me. Obrigado mais uma vez.
          - N√£o tens de qu√™. E agora trata de ti. Est√°s como se tivesses atravessado um deserto de cem graus Celsius em que at√© o sol se tivesse divertido a tisnar-te e a deixar-te como carne sobre brasas passada do ponto. Est√°s irreconhec√≠vel. Sempre te tive debaixo de olho, de contr√°rio n√£o chegava l√°‚Ķ, a quem tu √©s‚Ķ  
          - Obrigado mais uma vez.
          - De nada. Vai l√° ent√£o.


(continua)

« Última modificação: Janeiro 30, 2020, 00:01:37 por Maria Gabriela de S√° » Registado

Dizem de mim que talvez valha a pena conhecer-me.
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outono


« Responder #1 em: Janeiro 30, 2020, 16:37:07 »

Um história que promete, e que representa um regresso desejado, desta escritora amiga e agora valonguense.
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Maria Gabriela de S√°
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« Responder #2 em: Janeiro 30, 2020, 23:33:41 »

II

          Quando ficou sozinho, o rapaz olhou-se ao espelho da enorme casa de banho da luxuosa suite. O cabelo ruivo, farto e uniforme, sujo como estava, parecia mesmo uma giesta queimada por uma lareira num dia de Inverno. Fausto tinha raz√£o, se a namorada o visse agora, assim enfarruscado, morreria de susto ao primeiro relance. Nunca lhe daria um beijo. Estava num triste estado ap√≥s a sua mais recente travessia de um deserto talvez ainda por inventar. At√© os olhos, de azuis como o c√©u, estavam agora negros da cor do Inferno, fundos e cavos como al√ßap√Ķes cheios de nada. De t√£o alquebrado, sentia-se como se tivesse encolhido uns bons cent√≠metros, e imaginava-se um pequeno duende numa floresta invis√≠vel a olho nu a tentar equilibrar-se nos pr√≥prios ossos.
         Pensar na rapariga, na namorada, deixava-o mais ou menos furibundo. Nos √ļltimos tempos, a sua exist√™ncia, vista de qualquer √Ęngulo, tornara-se demasiado confusa. Uma nuvem de fumo que o impedia de ver as coisas com clareza e perspectivar um futuro ao qual pudesse segurar as pontas.
          Mas, o melhor era n√£o pensar na jovem t√£o cedo. Ou, pelo menos, antes de retomar o seu bom aspecto habitual, que levava as mulheres a apaixonar-se por si num estalar de dedos como se ele fosse um verdadeiro gal√£ de Hollywood.
          Enquanto a √°gua corria para a banheira, um pequeno regato caseiro refrescando o ambiente √† volta, ao olhar-se de novo no espelho, tudo o que estava a viver naquele momento o fazia imaginar-se como um b√™bado a cambalear num hospital antes da maca salvadora. Al√©m de tudo, em estado de coma e com toneladas de lixo √†s costas, e a quem m√©dicos e enfermeiras se recusam a tratar antes de um bom banho. Talvez estivesse, na realidade, num estado de coma provocado por si mesmo para fugir a reflex√Ķes dolorosas e que agora lhe vinham √† mem√≥ria sem tr√©guas.
          Enquanto, emerso na enorme banheira, pele a sentir-se revigorada pela √°gua abundante de espuma, olhava em redor, pensava no amigo como um homem de sorte. Fazia jus ao nome. Vivia efectivamente num ambiente de fausto e como um pr√≠ncipe moderno chegado √† ribalta pelas m√£os da fantasia. Quando abrira gavetas e arm√°rios para tirar a roupa de que precisava, verificara que n√£o faltava ali nada que o benfeitor n√£o pudesse usar em qualquer circunst√Ęncia, por mais extraordin√°ria que ela fosse. Havia de tudo. Desde luxuosos Black Ties e toda a gama de pe√ßas de belas pe√ßas de cerim√≥nia. At√© √†s mais informais bermudas para a pesca de carpas num rio, de baixo do sol a ouvir o murm√ļrio das √°guas e o canto inebriante dos passarinhos. Tudo era efectivamente requintado e de bom gosto. Cal√ßas de ganga de marca, polos t-shirts, sapatos e acess√≥rios como num conto de fadas em que, no fim, tivesse uma donzela vestida de seda √† espera como o grande pr√©mio de toda uma vida.
           Desde sempre conhecera o amigo assim: um homem elegante, capaz de atrair os olhares de meio mundo por entre uma multid√£o. Nos √ļltimos tempos, a sua riqueza aumentara consideravelmente, tal como se Fausto tivesse nascido com o toque de Midas e a pobreza lhe fosse uma infelicidade vedada por um nascimento bem fadado. Agora era dono daquele hotel na montanha, um antigo chal√© que um dia um prospecto publicit√°rio lhe dera a conhecer, a ele, pobre viajante for√ßado, como um excelente local de ref√ļgio. Os pre√ßos, altos e rechonchudos, variavam, ainda assim, √† medida da almofada econ√≥mica dos clientes mais abastados daquele o√°sis. Embora ele, rapaz de aldeia e filho de gente modesta, n√£o pertencesse a essa elite dos pr√≠ncipes do dinheiro. Mas, a necessidade de ir para algum lado, esconder-se,  era muita. Uma verdadeira situa√ß√£o limite, em que se sentira lan√ßado depois de uma m√° jogada da sua parte com cartas que ele pr√≥prio viciara. Por isso se vira na necessidade de procurar o amigo, apesar de, insistia consigo mesmo,  o seu bolso n√£o ser nenhuma mina de diamantes. Muito menos uma caverna de Ali-b√°-b√° com as paredes a escorrerem ouro. Contudo, um dia, apesar de n√£o saber bem como, esperava pagar a estadia naquele para√≠so montanhoso e aquelas f√©rias for√ßadas. Ainda que para isso tivesse de vender a alma ao Diabo.
          Reconfortado depois de sair do banho, daquele ritual de felicidade e bem-estar, optou por umas cal√ßas caqui e uma t-shirt verde justa. Queria confundir-se com as √°rvores da floresta, pinheiro bravo, eucalipto, sobreiro, carvalho e azinheiras, onde, uns s√©culos atr√°s, algu√©m se lembrara de construir aquele robusto castelo destinado a durar mil√©nios. Para isso, fora aproveitada uma imensa clareira de areias, onde, aqui e ali, perdurava uma √°rvore de bom porte respeitada pelo construtor que lhe antevira futura e eterna utilidade. Os carvalhos, sobretudo, tinham atingido um tamanho gigantesco. Recortavam agora enormes sombras, que protegiam recantos onde bancos apraz√≠veis serviam para desfrutar em plenitude da tranquilidade verdejante da montanha e e da sua paz.

(continua)

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« Responder #3 em: Janeiro 31, 2020, 10:04:20 »

Escrita exemplar! Parabéns! Espero a continuação.
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Maria Gabriela de S√°
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« Responder #4 em: Fevereiro 03, 2020, 22:43:11 »

          III

..........Quando saiu do quarto, seriam umas seis horas. Dirigiu-se de seguida à entrada a passos contemplativos, observando os pormenores da decoração à sua volta. Já ali havia estado, sujo e tisnado, mal chegara, e, aí, ainda degradado, tinha sido recebido por uma mulher bastante jovem, bonita, a quem, num tráfico de influências descarado, teve de desarmar a má vontade inicial desencadeada pelo seu mau aspecto.
          A pergunta ‚ÄúPor favor, o Dr. Fausto est√°, selou-a ele com o seu nome, como se fosse chave de uma casa forte que guardasse dentro um segredo. Mas, agora, depois dos banhos de √°gua e de roupa de marca, sentindo-se outro, revigorado e atraente. Aproveitou por isso o seu bom aspecto para, sorrindo, se insinuar num galanteio:
          - Estou melhor agora?- ao que ela, sem revelar, apesar de tudo, uma simpatia como a que ele esperava de uma pessoa jovem do sexo feminino, respondeu com alguma ironia:
          - Bastante. Est√° parecido com o meu patr√£o‚Ķ
          - Pode dizer-me onde √© que ele est√° neste momento?
          - Venha comigo, se faz favor.
          A recepcionista caminhava √† frente como modelo de passerelle, enquanto o jovem olhava as elegantes pernas da rapariga, a insinuarem-se sob a mini-saia, que, com a camisa branca, o colete e o la√ßo negro, fazia parte da farda do hotel. Era atraente a empregada do hotel que seria agora o seu ref√ļgio por algum tempo.
          Encontraram Fausto sentado num bar que se valia do couro castanho para imprimir um ar masculino a todo o espa√ßo, e onde nenhuma mulher, at√© a√≠, adquirira o estatuto de dona. Nem do s√≠tio, nem do cora√ß√£o do amigo, que continuava como sempre o conhecera: sem ningu√©m e rodeados de mulheres ao mesmo tempo. Havia quatro maples de couro, alguns esp√©cimes embalsamados, umas cabe√ßas de veado. Todo o ambiente fazia lembrar animais mortos sob √† mira de uma espingarda, ao som dos seus estampidos e ao fogo azul dos ca√ßadores. A ca√ßa, por ali, seria frequente em qualquer √©poca do ano. Talvez como v√≠cio ou simples subjuga√ß√£o da liberdade de outras criaturas. Tanto por parte dos h√≥spedes, como do dono do hotel. Seria, talvez, at√©, uma das raz√Ķes pelas quais o chal√© era t√£o procurado. Sobretudo no outono, quando as neves n√£o tivessem ainda ca√≠do o suficiente para deixar as √°rvores prateadas e os animais inquietos, prestes a aventurar-se mais longe acossados pela fome desencadeada pelo escassear de recursos da esta√ß√£o que se avizinhava.
           Nas prateleiras atr√°s do balc√£o, as bebidas refulgiam das garrafas, e Fausto, n√£o tendo por perto o barman, de momento no terra√ßo ali √† frente das imensas portadas envidra√ßadas do bar a servir um cliente, ele pr√≥prio encheu o copo com a cerveja que o amigo manifestara vontade de beber. Acompanhou-o, depois, no seu whisky de doze anos, bebendo com gozo o almiscarado da bebida.
          Concentrados nas suas estrat√©gias de ataque ao tabuleiro, numa sala ao lado, dois homens jogavam xadrez numa mesa redonda, forrada pelo pano verde que, nos casinos de todo o mundo, apadrinha os jogos fortuna e azar deixando no ar um clima de esperan√ßa e  excita√ß√£o.
          De copo na m√£o, os dois amigos transpuseram as portas corridas das vidra√ßas e sentaram-se frente um do outro no terra√ßo, sorvendo os raios da tarde que se infiltravam curiosos por entre as agulhas belicosas dos pinheiros num moderado frenesim de vento leste.
         - Ent√£o, j√° te sentes melhor? - perguntou Fausto em tom intimista, procurando n√£o chamar a aten√ß√£o do homem que, ali no mesmo terra√ßo, bebia igualmente um whisky, cadenciado com as baforadas de um cachimbo que deixavam no ar um cheiro caracter√≠stico a tabaco havan√™s.
          - Bastante. Sinto-me um peda√ßo de ti metido na tua roupa. Um privilegiado ‚Äď acrescentou sorrindo ‚Äď. Estava capaz de fumar um cigarro para celebrar o meu estatuto de gentleman.
          - N√£o seja por isso. Tens prefer√™ncia por marca?
          - N√£o. Qualquer uma serve. Pode ser a que fumas, j√° que de momento sou uma esp√©cie de teu espelho.
          E Fausto, chamando o barman, entretanto liberto da anterior incumb√™ncia e j√° dispon√≠vel, pediu que lhes trouxesse um ou dois ma√ßos de tabaco e uma caixa de charutos cuja refer√™ncia indicou.
          - Vou fumar tamb√©m. Desta vez um havaiano.
          Depois da primeira baforada de um e outro, o mais recente h√≥spede agradeceu de novo a hospitalidade em voz mais ou menos sussurrada, concentrando-se a um tempo no fumo do cigarro e na bebida. N√£o queria dar a conhecer √†quele estranho, ali ao lado a perfumar o ar com o cheiro doce do seu cachimbo, a sua vida privada e todos os seus n√≥s.
          - Obrigado, Fausto. Ainda que um dia te pague, como conto, nunca conseguirei ver-me livre desta grande d√≠vida para contigo num momento de tanto aperto.
          - Ai pagas, com toda a certeza ‚Äď disse Fausto rindo com ar dissimulado. Se n√£o for neste mundo √© no outro! A prop√≥sito, j√° te registaste na recep√ß√£o com a Orlanda?
           - Ainda n√£o.
           - Bom, √© melhor que o fa√ßas. Embora seja eu o dono, tem de haver um certo controlo. At√© para salvar as apar√™ncias. Como deves calcular, n√£o estou imune ao fisco, , apesar de n√£o ser um pagador imaculado de impostos ao estado ‚Äď disse no mesmo tom reservado com que iniciara a conversa e como quem v√™ no interlocutor um cofre capaz de guardar grandes segredos.
          - N√£o tens de justificar. E vou daqui a pouco ter com ela. Por sinal n√£o √© l√° muito simp√°tica, a tua recepcionista‚Ķ
          - Mas √© discreta. N√£o anda por a√≠ a propalar a vida dos h√≥spedes do hotel, que √†s vezes a tomam por confidente. Ainda assim, n√£o d√™s o teu nome verdadeiro‚Ķ Se os sarilhos andam atr√°s de ti, √© melhor que demorem a encontrar-te‚Ķ
          - Tens raz√£o. E como achas que deva chamar-me? ‚Äď perguntou sem ideias para o seu baptismo tempor√°rio na montanha.
          - Se eu fosse Robinson Cruzoe, chamava-te Segunda-Feira, por causa do dia em que chegaste. Mas talvez isso desse aso a confus√Ķes e mal-entendidos. Sobretudo no in√≠cio da semana. Deveria parecer que se estava a invocar o tempo e a fazer rituais de magia sobre ele sabe-se l√° com que intuitos. Que tal Domingos?
          - Domingos‚Ķ Sim, Domingos parece-me bem. Os domingos s√£o os dias de n√£o fazer nada. Talvez j√° n√£o seja bem assim, desde que que os centros comerciais nasceram. Mas pelo menos ainda v√£o tendo essa fama.
          - Ent√£o, a seguir, quando acabarmos de beber, vais ter com a Orlanda. Diz-lhe que te furtaram os documentos quando vinhas para aqui. Depois j√° posso apresentar-te aos restantes h√≥spedes do chal√©. S√≥ do chal√©, porque para todos os outros, os dos pavilh√Ķes entretanto acrescentados a este corpo principal, n√£o me chegaria a eternidade ‚Äď brincou, agora sem medo de ser ouvido pelo vizinho do terra√ßo.
         - E este aqui ao lado √© quem? ‚Äď perguntou em voz surda, com um trejeito de cabe√ßa, apontado para o homem que,  com eles,  partilhava pachorrento  o fim da tarde. Era elegante, de gestos finos, aparentemente moldados muito mais do que a dinheiro, por um ber√ßo de ouro que lhe permitiria enganar qualquer um sem levantar a mais leve desconfian√ßa.
         - Mateus Rosa, um banqueiro falido a contas com a justi√ßa ‚Äď disse Fausto j√° longe do terra√ßo, com Domingos a dirigir-se √† recep√ß√£o, onde Orlanda parecia estar a aguard√°-lo como mais um indesej√°vel D. Juan, acerca de quem deveria ficar sempre de p√© atr√°s.
         - Hoje em dia os banqueiros t√™m bastante m√° fama. Quase tanto como os homicidas. Apesar de pagarem bem menos do que os assassinos √† cadeia. T√™m deixado milhares de pessoas na mis√©ria por d√° c√° aquela palha. E cada dia s√£o mais e mais sofisticados. Multiplicam-se como pragas no ver√£o fugindo ao calor. Entretanto, v√™m para o teu hotel repousar como nababos‚Ķ
         - Desde que me paguem!... E n√£o julgues ningu√©m. As coisas nem sempre s√£o o que parecem‚Ķ
         Domingos voltou para o mesmo s√≠tio, depois de resolver a burocracia junto de Orlanda, constando agora como mais um h√≥spede com prerrogativas especiais junto do patr√£o. Pediu entretanto uma nova cerveja gelada, desta vez servida pelo barman, um homem dos seus quarenta anos, vestido com a mesma farda da recepcionista na vers√£o masculina que uniformizava a criadagem. Fausto regressou tamb√©m, repetindo a bebida que Paulo lhe serviu entretanto num copo largo ornado a pedras de gelo, fundidas paulatinamente com o whisky no intervalo de cada gole, √† medida que o tempo passava. O banqueiro j√° se havia retirado para a saleta onde os dois clientes, num mundo √† parte, se dedicavam ao jogo de xadrez como a partida das suas vidas. Sem um parceiro para os imitar, Mateus Rosa pegou em dois baralhos de cartas da gaveta de uma mesa e entreteve-se a jogar paci√™ncias ao lado, esperando pela hora do jantar. Ou talvez aguardasse a companhia feminina que, desde que chegara, uns dias depois do velho banqueiro, lhe fazia uma companhia melada por sorrisos carregados de segundos sentidos. As mulheres demoram sempre uma eternidade a sair do quarto quando t√™m de se apresentar perante um homem a quem querem agradar por algum motivo.

(continua)
« Última modificação: Fevereiro 04, 2020, 13:12:54 por Maria Gabriela de S√° » Registado
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« Responder #5 em: Fevereiro 08, 2020, 18:35:06 »

O rapaz do isqueiro assassino é um mistério. Mistério, suspense, amor e o que mais vier, são ingredientes para um bom cozinhado literário. Estou curioso.
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Maria Gabriela de S√°
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« Responder #6 em: Fevereiro 08, 2020, 22:18:34 »

Capítulo IV (1ª parte)



          -J√° me tornei oficialmente Domingos Saraiva, como me sugeriste. Vou ficar na suite n√ļmero quarto.
          -√Č muito boa.
          -A Orlanda √© que que continua pouco receptiva √† simpatia dos clientes‚Ķ Uma cara fechada com um punho. Nem por eu ser teu amigo.
          -L√° ter√° as suas raz√Ķes. De onde ela veio as coisas com os homens n√£o eram f√°ceis‚Ķ
          -N√£o me digas que se tornou l√©sbica por um acumular de desilus√Ķes?
          -Longe disso‚Ķ- murmurou Fausto como quem est√° prestes a contar um segredo a um amigo, certo de que segredo e amigo tombariam no mesmo dia e em cova √ļnica, finda a vig√™ncia terrena de cada um.
          Depois, prosseguiu com alguma descri√ß√£o:
          -Um dia, quase como tu, Orlanda chegou aqui bastante maltratada, desesperada quase a vomitar as v√≠sceras‚ĶN√£o veio como h√≥spede, mas sim pedir emprego. Era prostituta e teve um problema bicudo com um cliente numa noite de excessos. Passou alguns anos na cadeia, uma ave bonita presa sem gl√≥ria por causa dos maus instintos de um cavalheiro perdido de b√™bado. Ali√°s como o Paulo, o barman, igualmente um homem da noite, na vertente do prestador de servi√ßos, atr√°s de um balc√£o ou por entre as mesas da fauna nocturna. Este tamb√©m se viu envolvido num crime ocorrido numa discoteca. Nessa altura, um jovem foi para o outro mundo fulminado por uma bala cega, dirigida a outro e cujo lugar o pobre rapaz, por azar, tomou‚Ķ
          -Que horror!... ‚Äď espantou-se Domingos, calando-se a seguir durante uns segundos, impressionado com a hist√≥ria ‚Äď. Mas e a Orlanda, a que missa foi? ‚Äď perguntou, em crescendo de curiosidade e alguma apreens√£o, √† medida das revela√ß√Ķes do amigo sobre o passado dos seus funcion√°rios. Demasiado macabro. Era demais para o primeiro impacto.
          -Mais ou menos a mesma coisa‚Ķ ‚Äď acrescentou Fausto ‚Äď.  Certa ocasi√£o, um cliente quis roubar-lhe o apuro da jorna, que ela, da√≠ a nada, teria de dar ao chulo. Mas, antes de o conseguir, o sujeito travou conhecimento com a navalha pouco amistosa de Orlanda. E assim foi despachado de uma vez para o outro lado num s√≥ golpe, cego e certeiro. Depois, quando ela aqui chegou, como era e ainda √© muito bonita, aproveitei-a para a recep√ß√£o, onde agora tu lhe cobras sorrisos que ela n√£o se sente muito disposta a esbo√ßar‚Ķ
          -Bem poderia ser mais af√°vel‚Ķ Antes tamb√©m o devia ser. De contr√°rio n√£o teria clientes. Seria bem mais f√°cil para ela limpar a folha de servi√ßo que a cadeia n√£o costuma branquear. Bem pelo contr√°rio! Na cadeia a troca de experi√™ncias √© sempre muito enriquecedora para quem queira tornar-se num profissional do crime e h√≥spede regular da pris√£o.
          -E onde √© que uma prostituta de rua tem de ser simp√°tica? Tem √© de ser eficiente!
          -Tamb√©m. Mas uma coisa n√£o tira a outra‚Ķ
          -Isso √© mais no caso das acompanhantes de luxo, que √†s vezes tamb√©m aparecem por aqui‚Ķ Essas √© que t√™m de usar a m√°scara da simpatia e do chame para sangrar a carteira do cliente.
          No terra√ßo, a conversa decorria entre os dois homens, que, apesar de n√£o se verem havia alguns anos, era como se se tivessem despedido de v√©spera, no fim de um copo entre amigos, para a vida e para a morte, celebradas uma e outra no mesmo aperto de m√£o.
Fausto era um homem a quem era dif√≠cil atribuir a idade. Aparentava ser bastante mais velho do que Domingos, entre um pai que tivera um filho ainda jovem e um irm√£o com mais dez ou quinze anos em cima. Teria o seu metro e oitenta de altura, e uma estrutura bem proporcionada entre ossos e m√ļsculo. E, sobre um pesco√ßo esguio, um rosto fino apresentava-se t√£o perfeito como se se tratasse do melhor retrato de um pintor famoso que tivesse caprichado nos mais √≠nfimos pormenores. O cabelo era de um louro cor de cobre, ondulado, levemente ca√≠do sobre uma testa alta, no fundo da qual dois olhos verdes atribu√≠am um ar sedutor ao seu dono. Sobretudo quando combinados com o sorriso, nascido nuns l√°bios serenos que pareciam fazer parte da boca de um anjo. Poderia dizer-se que Fausto era um homem muito belo.
          Quase no fim da bebida, e depois de um sil√™ncio em que Domingos digeria as confid√™ncias do amigo ao mesmo ritmo com que bebia a cerveja, o rec√©m-chegado prosseguiu:
          -Ent√£o, dedicas-te √† reciclagem humana e √†s novas oportunidades‚Ķ - disse Domingos com alguma hesita√ß√£o, tentando interiorizar o assunto e sorrindo,por causa da mat√©ria-prima usada para aquilo que deveria ser uma nova pessoa. Ou v√°rias novas pessoas, depois de todas se despirem do passado tenebroso como quem despe uma camisa suja e, ap√≥s um banho regenerador, veste a seguir lantejoulas. Como ele pr√≥prio fizera h√° pouco.
          -Podes diz√™-lo, sim. Novas oportunidades. Segundas, terceiras, quartas oportunidades e por a√≠ adiante. Nunca desisto de ningu√©m, nem morto. Interesso-me sobretudo por casos destes, sobre quem ningu√©m apostaria uma unha para a limpeza de uma latrina. Em cada ser humano, se n√£o se conseguir aproveitar tudo, h√° sempre alguma coisa de √ļtil. Raramente uma ma√ß√£ est√° toda apodrecida. No m√≠nimo, h√°-de ter caro√ßos para semente. Acho que √© at√© por causa disto que a vida cada vez me corre melhor. Puro bafejo da sorte.
          -Pois, j√° vi que continuas a prosperar‚Ķ ‚Äď observou Domingos espraiando o olhar nos pinheiros, onde os raios de sol se tornavam cada vez mais obl√≠quos embora ainda longe do fim do dia -. Parab√©ns por este magn√≠fico hotel de montanha.
          -Obrigado. Devias seguir o meu exemplo. Agregar pessoas perdidas a favor de uma boa causa.
          -E recebes alguma coisa da Seguran√ßa Social por este teu servi√ßo humanit√°rio?
          -N√£o. N√£o recebo. Nem quero. Se assim fosse, n√£o era solidariedade com os ‚Äúmalditos‚ÄĚ, iguais √† Orlanda e aos outros, mas sim aproveitamento. Pelo menos numa boa parte. Tenho c√° mais como ela. E at√© muitos dos que recebem por empregar ex-reclusos e marginais‚Ķ Na realidade, a maioria desses empregadores acaba por vir para aqui gastar o dinheiro, ganho com essa falsa caridade depois de fazerem umas quantas trapa√ßas para chegar ao pote‚Ķ Mas, agora reparo, desde que chegaste n√£o comeste nada. Tens fome ou queres esperar pelo jantar?
          -N√£o, n√£o tenho grande fome. Posso esperar. Como pouco‚Ķ
          -Consegues aguentar at√© √†s nove horas ou preferes enganar o est√īmago at√© l√° com um tri√Ęngulo de queijo e um brioche?
          -N√£o quero comer nada. Esperarei at√© essa hora.
          -Ent√£o, enquanto esperamos, vou mostrar-te o hotel no seu conjunto e todos os seus mist√©rios. Quer do chal√©, quer dos novos pavilh√Ķes. Esta parte aqui √© para os milion√°rios, os que nadam em riqueza melhor do que tu nadar√°s numa piscina de √°gua quente. A parte restante √© para m√ļsicos a quem o dinheiro n√£o telinte t√£o harmoniosamente como no bolso de banqueiros iguais a Mateus Rosa.

(excerto do IV capítulo) continua
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« Responder #7 em: Fevereiro 10, 2020, 19:31:10 »

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Maria Gabriela de S√°
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« Responder #8 em: Fevereiro 10, 2020, 22:37:21 »

IV

          Preparavam-se para se levantar, a fim de encetarem a visita, quando Domingos pegou no isqueiro de ouro com que acendera h√° pouco o cigarro, fazendo men√ß√£o de fumar de novo.
          -N√£o fumes agora. √Č proibido faz√™-lo l√° fora, em quase todos os lados. J√° viste se uma ponta de cigarro distra√≠da se abra√ßasse a uma giesta seca e os dois inflamassem tudo como s√≥ o fogo √© capaz? Embora haja a√≠ um lugar onde √†s vezes certos h√≥spedes v√£o fazer rituais √† roda de uma fogueira, como meninos que de inocentes nada tem!... S√≥ que eu n√£o vejo e n√£o consigo impedi-los‚Ķ Talvez nem queira, por raz√Ķes econ√≥micas √≥bvias‚ĶVamos l√° passar daqui a bocado.
          -Desculpa, n√£o pensei nisso. Tens toda a raz√£o. Seria um perigo. Mas √© que estou mesmo a ressacar‚Ķ N√£o tenho fome, contudo, preciso de meter qualquer coisa nos l√°bios e na boca‚Ķ
          -Pois, mas n√£o √© nada disso‚Ķ - disse Fausto com algum mist√©rio e uma boa ponta de compreens√£o ‚Ķ - Chegaste h√° cerca de tr√™s horas, com o tempo de viagem, e ainda n√£o alimentaste esse animal‚Ķ
          Domingos baixou os olhos.
         -Desculpa ‚Äď disse de novo, certo de que, como o seu hospedeiro dissera que nunca o tinha perdido de vista, lhe conhecia assim todos os v√≠cios de humano fr√°gil entre os fortes, que ele n√£o se orgulhava de ser -. Talvez tenha de ir embora mais cedo por causa do animal a que te referes‚ĶDepois volto c√° devolver-te a roupa e os t√©nis‚Ķ
          -N√£o penses nisso, nem te preocupes‚Ķ Vou resolver-te o problema por agora. Anda comigo.
          E, entrando no bar, atravessaram depois a ampla recep√ß√£o, onde Orlanda continuava atr√°s do balc√£o, a conferir se as chaves dos quartos estavam penduradas nos s√≠tios devidos e a verificar o livro de entradas. √Ä frente tinha o computador e um telem√≥vel, o que, aliado √† ansiedade por causa da ressaca em progress√£o, provocou no rapaz um certo p√Ęnico.
          -S√≥ agora me dou conta de que n√£o trouxe o meu. Devo t√™-lo perdido durante a viagem. Se precisar de telefonar ou mandar uma mensagem n√£o posso faz√™-lo‚Ķ.
          Fausto, no cimo do lan√ßo superior da escadaria que levava aos dois andares superiores, no √ļltimo dos quais, com uma vis√£o de muitos graus sobre a montanha, era o seu quarto, estacou e puxou para cima Domingos na frase que proferiu num √™nfase mais ou menos c√≥mico:
          -Para que queres tu um telem√≥vel quando aqui nem sequer h√° rede? Os h√≥spedes v√™m para se verem livres do mundo, n√£o para se me meterem na boca dele!
          Domingos respirou fundo, tentando engolir o seu imperdo√°vel esquecimento. Sorriu de seguida, salvo pela pureza da montanha, imperme√°vel em boa parte √†s tecnologias de globaliza√ß√£o que nos tornava um alvo f√°cil da devassa alheia em qualquer parte do mundo.
          Ap√≥s o absurdo do telem√≥vel, juntamente com o anfitri√£o, o rapaz subiu at√© ao quarto onde estivera h√° pouco e de onde sa√≠ra metido na roupa do amigo.
          Fausto, de uma das paredes da sua suite, de baixo de um quadro de uma crian√ßa a chorar pintado por Giovanni Bragolin, depois de abrir um cofre embutido na referida parede, retirou dele um pequeno saquinho de pl√°stico com algo branco e macio no seu interior. Ao lado, ainda no cofre, havia um recipiente de pl√°stico com tampa, de onde Fausto tirou tamb√©m uma pequena colher de caf√©, um pedacinho de papel vegetal e uma palhinha. A seguir mandou sentar Domingos em frente ao tocador espelhado dos seus perfumes, e, deitando com a colher uma pequena pitada do produto sobre o papel, disse-lhe com cinismo dissimulado:
          -O quadro √© de mau gosto, mas para mim √© uma esp√©cie de fetiche‚ĶAnda, senta-te e snifa um bocado. Ou, se preferires, tens aqui uma seringa e tudo o que precisas se optares pela veia. Mas √© s√≥ por hoje!... Isto √© apenas para situa√ß√Ķes de crise. N√£o quero ter de chamar ao hotel o INEM para nenhum h√≥spede a trepar pelas paredes como um gato assanhado no meio de uma ressaca de coca√≠na ou de qualquer outra coisa!
          E deixou o rapaz sozinho por alguns minutos, em frente ao toucador, enquanto ele, atrav√©s da ampla janela do quarto, olhava a montanha com um olhar misterioso e dominador simultaneamente.

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Boa noite feliz para todos.
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Boa tarde!
Novembro 29, 2019, 17:35:53
Boa tarde a todos!
Novembro 12, 2019, 18:18:18
um abraço para a administração, para quem dinamiza este espaço, seja como escritor, como leitor, como comentador.
Novembro 12, 2019, 18:15:54
margarida, plenamente de acordo.
Novembro 11, 2019, 11:31:31
Bom dia. Se todos fizerem igual, n√£o h√° coment√°rios.
Novembro 09, 2019, 14:53:10
Oi Dion√≠sio. Obrigado pelo teu coment√°rio. Desculpa eu ser relapso a fazer muitos coment√°rios. Evito-os, para n√£o  louvar uns ou criticar outros. Prefiro ficar na minha, ficar no que me parece. O meu principio geral: escrever, quem l√™ l√™, quem n√£o l√™ n√£o l√™. Ponto. Leio poesia d'outros, m
Novembro 01, 2019, 14:41:40
Boa tarde  todos. Os que est√£o e os que vir√£o.
Outubro 31, 2019, 14:58:38
Parabéns, Figas. Parabéns a todos os que lêem e que escrevem, parabéns a todos os que partilham escritas e comentários.
 
Outubro 10, 2019, 12:24:06
Bom dia. Hoje, andaei a pastar pelas 351 páginas da poesia e encontrei 32 poemas meus, milionários de leituras. com média de 1209 leituras cada. Obrigado a todos os meus contribuintes de lucros poéticos. FigasAbração, a todos. Nota: O Campeão é o Linguagem Decente, com 3692 leituras.Viva a D
Julho 29, 2019, 22:55:56
Olá para todos! Boas histórias e boas escritas!
Julho 02, 2019, 07:05:22
Bom dia!
Junho 28, 2019, 14:37:28
Boa tarde. Hoje, apeteceu-me saudar todos os que aqui tentam p√īr arte na pena. Figasabra√ßo
Maio 18, 2019, 19:22:13
Ol√°! Boa leitura e boa escrita para todos!
Maio 01, 2019, 17:26:47
Boa escrita e boa leitura para todos!
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