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Autor Tópico: As putas de Amsterdam  (Lida 3225 vezes)
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Antonio
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« em: Setembro 16, 2007, 22:35:34 »

Dans le port d´Amsterdam
Y a des marins qui boivent
Et qui boivent et reboivent
Et qui reboivent encore
Ils boivent à la santé
Des putains d´Amsterdam…


(Jacques Brel)


Já vos falei da viagem do meu curso de uma forma genérica.
E prometi contar-vos umas historietas. Eis uma delas:

Já na fase descendente do trajecto e após uma semana na Alemanha, chegamos finalmente a Amsterdam. Era um dos momentos mais esperados. A grande cidade era, na altura, o maior centro do movimento hippie na Europa. Algumas semanas antes, a praça central – o Dam – estava inundada por centenas ou milhares dos bizarros pacifistas. De tal modo, que o governo local vira-se na necessidade de os mandar sair dali. Como a ordem não tivesse sido acatada, uma intervenção da polícia à mangueirada tinha provocado o efeito pretendido.
Apesar de tudo, chegados ao hotel, cumpridas as formalidades habituais, atribuídos os quartos e arrumadas as coisas, lá fui com um grupo mais ou menos numeroso até ao Dam. Hippies, nem vê-los.
Mais umas voltinhas pela zona central, os colegas foram dispersando e acabamos juntos quatro mariolas. Eu, o Jacinto, o Afonso e o Domingos.
- Malta! – disse o Jacinto – Vamos até à “zona”?
- Siga! Temos de perguntar o caminho – apoiou um dos outros.
- Jantamos por lá! – sugeriu o sempre esfomeado Jacinto.
A “zona”!
Finalmente íamos ver a famigerada “zona” de Amsterdam.
O local de concentração da legalizada prostituição. Ficava perto do Dam.
Quando lá chegamos ainda era dia. Ao longo de dois canais, cada um deles ladeado por duas ruas ligadas por velhas pontes, numa extensão de 200 ou 300 metros, e com outras veredas, transversais, a fazerem a ligação entre os canais, estendia-se o casario típico das velhas construções dos Países-Baixos.
Mas, o que era verdadeiramente surpreendente eram as janelas de vidro único dessas casas: dentro de cada uma delas estava um mini quarto, ocupado por uma meretriz parcamente vestida, com uma pequena cama, almofadas, cadeira ou sofá, enfim, o necessário para tornar a entrada apetecida aos transeuntes mas carenciados. Nas ruas andavam principalmente turistas. Homens e mulheres, novos e velhos.
Havia ainda umas sexy-shops e umas casas de strip-tease que viemos a verificar serem bem foleiras.
Mas o centro das atenções eram as mulheres em exibição. A maioria novas, elegantes e bonitas. Também havia uns camafeus, mas poucos. Bastantes negras. Mas as loiras predominavam.
Completamente embasbacados, os quatro demos uma volta de reconhecimento e decidimos ir comer qualquer coisa. Rapidamente, pois queríamos voltar aos canais.
E por lá andamos até à meia-noite ou perto disso. Depois, a fadiga da viagem levou-nos para a cama.
Mas na noite seguinte, ainda em Amsterdam, voltamos para a “zona”. Os quatro. Outros colegas andavam por lá, alguns com as namoradas que ao longo da viagem tinham aprendido a encarar estas coisas com muito “fair-play”.
Entretanto, tivemos oportunidade de apreciar alguns clientes a entrar. Imediatamente uma cortina corria e impedia qualquer espreitadela para ver sexo ao vivo. Cronometramos. As sessões eram rápidas. Dez a quinze minutos. Perguntamos o preço: cinquenta marcos alemães (pois...moeda forte) que valiam na altura (fins de Março de 1972) cerca de dois euros.
Mais umas voltinhas e o Afonso arrasou:
- Vou entrar!
- Força, pá! – dissemos nós.
Meu dito, meu feito. O arrojado portuga, com o seu ar bem parecido, entrou por uma das portas e foi para um quarto. Fechou-se a cortina. Começamos a cronometragem.
Cinco minutos. Dez minutos. Quinze minutos. Vinte minutos.
- Porra! O gajo é do caraças! – comentou um de nós.
- Os portugueses são assim – ironizou outro.
- O certo é que não vimos ninguém a demorar tanto tempo – comentei eu.
Ao fim de quasi meia-hora sai o nosso comparsa.
Mão nos bolsos do elegante sobretudo (as noites estavam frias) e um sorriso nos lábios.
- Então, pá? Conta lá isso!
- Tintim por tintim...
- Foi porreiro – disse o nosso herói.
- Mas como conseguiste aguentar tanto tempo?
- Vocês não sabem que eu sou bom? – gabou-se o Afonso.
E fomos caminhando.
A certa altura, o valentão parou e assim falou:
- Tenho de vos confessar uma coisa. Paguei...e não fodi!
- Como? – dissemos em coro – Então que aconteceu?
E o pobre Afonso lá nos contou que entretanto apareceu outra prostituta que, aparentemente, lhe dizia que tinha de pagar mais um tanto e ter relações com as duas, porque não podia ser só com uma, porque...porque...e depois falavam uma língua que não percebia. Até que entrou um homem. Aí, o nosso amigo é que não gostou mesmo nada da cena e acabou por sair.
- Mas pelo menos apalpei uma mama à gaja! – rematou com ar conformado o nosso ex-herói.
« Última modificação: Setembro 16, 2007, 22:37:39 por Antonio » Registado
Goreti Dias
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« Responder #1 em: Setembro 17, 2007, 19:53:34 »

Confesso que não apreciei muito a linguagem...
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Goretidias

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Antonio
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« Responder #2 em: Setembro 17, 2007, 20:52:36 »

Quando jovens (especialmente nortenhos) conversam é esta a linguagem que usam.
Aliás, até está propositadamente moderada para só haver vernáculo q.b.
O Jacques Brel usa linguagem idêntica, reparaste?
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João Videira Santos
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pela arte, com arte!


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« Responder #3 em: Setembro 19, 2007, 22:18:51 »

As "meninas" de Amsterdam, não são chamadas pelo que, vulgarmente, aqui conhecemos.
Exibem-se em montras, "prestam serviços" e...estão sindicalizadas.
Será duro de "absorver" por algumas mentalidades,mas...é assim mesmo!
Brel, chamou o que chamou às ditas e ficou a saber o que são umas "tomatadas" quando cantou a canção pela primeira vez na Holanda...
« Última modificação: Setembro 19, 2007, 22:23:38 por João Videira Santos » Registado
Tino Saganho
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« Responder #4 em: Outubro 09, 2007, 10:59:09 »

Disse uma verdadee!
Em Amsterdam funciona assim...

O título... é pouco elegante.   
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Antonio
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« Responder #5 em: Outubro 09, 2007, 12:33:36 »

É vernáculo!
Quando acho que devo usar o vernáculo, uso.

Abraço
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Antonio
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« Responder #6 em: Dezembro 31, 2007, 13:03:21 »

Ora vejam como sou malcriado!
ihihihih
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Antonio
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« Responder #7 em: Dezembro 31, 2007, 13:53:56 »

Obrigado pela tua opinião!
Beijo
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margarida, plenamente de acordo.
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Bom dia. Se todos fizerem igual, não há comentários.
Novembro 09, 2019, 14:53:10
Oi Dionísio. Obrigado pelo teu comentário. Desculpa eu ser relapso a fazer muitos comentários. Evito-os, para não  louvar uns ou criticar outros. Prefiro ficar na minha, ficar no que me parece. O meu principio geral: escrever, quem lê lê, quem não lê não lê. Ponto. Leio poesia d'outros, m
Novembro 01, 2019, 14:41:40
Boa tarde  todos. Os que estão e os que virão.
Outubro 31, 2019, 14:58:38
Parabéns, Figas. Parabéns a todos os que lêem e que escrevem, parabéns a todos os que partilham escritas e comentários.
 
Outubro 10, 2019, 12:24:06
Bom dia. Hoje, andaei a pastar pelas 351 páginas da poesia e encontrei 32 poemas meus, milionários de leituras. com média de 1209 leituras cada. Obrigado a todos os meus contribuintes de lucros poéticos. FigasAbração, a todos. Nota: O Campeão é o Linguagem Decente, com 3692 leituras.Viva a D
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Olá para todos! Boas histórias e boas escritas!
Julho 02, 2019, 07:05:22
Bom dia!
Junho 28, 2019, 14:37:28
Boa tarde. Hoje, apeteceu-me saudar todos os que aqui tentam pôr arte na pena. Figasabraço
Maio 18, 2019, 19:22:13
Olá! Boa leitura e boa escrita para todos!
Maio 01, 2019, 17:26:47
Boa escrita e boa leitura para todos!
Março 30, 2019, 10:37:35
Boas leituras e boas escritas para todos!
Janeiro 27, 2019, 19:36:43
Boa noite feliz para todos.
Janeiro 11, 2019, 09:21:27
Olá para todos!
Dezembro 24, 2018, 21:55:27
Boas Festas.
Novembro 03, 2018, 14:19:38
Claro que sim, Mateus. Vamos lá puxar pelos neurónios?
Novembro 01, 2018, 18:36:27
Olá para todos!
Novembro 01, 2018, 15:51:21
A ideia com que fiquei em conversas, era a de que se pretendia fazer, uma sequela do "esfaqueador". Agora estou baralhado.
Outubro 31, 2018, 18:31:48
Temos um tópico em aberto "sem título". Podem entrar. A ideia é fazer algo ao jeito do Esfaqueador da Régua. Estão convidados!
Setembro 12, 2018, 14:34:00
Esfaqueador da Régua, aqui nascido, terá o seu lançamento na Feira do livro do Porto, dia 21 de Setembro.
Julho 04, 2018, 13:54:05
Bom dia.
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