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 em: Dezembro 04, 2022, 22:12:13  
Iniciado por Maria Gabriela de Sá - Última mensagem por Maria Gabriela de Sá
Estão a chegar as personagens, fresquinhas como o pão pela manhã.




∩
César
A orquestra está a postos para encerrar, com pompa e circunstância, este jantar maluco. Mas, antes, tenho ainda de elaborar a bendita petição.
Não sei por que artes mágicas, mas, ao lado dos meus códigos e dos livros de aramaico de Mel Gibson, apareceu um computador portátil. Caiu como sopa no mel, passe a doçura do nome do grande ator aqui presente, para nossa sorte. Já estou farto de conhecer as queixas de uns e de outros, mas convém alinhá-las para não cometer argoladas.
A Clara quer repor a verdade quanto à identidade dela, usurpada pela Lilicas e pela Sara; o Agricultor tio dela quer regressar à vida simples de outrora, quando a sobrinha, de vez em quando, o levava a passear juntamente com a mulher; a Padeirinha cusca, vaidosa e inteligente, sente-se lesada, dado não passar de uma personagem construída para o livro do meio com pedaços de umas e outras mulheres da antiga trama. O mesmo se passa com a Doutorinha, e até o Gordo foi construído como uma criatura ridícula, com fetiche por pedras preciosas e camisas pretas, por uma, em especial. Já para não falar do Professor, uma falácia completa. Este foi rabiscado, inclusivamente, de uma criatura feminina, a minha professora da instrução primária, que, no livro do meio, surge como meia bruxa, meio “stripper”. Até parece um ser da mitologia helénica, quando os deuses e outros entes tinham cabeça de gente e corpo de cavalo, só para dar um pequeno exemplo. Os membros menos importantes das Placas Tectónicas, a loura e a japonesa, entre outros, também não acharam graça nenhuma ao facto de as terem metido a catorze mãos e à força num livro cuja chave mestra é o romance da mamã.
Já agora, por uma questão de facilidade na exposição, ao livro ridicularizado irei atribuir-lhe um código: a partir deste momento, chamar-se à, “ O sexo forte – Memórias de um Ressuscitado” e o do meio já tem nome, é “O Livro do Meio”, ponto final.
Mas, continuando, o Professor, depois de ter deixado de beber mistelas, que o deixavam completamente desnorteado, quando passou a alucinar com a Jurema, muito mais eficiente, até a velha gabardina lhe começou a meter nojo. A ponto de querer sair também do romance, igualmente por causa de uma identidade falsa em que o meteram e para lá de muito pouco ortodoxa. E até o Velho Russo, a múmia que se fez representar no jantar pelo meu primo, lá da infinita morada dele, deve ter mandado esta gente toda bugiar. Ninguém o deixa em paz, no sítio onde está. Possivelmente no Inferno, onde um dia, se Deus não resgatar estas oito almas pecadoras e transviadas por causa de um pecado de gula literária, todos irão encontrar-se. Então, nessa altura, o maligno que faça deles o que quiser. Como são oito, podem fazer duas mesas de sueca, e o Velho, a Múmia, que é, segundo dizem, o secretário-mor do Demo, que veja se algum é inocente e que o mande para a porta ao lado. Ou, se for caso disso, que o envie para uma desinfecção espiritual prévia, a fim de a criatura entrar no céu sem qualquer salpico de uma tramóia tão sórdida como foi o Livro do Meio.
A mamã manda-me avançar sem perda de tempo com a petição. Mas eu tenho de fazer o levantamento do número de personagens queixosas e suas razões. Além do mais, ainda faltam aqui as minhas próprias razões. Aliás, são semelhantes às da maioria. A começar por usurpação de identidade, introdução em casa alheia, entre outras coisas, mas, sobretudo, porque me retiraram de um livro onde o sexo era a rodos, para me enfiarem, com outro nome e anjo de corpo inteiro, nos braços de uma mulher bíblica e amante de coitos em ambiente tipo semáforo. Estão a ver a grosseira falsificação que fizeram de mim quando engendraram um anjo como Gabriel, com sexo e tudo?
Depois, ainda tenho de perguntar à mamã se vamos deixar de fora “aquele” de quem nem o nome se pode dizer, vindo diretamente, embora camuflado, de Jorge Luís Borges, para a cabeça dos parodiantes numa espécie de osmose colectiva. Ela acaba de me responder. Diz-me que sim, porque sendo “Ele” uma entidade para lá de ruim e a viver no tempo e no espaço sem fim e a fazer sabe Deus que maldades, é melhor não a invocar nesta trama… sob pena de “A Sátira do Livro Roubado “se tornar num livro maldito, quando o que a mamã quer é torná-lo numa obra do agrado de quase toda a gente. E ela diz quase por razões óbvias. No mínimo, excluem-se oito pessoas. Quando elas lerem esta nossa autodefesa, hão-de por certo excomungar-nos, deixando-nos sem hipótese de reabilitação por mais bondoso que um papa de Roma seja.
Bem, mas adiante, uma vez que não podemos contar com a presença da maquiavélica criatura de quem nem o nome se pode pronunciar, o melhor é dar início ao trabalho, pelo que aqui fica o rascunho:

Ao Digníssimo Magistrado do Ministério Público da Comarca competente:

Vêm todas as personagens, identificadas ao longo do romance “ A Sátira do Livro Roubado”, apresentar queixa-crime contra a oficina dos livros, com sede no local supra indicado e representada pela Dona Tita Lívia (também interventora na ação criminosa) e contra os autores do romance “ O Livro do Meio”, em virtude de o mesmo ser uma sátira grosseira do romance da autora igualmente supra identificada, intitulado “ O Sexo Forte – Memórias de um Ressuscitado”.

Com efeito o “manuscrito”, elaborado em computador e com formato de livro, foi apresentado à editora, por carta registada, para eventual publicação, em tempo oportuno, acompanhado de fotocópia do bilhete de identidade da autora, depois de registado na entidade competente;

Em doze de Julho de dois mil e quatro, a oficina dos livros, na pessoa da Dona Tita Lívia, respondeu à autora, dizendo que não iriam publicar a obra, agradeceu o contacto e referiu que não se responsabilizaria pela manutenção do “manuscrito” escrito á máquina mais propriamente dito;

Uma vez que a autora tinha os direitos de autor acautelados, não se preocupou com o destino do “manuscrito”, que imaginou logo a ser guilhotinado, como se a lombada dele fosse o pescoço de Maria Antonieta. A autora tem em casa vário CDS com o texto a que, entretanto, fez ligeiras alterações; Além de que, a inação da autora nunca poderá ser entendida com autorização tácita para, fosse quem fosse, esfrangalhar a sua obra, e o silêncio também não pode ser entendido com a mesma validade de tácita autorização.

Em doze de Maio de dois mil e oito, qual não foi o espanto da autora quando, depois de uma amiga lhe ter emprestado o Livro do Meio, ao ler as cinco primeiras páginas da 7ª edição, reconheceu de imediato a sua ideia, algo modificada, as suas personagens também alteradas, e muitas das suas palavras, de que, só para ilustrar esta petição, se menciona aqui a célebre “hérnia discal”, comum às personagens masculinas César, o “Cara de Anjo”, do Livro “ O Sexo Forte” e de Gabriel, o “anjo”, de “O Livro do Meio”.

Com efeito, a editora e os autores do Livro do Meio não só privaram autora de ser reconhecida como escritora, como ainda se aproveitaram da sua obra para, uma e outros, tirarem proveitos patrimoniais quando publicaram o Livro do Meio por alturas de Junho de dois mil e seis.

Tanto assim é que, até à sétima edição do Livro do Meio, nas seis anteriores, tinham sido vendidos trinta mil exemplares, tal como vem mencionado na capa da referida sétima edição;

Mais requerem, a autora e as personagens, que à primeira seja atribuída a indemnização cível de duzentos e cinquenta mil euros, a título de danos patrimoniais e morais, cento e vinte e cinco mil por cada uma das espécies de danos sofridos.
Todos os queixosos se reservam o direito de se constituírem assistentes nos autos.

São elementos de prova:
Documental:  “O sexo Forte” – Memórias de um Ressuscitado, “O Livro do Meio” e a “Sátira  do Livro Roubado”.

Pronto. Deve estar bem…
Só não sei quantas folhas havemos colocar na queixa para as subsequentes assinaturas. Só cavalos são três, cisnes quatro ou cinco, patos há uma série deles e galinhas também. Temos ainda o Jerry, o cão, que hoje teve uma atuação soberba na questão dos sapatos. Felizmente não há gatos. A Clara não tem grande afinidade com esses bichos, e o René ficou muito atrás no tempo, quando urinou nas obras completas de Jorge Luís Borges, lá na outra oficina dos livros francesa. Contudo, podemos contar também com as pombas, que, não sendo de ninguém senão da sua própria liberdade, vêm comer milho à quinta tranquilamente, sozinhas ou com as gaivotas, se o leitor quiser a história deste romance à beira-mar. A vontade é sua. Escolha o cenário preferido e coloque dentro todas as personagens, a loucura delas e a de quem lhes deu vida. Já agora, acrescente-lhe também a sua própria loucura.
Talvez não seja boa ideia dar a petição a ler a Mel Gibson. Afinal, não tem o português como língua mãe, e muito bem já a arranha ele para quem só se dedicou a ela por causa do contacto com a falecida Irmã Lúcia e a propósito do filme “A Paixão de Cristo”.
Quanto a Jamie, ainda deve ser pior. O rapaz pouco mais deve saber dizer do que “saudade”, porquanto, parece-me, é a sua primeira vez nesta terra de doidos que nos legou D. Afonso Henriques, povoada, quem sabe?, com subespécies humanas resultantes da Arca de Noé e outras atentas personalidades,  tão arrevesadas como esta gente toda.
Jamie está na cozinha com a velhota que se esqueceu da chupeta do bisneto no bolso do avental. Não sei o que estarão eles a tramar. As gargalhadas de ambos chegam até à tenda. Talvez ele esteja a experimentar a eficiência das frigideiras da Sara, virando e revirando panquecas naquele seu engraçado malabarismo. Já os autores da prevaricação literária, apesar de terem de novo os dois sapatos calçados, ainda permanecem na quinta à beira do lago dos cisnes. O Porta-Chaves lá saberá porquê... Ou será que não os quer privar dos excertos da ópera, “O Elixir do Amor”? Queira Deus que não se suicidem com vergonha. Só nos faltava agora atirarem-se à água e morrerem afogados, sujeitando-nos a ficar com o solar assombrado por oito almas penadas ruídas de remorsos pelo seu feito. Mal feito, aliás... Mas não. São cascas duras, julgam que têm quem os proteja, e, porque já venderam uns livritos, mostram-se perante nós como se tivessem o rei na barriga. Um rei finalmente nu. E não há-de ser hoje que sairão daqui oito funerais, acompanhados, sem merecimento, diga-se de passagem, por uma orquestra famosa e já com muitos réquiens às costas.
Dou a petição a ler à mamã e pergunto-lhe se está tudo. Questiono-a se ainda dúvida da minha inteligência, depois de ter ouvido dizer tantas vezes à Clara que eu não passava de um bacoco ignorante.
Ela elogia-me sem ponta de ironia. Diz-me, entretanto, que talvez não esteja tudo. Se reler o Livro do Meio mil vezes, mil vezes encontrará coisas rebuscados de “ O Sexo Forte – Memórias de um Ressuscitado.
A mamã, parece-me, tem, finalmente, orgulho em mim. Tendo-a, eu e a Clara, exposto tanto, vamos ser nós a ripostar aos ataques de oito lobos selvagens em busca de carne para canhão no universo português da escrita quando se mancomunaram, para, a partir de obra alheia e de um “Era uma vez atrativo, criarem mais umas quantas vidas de faz de conta.
Ah, a propósito, agora que eu, César Augusto, estou reconciliado com a minha criadora, em abono da verdade tenho de voltar com a palavra atrás e confessar que a Clara, na cama, era boa como o milho. “A César o que é de César “ou, simplesmente, “suum cuique”. Ou, ainda, “a Deus o que é de Deus”. É preciso que fique tudo no sítio, embora nunca vá abdicar dos meus conceitos eróticos e da Escola Linguística César/Gabriel iniciada neste romance.
Quanto a Clara, também lhe ficava bem desdizer tudo quanto propalou a meu respeito no “Sexo Forte”. Hoje sei muito bem que não me chamo César Augusto coisa nenhuma. Também não sou um autor latino de nome Montanus que tivesse produzido quaisquer escritos como a charada da “Montanha Russa” levou os parodiantes a afirmar. A verdade é como o azeite, vem sempre à tona da água.
A mamã, depois de ver os meus dotes de jurista, prevendo a eventualidade de os parodiantes quererem chegar a acordo, manda-me fazer um esboço do mesmo. Afinal, a última palavra é dela. Enquanto andei lá pela universidade sempre ouvi esta máxima: “vale mais um mau acordo do que uma boa demanda”, só para continuarmos na área dos provérbios, mas agora jurídicos. Ela tem razão. Na minha modesta opinião, a editora e os autores de “O Livro do Meio” só têm a ganhar. Não ficam mal vistos, nem em tribunal, nem perante os seus leitores, caso o assunto extrapole as fronteiras da privacidade e se vá estatelar nas ruas perversas da publicidade, de que a televisão, os jornais e a rádio tanto gostam. Já para não acrescentar a popularidade que o YouTube tem, hoje em dia. Além do mais,  aqueles senhores, ali com o Porta-Chaves, poderão continuar a escrever livros e usar a sua capa de pessoas honestas. Tenho de vestir bem a pele de advogado do diabo e tentar antever os argumentos da contraparte. É claro que, se eles vierem com a história de sete opiniões necessárias para que uma editora decida se deve ou não publicar um livro, atiro-lhe com aquela do Prémio Nobel à cara,  e lembro-lhes um dos ditados quanto ao número sete: sete é a conta dos mentirosos...
Convenço a mamã a não se preocupar agora com o acordo. Estando a queixa-crime concebida e assinada por todos, incluindo aves e animais, elaborar o acordo é como beber um copo de água. Mas, desta vez, sem excitação semelhante àquela que desencadeou na Dona Tita Lívia e nos autores do Livro do Meio a vontade de produzirem um livro a partir do erotismo de “O Sexo Forte” – “Memórias de um Ressuscitado”,  em que sou como um Adónis,  ou outro qualquer ser belo da Grécia Mitológica. Ou mesmo da Mitologia Romana…
Depois de ter assinado também a petição, é altura de ver se Gabriel já providenciou o champanhe para os músicos.
Enquanto toda a gente está reunida na grande tenda, não deixo de me interrogar sobre as lesões psicológicas que todas estas intrigas, mentiras e livros terão deixado na nossa cabeça. Sobretudo nas mais frágeis como a de Sara… Os danos físicos, esses estão bem evidentes em alguns de nós: nomeadamente no corpo do Homem-Pergaminho,  cujas tatuagens de um código maluco tendente à descoberta do elixir da treta lá permanecerão perpetuamente. Isto se ele não quiser removê-las com dor idêntica à que sofreu quando teve a brilhante ideia de se transformar no Deus Mercúrio, o mensageiro de boas e más novas, conforme o humor do Olimpo e dos seus gestores.
Espero ordens da mamã. Ela diz-me que é talvez tempo de ouvir a música e acabar com esta comédia.
Continua

 2 
 em: Dezembro 02, 2022, 23:41:56  
Iniciado por Maria Gabriela de Sá - Última mensagem por Nação Valente
Porta aberta, que os personagens têm-se de se abrigar, com tanto frio.

 3 
 em: Novembro 30, 2022, 22:54:05  
Iniciado por Nação Valente - Última mensagem por Maria Gabriela de Sá
Excelente.  Abraço

 4 
 em: Novembro 30, 2022, 22:50:06  
Iniciado por Maria Gabriela de Sá - Última mensagem por Maria Gabriela de Sá
Obrigada, abraço

 5 
 em: Novembro 30, 2022, 13:39:00  
Iniciado por Maria Gabriela de Sá - Última mensagem por Dionísio Dinis
De pedir mais e mais. Quando  o talento impera,
 só resta o franco aplauso.

 6 
 em: Novembro 30, 2022, 11:10:02  
Iniciado por Valdevinoxis - Última mensagem por Valdevinoxis
o lambão espetou uma verdascada na lambujinha, com a língua ávida de molho (o bichinho, já recozido, nem se queixou). a seguir, despejou uma bejeca de pilão e, sem querer, saiu-lhe uma mijinha que nem esperou pela chegada ao urinol. que inconveniente, que inconveniente.
exigiu um desconto pela indumentária molhada mas o rapaz de cara escarafunchada disse-lhe "vai-te mas é queixar ao totta!". à luz da lei, a consequência é imputada ao descuidado que se armou em chico esperto.
chateado, o pinante, lembrou que era ministro e que de leis percebia ele. "eu faço-as" e apeteceu-lhe fazer uma que lho desse dado e arregaçado.
o coitado do rapazola, que não sabia fazer mais nada do que servir à mesa, amagou-se. tirou do bolso uma nota esfarrapada, da gorja da manhã e baixou as calças para não se ver no olho da rua.
e pronto, assim se faz a vida que, marreca, nunca mais se endireita.

Valdevinoxis

 7 
 em: Novembro 30, 2022, 11:06:22  
Iniciado por Nação Valente - Última mensagem por Valdevinoxis
Muito bom. Simplesmente, muito bom.  Cheesy

 8 
 em: Novembro 29, 2022, 19:38:02  
Iniciado por Nação Valente - Última mensagem por Nação Valente
- Ambrósio, apetecia-me algo…
- Algo, senhora, é muito vago.
- Eu quero algo bom, algo mesmo muito bom, algo que me leve ao céu. Confio no teu bom gosto
- Bom gosto, senhora, é altamente subjectivo se me permite a opinião.
- Será como dizes, Ambrósio, mas há muito que a tua subjectividade me faz feliz em pensamento.
- A felicidade, com todo o respeito senhora, é um estado de espírito.
- Não digo que não, mas o espírito não se alimenta do nada. Vive de sensações mais ou menos momentâneas. Quem não gosta de um bom acepipe, agradável ao paladar? Quem não é “escravo” do império dos sentidos?
- Finalmente senhora. Depois de tanta divagação, chegámos a algo concreto. E conhecendo-a como a conheço, creio que deseja um bom doce. Ou estarei enganado?
- Não. Mas hoje para variar apetecia-me algo diferente. Como direi, um pouco mais picante…ou até mais cabeludo.
- Mais picante…será uma "chamuça"?
-Nem pensar, Ambrósio. Já sou naturalmente picante, não preciso de aditivos, nem sequer de Kama Sutra.
- Senhora, sou seu servidor incondicional, mas perdoe-me a ousadia, não haverá por aí um pouco de assédio sexual.
- Não lhe chamaria assim Ambrósio. A atracção macho/fêmea faz parte da natureza. Os humanos gostam de complicar tudo. Podem chamar-lhe o que quiserem, e inventaram o assédio. Se esta conversa estivesse a ser escutada, ainda éramos lixados pela política de costumes, que se chama sociedade.
- Ora senhora, admito a minha incapacidade. Estou a ficar sem ideias.
- Porra Ambrósio, estás a fazer uma senhora sair da sua zona de conforto, pelo menos na linguagem. Queres passar a imagem de eunuco mental? Qual ideias, qual carapuça. Passa mas é à acção. Olha pelo retrovisor.
- Senhora, com todo o respeito, está com os preciosos seios à mostra? Está com calor?
- O que achas Ambrósio? Estou a arder.
- Já sei, quer que ligue o ar condicionado.
- Quero que vás pró raio que te parta. Para mas é a merda do carro, e vem cá para trás.
- Isso não, senhora. Nunca passo os limites. O meu lugar é aqui.
- Sabes que mais Ambrósio, estou farta. Não vou passar a vida a pedir algo e a receber apenas chocolates. “Senhora lembrei-me de…, e eu, muito bem Ambrósio, à espera que fosse o aperitivo, e que  seguir viesse o repasto, mas nada”.
Acabo por ficar velha e gorda, ou gorda e velha, sentada sozinha no banco traseiro. Ambrósio, sabes o que me apetece? Despedir-te, e arranjar outro motorista, que perceba, que nem só de chocolates, vive uma mulher.

 9 
 em: Novembro 27, 2022, 22:41:10  
Iniciado por Valdevinoxis - Última mensagem por Maria Gabriela de Sá
 Cheesy - risos

 10 
 em: Novembro 27, 2022, 22:05:18  
Iniciado por Valdevinoxis - Última mensagem por Valdevinoxis
Um verdadeiro autor é assim, não dá confiança aos seus leitores

Não é não. Pode parecer mas não é. A primeira preocupação é oferecer. Já tive mais tato para receber  Cheesy. Agradeço e registo todos as opiniões que recebo, não as dou tanto como deveria mas leio-vos e sinto-me em divida. Obrigado pelo puxão de orelhas merecido.

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E, se não for pedir muito, deixem um incentivo aos autores!
Novembro 10, 2022, 20:29:22
Boas leituras!
Novembro 10, 2022, 20:29:08
Boa noite!
Setembro 05, 2022, 13:39:27
Brevemente, novidades por aqui!
Setembro 05, 2022, 13:38:48
Boa tarde
Outubro 14, 2021, 00:43:39
Obrigado, Administração, por avisar!
Setembro 14, 2021, 10:50:24
Bom dia. O site vai migrar para outra plataforma no dia 23 deste mês de setembro. Aconselha-se as pessoas a fazerem cópias de algum material que não tenham guardado em meios pessoais. Não está previsto perder-se nada, mas poderá acontecer. Obrigada.

Maio 10, 2021, 20:44:46
Boa noite feliz para todos
Maio 07, 2021, 15:30:47
Olá! Boas leituras e boas escritas!
Abril 12, 2021, 19:05:45
Boa noite a todos.
Abril 04, 2021, 17:43:19
Bom domingo para todos.
Março 29, 2021, 18:06:30
Boa semana para todos.
Março 27, 2021, 16:58:55
Boa tarde a todos.
Março 25, 2021, 20:24:17
Boia noite para todos.
Março 22, 2021, 20:50:10
Boa noite feliz para todos.
Março 17, 2021, 15:04:15
Boa tarde a todos.
Março 16, 2021, 12:35:25
Olá para todos!
Março 13, 2021, 17:52:36
Olá para todos!
Março 10, 2021, 20:33:13
Boa feliz noite para todos.
Março 05, 2021, 20:17:07
Bom fim de semana para todos
Março 04, 2021, 20:58:41
Boa quinta para todos.
Março 03, 2021, 19:28:19
Boa noite para todos.
Março 02, 2021, 20:10:50
Boa noite feliz para todos.
Fevereiro 28, 2021, 17:12:44
Bom domingo para todos.
Fevereiro 26, 2021, 21:31:48
Bom fim de semana para tod@s.
Fevereiro 25, 2021, 20:52:03
Boa noite a todos.
Fevereiro 24, 2021, 20:43:45
Boa noite a todos.
Fevereiro 22, 2021, 16:46:56
Uma boa semana para todos.
Fevereiro 22, 2021, 16:43:41
Sejam muito bem vind@s
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