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Autor Tópico: A S√°tira do Livro Roubado ( texto registado na IGAC)  (Lida 16406 vezes)
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Goreti Dias
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« Responder #75 em: Dezembro 13, 2022, 13:44:52 »

Vamos ouvir  a m√ļsia. A com√©dia acaba quando tiver que acabar!
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Goretidias

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Maria Gabriela de S√°
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« Responder #76 em: Dezembro 13, 2022, 16:29:00 »

Isso querias tu Goreti Dias. mas a m√ļsica √© outra....

Olho para o solar e parece-me que está a acontecer algo estranho. Uma nuvem vem descendo do topo da mansão. Vejo-a perfeitamente. Os holofotes do Olivier, colocados por todo o lado, permitem-me vê-la sem qualquer dificuldade. Todas as personagens, sem excepção, incluindo os cavalos, os cisnes e os peixinhos do lago, olham atónitos para aquela nuvem branca imaculada, e eu pergunto-me se Gabriel, neste meio tempo de ausência, não terá subido aos céus.
Toda a gente fica estupefacta com a estranha vis√£o. Trata-se de um homem muito belo, parecido comigo e com o meu irm√£o, mas muito mais luminoso.
Depois de descer, aproxima-se da entrada da tenda, fitando com uns olhos azuis penetrantes todas estas criaturas terrenas em que n√≥s nos transform√°mos. Ningu√©m consegue deixar de o olhar. √Č como se todos ficassem hipnotizados com esta deslumbrante vis√£o... Tenho c√° um palpite...Estou cheio de medo. Ter√° chegado, finalmente, o Apocalipse que o Professor e a seita dele queriam evitar?!
Não sei nem me importo. Só quero salvar a pele, porque esta criatura pode muito bem querer vingar-se das maldades que fiz ao longo da minha vida. Esta branca nuvem parece provir de outro mundo... Arrependam-se, que o fim está próximo!...
- Adeus mamã e colegas de comédia! Faz de conta que nunca existi! Se sobreviver ao prometido holocausto bíblico juro que também vou deixar cresce o cabelo e a barba.


Ř©
- À excepção do tonto que se esgueirou daqui, alguém tem ideia de quem sou?
O sil√™ncio imperou por instantes enquanto a estranha personagem, acabada de descer do telhado vaporosamente, percorria a assist√™ncia com o olhar, que lho retribu√≠a com espanto. Eram as pessoas, animais e aves a tentar saber de quem se tratava, e at√© o Tentilh√£o, depois de largar a erva e deixar de prestar aten√ß√£o aos colegas da pradaria, se aproximou do local, prostrando-se perante ela com um delicado relinchar de boas-vindas. J√° tinha feito isso ao Pajem e ao Fagote, por isso, algu√©m dedicado a extrapola√ß√Ķes sobre as coisas, poderia ser levado a pensar que se estava perante uma criatura do reino animal, mas em figura de gente, depois de um reconhecimento t√£o caloroso feito pelo cavalo ao rec√©m-chegado. De resto, nenhuma outra personagem ousava abrir a boca para perguntar fosse o que fosse. O visitante vestia um fato branco, ao bom estilo brasileiro, uma camisa azul c√©u e uns sapatos cor de terra barrenta.
Foi depois de observar, um a um, os membros daquela assembleia de recém- acabados de enfartar, após um jantar servido pelo Mestre Jamie, que o estranho prosseguiu:
- N√£o fora a relinchadela do Tentilh√£o, que me reconheceu de imediato, pelas vossas caras de espanto j√° vi tudo: n√£o fazem a mais pequena ideia de quem sou!
O silêncio reinou de novo por alguns instantes, até que a inusitada figura, com um sorriso simultaneamente triste e irónico, continuou, lenta e firme como se pesasse cada palavra:
- √Č a mais pura das verdades. N√£o me orgulho de muitos dos que est√£o aqui. Quase s√≥ tenho cromos √† minha frente. Tendes tudo debaixo do nariz e enxergais menos do que um verdadeiro cego! - acrescentou, quase em tom de revolta.
Uma mulher para l√° dois oitenta, levanta-se e dirige-se a quem assim falava. Fora a guardadora dos sapatos dos autores de ‚ÄúO Livro do Meio ‚Äú, e poucas vezes trocara uma palavra no decurso do romance. Finalmente,  achou chegada a hora de se manifestar. Era a velhota da chupeta.
- Realmente n√£o vos conhe√ßo, Senhor. Tenho a certeza de que nunca frequentastes nenhuma destas casas. Nem a de Gabriel, o anjo, nem a do irm√£o. Eu sou aquela que pedia ao meu primeiro amo, o Dr. C√©sar, amaciador para as camisas. E estou certa de nunca vos ter visto em lado nenhum. Embora j√° n√£o saiba quem s√£o os meus patr√Ķes... Est√° tudo de pernas para o ar. Contudo, parece-me que √©s algu√©m importante... ‚Äď disse a mulher, curiosa, em jeito de pergunta.
- Pois eu conhe√ßo-te muito bem. Comecei, sobretudo, a reparar em ti quando esqueceste a chupeta do teu bisneto no bolso do avental. Vi logo que estavas a ficar um bocadinho‚Ķ, desculpa o termo, ‚Äúchalupa‚ÄĚ. E os chalupas d√£o-se muito bem comigo. Est√£o sempre onde eu estou. √Č geral‚Ķ J√° os outros, n√£o √© tanto assim‚Ķ - acrescentou com ironia.
- Se dizes isso por causa das batatas recheadas à Maria Madalena, posso afirmar-te, Senhor, que não tenho culpa desse e de outros acontecimentos relacionados com a receita!
- Eu sei...
- E eu, mesmo chalada, como dizes, não devia estar a falar contigo. Podes ser alguém que nos queira fazer mal a todos... Ou és, por acaso, amigo da autora do primeiro livro, ou de alguma das personagens presentes? Não serás dos conhecimentos do Mel Gibson?!
- Eu sou amigo de toda a gente que queira ser minha amiga… Hoje em dia sou muito teu amigo, porque o teu juízo está cada vez mais caduco. Como te disse, gosto de tolos. Mas, em contrapartida, não vou muito à bola com espertos…
- Ent√£o deves ser a tal criatura de quem nem o nome se pode dizer...
A velhota, de repente, fez uma cara de medo. Todavia rapidamente se tranquilizou, quando o desconhecido e bonito interlocutor se dirigiu de novo a ela:
- Sou e n√£o sou ‚Ķ Eu posso ser quem quiser... E muito mais num livro onde toda a gente tem a virtualidade de ser muitas coisas‚Ķ At√© tu, v√™ l√°!... Na casa de C√©sar eras apenas a mulher que lhe fazia a sopa √†s quintas-feiras, entre outras coisas, e que lhe punhas bilhetes na cama a pedir amaciador. J√° aqui, est√°s transformada numa velha caduca, que tempera a salada de frutas com tudo menos com a√ß√ļcar. Assim como tu √©s agora quem n√£o eras, eu tamb√©m posso ser a tal criatura maquiav√©lica sem tempo nem espa√ßo, que nunca devia ter existido, e que os autores de ‚ÄúO Livro do Meio‚ÄĚ l√° meteram s√≥ para darem um nome a uma ideia da autora que est√° ali sentada √† mesa com uma queixa-crime √†s voltas. Olha, posso ser o Diabo, para ser mais preciso.
A velha desatou a rir à gargalhada, mostrando o intervalo dos dentes entre os dois caninos superiores, enquanto retorquia:
- Bonito como tu? Só essa me faria rir! Nunca vi o Diabo, mas sempre mo descreverem feio como um bode velho. Estás a gozar comigo pela certa! E logo a mim que, como disseste, não passo de uma velha chanfrada com os pés para a cova! Vai chatear outra! Eu já não aguento! E há por aí tanta gente para apoquentar...
- Disseste uma grande verdade‚Ķ As pessoas como tu, algumas, depois de um certo  tempo,  tornam-se verdadeiramente s√°bias. Mas, diz-me l√°: se estivesses no meu lugar, dentre esta gente toda, por onde come√ßarias?
- Ora, isso √© pergunta que se fa√ßa?! Come√ßava pelos autores de ‚ÄúO Livro do Meio‚ÄĚ! E se tu √©s o Diabo, como me quiseste fazer crer, se o que eles fizeram te parecer suficiente para os levares contigo para o Inferno, vai depressinha! N√£o te esque√ßas que √© por causa deles que eu e as outras personagens andamos aqui a penar e a fazer tropelias. Nomeadamente eu, quando me calhou ficar de camareira a uns sapatos cheios de chul√© que o meu patr√£o Gabriel mandou roubar! Coitado do Jerry! Se os pecadores forem todos para o Inferno o c√£o tamb√©m l√° vai parar! De certeza!
A velha dizia cada frase entrecortando-as com o riso, sem conseguir parar. Aquela criatura com ar celestial de todo em todo não lhe trazia à ideia referências ao Demónio. Aquilo tudo não devia passar de uma brincadeira levada a cabo por alguém com muito sentido de humor. E, ainda por cima, bonito até dizer chega. Ela, mesmo sem dentes, sempre soube apreciar a beleza de um homem.
- Tens razão. Deixa-te estar aqui sossegada. Agora vou ter uma conversa com certas e determinadas pessoas…
Depois de deixar a velhota incrédula quanto à possibilidade de estar perante o maligno disfarçado, o homem de fato branco e sapatos cor de terra barrenta percorreu de novo a assistência com olhos perscrutadores.
Quando encontrou o Porta-Chaves de guarda aos autores de “O Livro do Meio, pediu-lhe para os deixar à sua disposição por alguns instantes. Não iria demorar muito, e prometeu-lhe que não os iria impedir de ouvirem, finalmente, um grande Elixir, no meio do qual andava sempre escondida una furtiva lágrima.
Depois, mandou arredar uma das mesas redondas e ordenou aos oito que se sentassem no chão, em círculo, com as pernas cruzadas e o peito levantado. Um observador externo julgaria que estava a preparar os autores para uma sessão de Yoga. Ou então para uma cessão de limpeza espiritual coletiva.
Fitando a Dona Tita Lívia, o desconhecido perguntou-lhe com altivez, mas ao mesmo tempo com serenidade:
- E tu, também não me conheces?
A mulher ficou transida de medo daqueles estranhos olhos azuis pousados nela, e, depois de recuperar algum do seu pouco sangue-frio, respondeu titubeante:
- Não…Não me recordo de alguma vez ter cruzado contigo…
- Os teus amigos tamb√©m n√£o, aposto...- disse o interlocutor, mirando os restantes autores de ‚ÄúO Livro do Meio‚ÄĚ com a mesma acutil√Ęncia. - Embora eu os conhe√ßa de ginjeira‚Ķ Ent√£o, para a autora queixosa, devem ser todos semelhantes √†s sete pragas do Egipto! Mais nefastos do que gafanhotos! - concluiu  com ironia.
De entre todos houve, da parte de um, uma tentativa de ripostar ao visitante mistério. O homem disse sentir-se humilhado com o tratamento. Ser obrigado a estar ali como se fosse um criminoso da pior espécie era - dizia - um completo desrespeito para com o ser humano. Eles que nem sequer tinham sido constituídos arguidos em processo-crime. E, mesmo que o fossem, nunca poderiam ser tratados daquela maneira desumana, sob pena de grave violação inclusive dos preceitos constitucionais da nação.
- Pelo contr√°rio! ‚ĒÄ disse quem ca√≠ra do c√©u por cima do solar - Essa posi√ß√£o √© pr√≥pria de quem aspira √† liberta√ß√£o... Quem quer atingir o nirvana come√ßa assim, sentado no ch√£o, a meditar, tentando sobrepor o esp√≠rito ao corpo e aos seus maus instintos. E tu, sabes por acaso com quem est√°s a falar? - perguntou a personagem mist√©rio em seguida,  com a ironia inicial.
- Sei. Deves ser o primeiro viajante do espaço a chegar à fala com os humanos. Mas és bem diferente dos extraterrestres de que tenho visto desenhos… Já sabias do jantar, ou aterraste sobre o solar depois de perderes o rumo da nave? - perguntou por sua vez o interpelado, no mesmo tom corrosivo do visitante.
- Tens de perceber uma coisa: aqui quem faz as perguntas sou eu e tu respondes se quiseres‚Ķ √Č-me indiferente! J√° te disse que a tua vida e a dos teus colegas para mim n√£o tem segredos. Como, ali√°s, eu n√£o os devia ter para v√≥s, tantas vezes todos se cruzaram comigo... S√≥ que andei sempre disfar√ßado para vos testar‚Ķ Andei, este tempo todo, a p√īr-vos √† prova, e foi uma desilus√£o quando descobri que nenhum de v√≥s me reconheceu e que grande parte de voc√™s √© o exemplo vivo dos verdadeiros trastes...
O homem mais rezingão de entre os parodiantes sugeriu entretanto ao Porta-Chaves para deter o indivíduo, mas o polícia não lhe deu crédito. Com aquela cara, ninguém que não fosse verdadeiramente mau pensaria naquela visita como uma personagem perversa. Ao contrário. Antes de a imaginarem como um malfeitor, vê-la-iam como alguém vindo do céu e prestes a anunciar qualquer coisa importante à Humanidade. As coincidências eram muitas. Todos os livros estavam pejados de anjos de corpo inteiro como o Gabriel, e só de rosto como o César, apesar de este bem poder ser somente um santo na hierarquia celestial. De maneira que a criatura ali presente bem poderia ser um autêntico anjo, ou, no mínimo, um querubim dos tempos modernos, como a aparência parecia dar a entender, incumbido de trazer uma nova qualquer à Terra neste escabroso século XXI. Era isso que pensava a maioria, e até o Tentilhão, o Pajem e o Fagote, com uma sensibilidade para além do entendimento humano, demonstravam ter no visitante uma confiança sem reservas.
Foi com voz segura e com o mesmo tom do início que o visitante prosseguiu:
- Depois de tanto tempo a lidarem comigo e com as minhas coisas, as coisas do Diabo, é pena continuar um eterno desconhecido para vós... E eu sempre aqui, ao vosso lado, querendo transformar-vos noutras pessoas e vós a parodiardes livros atrás de livros… Não foi o primeiro... A mim não me enganam... Embora o tentem desde sempre... Coitados de vós! No fim venho sempre ajustar contas convosco, e nessa altura aceitam todos os pactos, por mais onerosos que vos fiquem.
A seguir, depois de uma pausa, continuou:
- N√£o sei por que febre anda toda a gente numa procura desenfreada do Santo Graal, do Grande Elixir eu sei l√°?, das rel√≠quias de Cristo, crucificado ou vivo, supondo que da√≠ lhes advir√° o poder de controlar o mundo! N√£o √© isso que julgam os membros das Placas Tect√≥nicas e a seita dos Recolectores de Venenos? Grandes personagens v√≥s criastes para o vosso romance... Tontos, n√£o vistes que tudo n√£o passou de uma armadilha para a vossa m√°scara de escritores geniais cair em p√ļblico e vos deixar mais nus do que Jesus quando o crucificaram? O livro da autora, identificado por v√≥s como como MS-I - Mgd-654 e a que ela chamou o ‚ÄúSexo ‚Äď Forte‚ÄĚ surgiu para isso mesmo‚Ķ Nada acontece por acaso‚Ķ Tudo est√° escrito desde o in√≠cio dos tempos‚Ķ Tantas refer√™ncias √† B√≠blia e a Maria Madalena e v√≥s n√£o atingistes o cerne da revela√ß√£o? At√© na pobre mulher b√≠blica n√£o vistes sen√£o uma banal cozinheira de batatas recheadas! Do livro sagrado dos crist√£os n√£o entendeis patavina! Tontas s√£o as vossas personagens e tontos sois v√≥s por causa de tanta gan√Ęncia! E eu ali sempre, na cama, com a Clara, quando me disfar√ßava de C√©sar‚Ķ
 Como j√° vos disse, posso ser, e sou tudo. Sou homem, sou um homem bom se quiser aparentar isso. Tamb√©m serei mau, se o desejar... E, como homem, posso sentir prazer, procriar e ter descend√™ncia. O C√©sar era mau, a Clara uma ing√©nua e eu continuo a ser mau‚Ķ E, com tanto v√©u levantado, ainda n√£o sabeis quem sou?
Ap√≥s estas palavras, os autores de ‚ÄúO Livro do Meio‚ÄĚ ficaram aterrorizados. Acudiu-lhes ent√£o √† ideia que aquela personagem, aparentemente celestial e ali √† sua frente, que, ditando ordens, os fizera sentar no ch√£o como se fossem praticar yoga, n√£o passava do dem√≥nio disfar√ßado de boa pessoa. Possivelmente, a criatura quereria de imediato acertar contas com todos, ou s√≥ com alguns. O pecado deles, quando se deliciaram e soltaram tantos risinhos tontos ao lerem ‚ÄúO Sexo Forte ‚Äď Mem√≥rias de um Ressuscitado‚ÄĚ e quando depois reescreveram a hist√≥ria, estava prestes a ser sentenciado por uma criatura Al√©m Terra.
Depois de confrontados com mil olhares acusat√≥rios por todas as personagens, umas transtornadas e outras mais l√ļcidas do que alguma vez tinham sido, via-se que ningu√©m proferiria sobre os autores um veredicto que n√£o fosse ‚Äúculpado‚ÄĚ. A um crime, se n√£o fosse Deus a faz√™-lo, o Diabo aplicar-lhe-ia sempre um castigo. Pelos vistos, no caso nem era atrav√©s de mandat√°rio. O pr√≥prio Demo, ali, lindo como se fosse um anjo em tudo semelhante a Gabriel, se encarregaria de proferir e aplicar a senten√ßa com verdadeira m√£o de ferro.
A Dona Tita Lívia, talvez com a consciência mais pesada do que todos os outros, caiu redonda sobre o escritor magrinho. Felizmente estava sentada e a queda foi pequena. Tudo parecia estar previsto…
Enquanto isso, a velhota desdentada foi solícita à cozinha do solar buscar um chá de cidreira.

Continua
« Última modificação: Dezembro 13, 2022, 16:40:45 por Maria Gabriela de S√° » Registado

Dizem de mim que talvez valha a pena conhecer-me.
Goreti Dias
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« Responder #77 em: Dezembro 30, 2022, 13:33:42 »

Fogo! Essa Clara é dose! Não fazes por menos?
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Maria Gabriela de S√°
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« Responder #78 em: Dezembro 30, 2022, 14:10:09 »

Pois, está quase a acabar, Goreti. Só falta mais uma postagem, em princípio, talvez duas.

Vem o ch√° e n√£o vem, com o intuito de que a sinistrada recuperasse os sentidos, acabou por levar umas chapadas na cara dos amigos mais pr√≥ximos. E at√© a autora-queixosa, enquanto a mulher estava ca√≠da, chegou perto com um balde de √°gua gelada despejando-lha em cima e provocando-lhe com isso um violento estreme√ß√£o. Pensou, disse depois a criadora de ‚ÄúO Sexo Forte ‚Äď mem√≥rias de um Ressuscitado‚ÄĚ, que a senhora tinha bebido um copito de licor a mais, tal como a Lilicas quando foi visitar a Miscel√Ęnea por causa da viagem ao passado em marcha-atr√°s do Professor e do amigo Mestre de L√≠nguas. Mas tudo aquilo n√£o passava mesmo de um desmaio, um chilique mal√©volo provocado a uma pessoa distinta pela estranha personagem a quem j√° todos julgavam o Grande Maligno.
A noite prometia ainda revelar muitas mais surpresas…
Com a pressa e com a falta de tino dos √ļltimos tempos, a velhota, em vez da erva tradicional, acabou por usar um peda√ßo de Jurema, que a autora do primeiro livro tinha colocado numa caixinha ao lado de todos os outros ch√°s. Conclui-se, mais uma vez, que nada acontece por acaso. Nem sequer o nome da Organiza√ß√£o dos Recolectores Ambidestros de Infus√Ķes Venenos e Ant√≠dotos. As infus√Ķes, sobretudo de veneno, sempre tiveram um papel preponderante em toda a Hist√≥ria, sem falar em hist√≥rias mais min√ļsculas como a da Branca de Neve e da sua moral, que tanta movimenta√ß√£o trouxe a este livro.
Quando, mal acordou, encharcada, a Dona Tita Lívia bebeu o primeiro gole do chá, depressa despertou nela uma outra pessoa. Continuava fisicamente a mesma mulher, mas, à semelhança do que acontecia sempre com a Jurema, a personalidade estava mudada. Tita Lívia agora, com o Demónio a olhá-la de frente, parecia uma santa pedindo clemência, com as mãos postas em cruz junto ao peito. E com lágrimas nos olhos, olhando para ele, pediu:
- Senhor! Tende piedade de n√≥s, especialmente de mim que sou a verdadeira pecadora! Fui eu a culpada de o Sexo Forte ‚Äď Mem√≥rias de um Ressuscitado ter sido parodiado. Tirei sete exemplares em fotoc√≥pias do manuscrito e entreguei um a cada autor. Foi para eles gozarem tanto como eu quando o li‚ĶSabes, Senhor, na altura estava divorciada e‚Ķ. Por isso, castiga-me a mim e iliba os meus amigos do crime de escravatura de personagens e de furto de identidade! √ď Senhor!...
Continuando a olhar ironicamente para a perplexa assembleia, sobretudo para a mulher autopunida √† sua frente, depois de uma relinchadela sonante desta vez do Pajem, e como quem diz ‚Äúbem feito‚ÄĚ, a nova personagem, agora a assumir-se como o Diabo ca√≠do do d√©u, continuou com toda a calma, sorrindo maquiavelicamente:
- Ent√£o, reconheces o Dem√≥nio como o teu Senhor... √Č a ele que prestas vassalagem? N√£o precisavas de o confessar perante tantas testemunhas. Sobretudo quando tens uma pend√™ncia t√£o grave em tribunal ou em vias de l√° entrar. Embora eu j√° soubesse, desde que o mundo √© mundo, do que tu e os outros s√£o capazes por dinheiro. Mas, olha l√°!,  n√£o te enganaste na linguagem?. Palavras como ‚Äúperd√£o‚ÄĚ, ‚Äúarrependimento‚ÄĚ, ‚Äúculpa‚ÄĚ e outras assim n√£o entram no meu dicion√°rio. Comigo √© mais, ‚Äúmaldi√ß√£o‚ÄĚ, ‚Äúinferno‚ÄĚ, ‚Äúfogo‚ÄĚ, ‚Äúalmas penadas‚ÄĚ, roubo‚ÄĚ, ‚Äúassass√≠nio‚ÄĚ ‚Äúescravatura‚ÄĚ. Por isso desfaz j√° essa cruz no peito que fizeste com as m√£os e deixa-te de recriar s√≠mbolos que n√£o s√£o os meus! √Č uma ordem!
A mulher obedeceu prontamente e, continuando com o olhar incisivo sobre ela, o Demónio prosseguiu:
- Estás armada em quê?! Não te lembras de que tu e todos os escritores do Livro do Meio me venderam a alma?! Não escolhestes vós o mal, que eu represento, em vez do bem de que Jesus, o meu rival, é a encarnação?
A seguir, prosseguiu:
- E andaram todos a engendrar gente de papel que contrapusesse o bem ao mal, percorrendo bibliotecas inventadas e fingindo procurarem um manuscrito f√≥rmico engordurado com batatas recheadas! Desde o primeiro instante soube que o tal manuscrito, ou manuscritos (eles multiplicavam-se como o p√£o e os peixinhos do meu advers√°rio‚Ķ) n√£o passava do livro da respons√°vel pelo livro inicial. ‚Äď disse, rematando com uma estrondosa gargalhada.
Tita Lívia estava mais lívida do que quando desmaiara, e, num gesto desesperado, acabara por pedir clemência colectiva, enquanto as lágrimas lhe caíam uma a uma pela cara, rolando grossas como pedras de sal em Sodoma e Gomorra no tempo de Lot.
- Ent√£o, Senhor, salva-nos da justi√ßa dos homens, que n√≥s ser-te-emos fi√©is at√© √† eternidade! - acrescentou ela em p√Ęnico. - Quantos mais livros quereis que parodiemos? N√≥s somos os teus humildes servidores! Ainda hei-de ir morar contigo no Inferno, Senhor!... √ďh, Tanta beleza at√© d√≥i!
O homem magrinho mais refilão, levantando-se da posição de Buda a que fora submetido, ergueu-se de repente como se fosse impulsionado por uma mola e disse autoritariamente:
- Alto lá, Dona Tita Lívia! Responda por si! Imagine que alguns de nós se querem passar para o outro lado!? Umas bênçãos, umas rezinhas, umas missas e nunca se sabe se tudo não fica sanado!
O Demónio muda então de alvo, enquanto, com o mesmo ar irónico de sempre, pergunta ao autor intrometido:
- Ent√£o queres ires para o C√©u? - e, sem esperar resposta, prosseguiu: ‚ąí  Quais foram as partes escritas por ti?
- Assim que me lembre, dediquei-me ao sem√°foro e ao ato de fazer amor, express√£o, ali√°s, sem gra√ßa nenhuma, mas que se usa por c√° como eufemismo de coitar, fazendo-me com isso lembrar dos coitados. J√° as senhoras andaram mais nos cabeleireiros, a tingir a cabe√ßa, a pintar as unhas e a fazer ch√°s √†s personagens. Isto para n√£o falar nas batatas recheadas √† Maria Madalena, que eram servidas em dias de milagres. Coisas de mulherzinhas! - acrescentou com menosprezo - Quanto aos homens ‚Äď prosseguia o escanzelado autor - quase todos divagaram pela hist√≥ria e pela b√≠blia, tentando encontrar factos suscept√≠veis de fazerem parte do Livro do Meio. Era para levar o leitor a pensar que estariam perante uma historieta par√≥nima. (Desculpem, mas vou colocar aqui o significado do palavr√£o ‚Äď par√≥nimas s√£o as palavras que t√™m um som e uma grafia t√£o semelhantes que o som √†s vezes se confunde‚Ķpor exemplo agourar e augurar)
Mal ouviu isto, o homem de fato branco, camisa azul e sapatos cor de terra, retorquiu, mas agora com elevação e ira ao mesmo tempo:
- N√£o quero escutar mais nada!
Fez-se então um pesado silêncio.
‚ĒÄ Ouvi com aten√ß√£o! Nem mais um sussurro, nem o voo de um p√°ssaro, o relinchar de um cavalo ou um respirar humano! Nada de interrup√ß√Ķes!
 E, dizendo isto, olhou para Mel Gibson, cujo ar estupefacto dava a entender que o seu pr√≥ximo filme, em vez de ter Jesus como tema, dessa vez ira ter o Diabo como personagem principal. Ao mesmo tempo, com um pequeno gesto, como quem quer pagar uma conta num restaurante, a nova personagem chamou discretamente Olivier, como sempre, encostado ao posto de entrada da tenda, segredando-lhe depois algo ao ouvido.
O jovem, com a cabeça fez que sim, e, enquanto se afastava em direcção à capela, o homem de branco senta-se à mesa comprida, ao centro, dirige a mão direita a um pedaço de broa que tinha ficado esquecido sobre a toalha, leva-o à boca e começa a comê-lo calmamente.
Chega Jamie, nesse meio tempo, com um grande c√°lice de ouro, e, ajoelhando-se em frente de quem o incumbira do recado, diz:
- Aqui tendes Senhor, faça-se sempre a Tua vontade.
Um grito de espanto ecoou por toda a quinta, e, quando bateu no frontisp√≠cio do solar, regressou ampliado ao local onde estava o homem vestido de branco a mastigar a broa de milho e que, mal ingeriu a √ļltima migalha, levou √† boca o c√°lice trazido pelo Olivier com um pouco de vinho.
- Deus seja louvado! Ouve-se em uníssono. - Jesus cumpriu a sua promessa e regressou de novo à Terra! Está agora a beber do cálice sagrado, o nosso querido Santo Graal! Hossana, nas alturas!
As l√°grimas rolavam pela cara de todos, e, depois de esperar que se recompusessem, a nova personagem prosseguiu:
- Se voltei? J√° ando c√° h√° muito tempo! Tenho vivido diariamente nas vossas vidas‚Ķ Contudo, ningu√©m me reconheceu! ‚Äď exclamou com ironia e amargura ao mesmo tempo - Desta vez fui incumbido de andar entre v√≥s, a fazer barbaridades semelhantes √†s vossas‚ĶTamb√©m tenho direito, n√£o? - e calou-se  por uns instantes.
Após, continuou:
- Embora n√£o tenha de vos dar explica√ß√Ķes, vou faz√™-lo:
O Pai entendeu que havia um grande desfasamento na minha vida enquanto Deus e homem ao mesmo tempo. Faltava-me experimentar na carne sentimentos como a trai√ß√£o, o √≥dio, a fraude e outros do mesmo g√©nero para vos entender em toda a plenitude de seres terrenos. Precisava de experimentar as vossas tenta√ß√Ķes‚Ķ - disse, pausadamente.
Entretanto, prosseguiu:
-Por isso fui expressamente enviado para sentir na pele os ferros do mal. Sem provar dele, como agora provei deste vinho - virava-se para o c√°lice sagrado - eu era mais Deus e menos homem, pese embora o facto de muitos de v√≥s me acusarem de ter sido amante de Maria Madalena durante a minha primeira vinda √† Terra e de me terem engendrado uma descend√™ncia com ela, escondida algures entre a Fran√ßa e a Inglaterra at√© aos dias de hoje. Enfim, fic√ß√Ķes de gente bacoca apostada em ganhar dinheiro √† minha custa. Sempre a gan√Ęncia e o lucro!
Depois de beber um novo gole de vinho, prosseguiu:
- Como nunca nenhum escritor, por mais genial que tenha sido, criou uma história igual à minha, toda a gente pega em mim desatando a escrever livros após livros que se multiplicam como a peste negra. Nem que seja para dar uma nova versão à minha vida, arrevesada se possível e com sexo pelo meio para vender muito. Tal como fizeram estes senhores aqui presentes. - Jesus, a personagem que parecia chamar-se Jesus, fez nova pausa, olhando a Dona Tita Lívia e os sete amigos escritores continuando então:
- V√≥s n√£o vos coibistes de assentar a vossa escrita sobre um romance da m√£e liter√°ria de Clara e C√©sar, um livro reles, √© verdade, mas em todo o caso era e √© dela. Embora o livro do meio n√£o seja melhor!... √Č bastante mais bacoco do que o primeiro. Se os senhores escritores pretenderam fazer humor inteligente com o ‚ÄúSexo Forte ‚Äď Mem√≥rias de um Ressuscitado‚ÄĚ, raramente o conseguiram. O livro n√£o tem ponta por onde se lhe pegue -disse, Jesus assumindo um papel de cr√≠tico liter√°rio e prosseguindo ap√≥s isso:
- Entretanto, seus tontos, exalto mais uma vez aqui a minha desilusão com todos vós em particular e com a Humanidade em geral, desde o segundo zero em que regressei à Terra. Como não reconhecer-me? Não trazia escrito no rosto o meu estatuto? Não era a minha beleza sinónimo de que era quem de facto sou? Bastou trocarem-me o nome e deixarem-me por uns instantes de ranho no nariz para se abater sobre as vossas cabeças tontas uma enorme confusão! Foi suficiente ter sido dado à luz por uma mulher de sangue quente para já ninguém me reconhecer como o maior homem que já pisou a face da Terra! Como se Deus não pudesse escolher a mãe de quem quer nascer, sempre que lhe apeteça! Como se eu não pudesse ter sido gerado por uma mulher de mau porte! Então, na ficção, os poderes de meu Pai e os meus são ainda mais ilimitados do que na vida real!
A cada conjunto de frases inflamadas seguia-se uma nova pausa para depois continuar:
- Se algu√©m me vislumbrou noutro ser foi, sem sombra de d√ļvida, a Clara, para quem C√©sar come√ßou por ser o seu santo, em todos os lugares em que as duas personagens se cruzaram. Na cama, especialmente. Mas tamb√©m nos sof√°s da sala onde tantas vezes derramei os meus fluidos sagrados sobre ela, ali no compartimento ao lado daquele onde Jorge Lu√≠s Borges, escrito em espanhol, dorme com aquele carater√≠stico cheiro a amon√≠aco com que o gato Ren√© impregnou a colec√ß√£o das suas obras. E, de entre tantos pecadores como sois todos v√≥s, no meu outro habit√°culo de C√©sar, acabei por marcar apenas a Clara como a √ļnica criatura, de entre todas, com direito a ascender ao reino dos c√©us, onde tenho a minha morada oficial. A Clara √© de Deus, porque foi o instrumento de C√©sar, o meu instrumento!
- Quanto a vós - disse dirigindo-se aos sete pantomineiros da escrita - duvido que consigam chegar ao Céu! Sois demasiado pecadores! O Inferno, a continuarem assim, será a vossa morada perpétua! A menos que, de hoje em diante, haja da vossa parte um comportamento irrepreensível!
 E agora j√° sabeis tudo, j√° sabeis por que vim.
Continuando a olhar para todos os escritores, prosseguiu, em tom professoral:
A Maria Gon√ßalo, autora de ‚ÄúO Sexo Forte‚ÄĚ, nunca quis ir para al√©m daquilo que foi. O que escreveu era a hist√≥ria de um amor mal-amanhado projectado logo no in√≠cio dos tempos. E este era o pretexto para o meu regresso como um homem que tinha de experimentar o lado demon√≠aco da vida, a fim de melhor poder atalhar o mal de pessoas perversas e mentirosas como v√≥s! - acrescentou, olhando especialmente para a Dona Tita L√≠via.
Depois, prosseguiu mais uma vez:
Mentirosas sim! Relativamente √† peti√ß√£o a apresentar em tribunal por todas as personagens, v√≥s, cobardemente, tal como Pedro da minha primeira estada na Terra me negou tr√™s vezes, ireis negar tamb√©m que o ‚ÄúLivro do Meio‚ÄĚ nasceu de um outro rejeitado por uma editora ainda mais perversa do que v√≥s todos juntos!
A minha segunda vinda desde sempre tivera um c√≥digo... Era preciso criar a senha para eu voltar. Maria Gon√ßalo escreveu-a quando criou ‚ÄúO Sexo Forte ‚Äď Mem√≥rias de um Ressuscitado‚Ä̂Ķ Estava meio caminho andado. √Č verdade que a ela, √† autora, competiria matar a charada, dando depois a conhecer ao mundo que Clara e C√©sar, as duas personagens principais do seu livro, eram uma forma insuspeitada com que Deus preparara a minha reentrada no mundo, nesse novo papel de Diabo de cal√ßas que me cabia representar! E tamb√©m v√≥s, apesar de astutos para o neg√≥cio como uma hidra de sete cabe√ßas, tamb√©m n√£o discernistes o fim √ļltimo de O Sexo Forte! Ficastes igualmente longe! Tal como Clara, uma mulher de papel, deixastes-vos deslumbrar por C√©sar, sem conseguirdes descortinar que personagem se escondia atr√°s dele! Ofuscastes-vos com tanta beleza, e o que para Clara foi um santo, aos poucos transformado em santidade de caruncho, para v√≥s, da cara de anjo com que ela o alcunhou, C√©sar passou a anjo na √≠ntegra. Mas agora com o nome de um verdadeiro anjo, como aquele que anunciou pela primeira vez o meu nascimento, o Anjo Gabriel.
Jesus parou uns instantes para ganhar f√īlego e prosseguiu:
Contudo criastes um falso anjo, embora tivésseis matéria-prima superior para de lá arrancar Deus na figura de seu filho Jesus! Não é o que vós quereis fazer a qualquer preço? Não pretendeis desvendar eventuais segredos que eu possa ainda ter para vós enquanto homem? E Altíssimo, ao mesmo tempo…
De novo, após acabar de proferir estas palavras, continuou:
 Depois, criaram todas as vossas personagens como se fossem umas tontas! A come√ßar pelo Professor‚Ķ Que raio de elixir quer√≠eis v√≥s que ele descobrisse? De facto n√£o podiam ter arranjado um alquimista mais reles para, a partir de n√£o se sabe que f√≥rmicos manuscritos, chegar √† ess√™ncia de Jesus, √† sua Hist√≥ria e √†s suas rel√≠quias‚Ķ
E eu sempre ali retratado, nas páginas de um livro que uma editora não achou suficientemente bom para publicar! Contudo, a Dona Tita Lívia teve o desplante de vo-lo dar para vós açoitardes, ao menos em verbo, como outrora os judeus fizeram comigo rasgando-me a carne até à morte!
O homem de branco calava-se por vezes elevando então os olhos ao céu, pejado de estrelas ali sobre a tenda onde decorrera o jantar em que o famoso cozinheiro inglês servira, sem mácula, as batatas à Henrique VIII, na primeira entrada em cena da receita. Era uma réplica da que foi atribuída a Maria Madalena, e vinha já do tempo da meninice do Olivier, provavelmente também ela de inspiração divina.
A seguir, ap√≥s novo f√īlego, a estranha visita continuou no mesmo tom:
Vós, mais a vossa gente, Lilicas, Sara, Gabriel e por aí adiante, sois na realidade uns tontos! Eu sempre ali, à disposição de toda a gente, e toda a vossa tropa a percorrer montes e vales, páginas e páginas de livros para saberem coisas de mim! Até me dá vontade de rir! Por que não me perguntaram diretamente antes de me transformarem em Gabriel que nunca fui? Por que andastes vós salteando e bebendo em regatos quando tínheis à mão a fonte autêntica da Sabedoria?
 Depois, tudo o que afirmastes em O Livro do Meio √© perfeitamente falso!
E, pegando no referido livro, abre-o em determinada p√°gina, referindo-se a uma passagem em concreto do mesmo:
- O facto de atribuírem impotência prematura a um ex-inspector da polícia é a maior cabala deste, ainda, incipiente século XXI! Já disse e repito: eu é que tinha de conhecer todas as coisas inventadas pelos homens para satisfazer a concupiscência da carne! Tinha de poluir os meus olhos e os meus sentidos! Para tanto, nada como umas revistas pornográficas e uns filmes eróticos da televisão por cabo, as mesmas imagens que vos deixam entusiasmados até à medula e com necessidade de comer uma peça de fruta se outro fruto não houver para petiscar! Todas as coisas do mal eram, sempre foram, minhas! - disse, dando ênfase às palavras.
Assim, porque crucificastes vós o aposentado metendo-lhe imagens de pornografia como pano de fundo no resto da vida dele? O homem não passou de mais um inocente nas vossas mãos!... O hard cord em que o envolvestes sempre foi meu, do César, (ou do Gabriel criado a partir do cara de anjo, mais um boneco de barro que daí a pouco se haveria de transformar na criatura de quem nem o nome se pode dizer…) Pobres personagens! Que infelicidade terem caído na mão de tais escritores!
Como o tema estivesse a ficar excessivamente pesado, Jesus mudou de assunto, continuando:
- Quanto √†s rel√≠quias e aos objectos que usei na primeira vinda ao mundo, parem de procurar o Santo Graal! Deixem de ser mais papistas do que o Papa, como v√≥s costumais dizer! O Santo Graal √© o c√°lice aqui √† minha frente! E, perante esta verdade, deixem-se ficar todos embutidos nessas caras de parvo√≠ce! N√£o criem mais sarilhos! N√£o quero aqui qualquer algazarra, nem d√ļvidas! Nada! Livrem-se de querer furtar a pe√ßa em que um dia manipulei p√£o e vinho para os tornar na h√≥stia sagrada, que ofere√ßo a quem queira estar em comunh√£o comigo!... - disse, ir√≥nico, para depois prosseguir, continuando a falar daquele precioso objeto de ouro de onde irradiava um fulgurante brilho, e sobre o qual, Jesus, pelo que disse a seguir, viu projetada a cobi√ßa de alguns presentes.
- Desde já vos aviso, mais ninguém senão eu poderá beber dele! Quem se atrever a tanto será transformado em sapo e enviado para os pantanais, onde as cobras o hão-de comer vivo e a espernear! Não o salvarei dessa horrível morte! Pelo menos enquanto me lembrar das maldades que os homens têm vindo a praticar ao longo dos séculos! Nos próximos tempos, em vez do perdão da primeira vez, quando me mataram, vão ter um castigo semelhante ao que obteriam se fosse um anjo caído qualquer a infligi-lo! Não vos esqueçais de que posso fazer o que quiser, com quem quiser e que, presentemente, a minha missão consiste essencialmente em viver e praticar o mal! Embora, se assim o entender, também possa mudar de atitude! Eu sou o Todo-Poderoso, lembrai-vos sempre disso! Para eu reconsiderar a posição de quem teve de vestir a pele do Maligno para ver se endireita o mundo muitos atos de contrição tereis de fazer! Com muitos credos na boca tereis de andar sempre para amolecerdes a minha irascibilidade e a de meu Pai! Há-de ser o vosso comportamento a determinar o nosso comportamento! Especialmente o meu, que vim de novo cá baixo em representação Dele.
Depois de, mais uma vez, ter bebido um pouco de vinho, quando a garganta já dava indícios de rouquidão verdadeiramente humana, a personagem retomou o tema do Santo Graal, acrescentando:

Contínua

« Última modificação: Dezembro 30, 2022, 14:16:49 por Maria Gabriela de S√° » Registado
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« Responder #79 em: Janeiro 01, 2023, 20:15:18 »

Acrescentando... E ficamos assim em suspense?!
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Maria Gabriela de S√°
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« Responder #80 em: Janeiro 01, 2023, 22:42:36 »

Nao, n√£o, prosseguimos j√°.



- Sequer, o c√°lice poder√° ser tocado sem minha autoriza√ß√£o! Nem imaginais o que isso desencadearia! Tamb√©m, seria dif√≠cil... O c√°lice n√£o √© algo que queira largar assim no mundo nas m√£os de colecionadores de rel√≠quias, quantas vezes obtidas com base no embuste! Al√©m de n√£o querer deixar a Humanidade sujeita ao perigo dessa leviandade, o c√°lice √© algo que me continua a ser √ļtil l√° nos c√©us,  para onde o levei e levarei de novo. Depois de subir √† morada de meu Pai, quando me mataram e ap√≥s aparecer a minha m√£e inicialmente, aos ap√≥stolos e a Maria Madalena a seguir, vim buscar as coisas mais importantes. O c√°lice sagrado inclu√≠a-se nelas. E, se deixei o Santo Sud√°rio, foi por saber que, mais dia, menos dia, ele iria ficar num lugar seguro! Embora sempre sujeito a especula√ß√Ķes‚ĶOs homens deveriam contentar-se em ter ali a imagem de Cristo gravada com o seu pr√≥prio sangue, pensando, a esse prop√≥sito, nos meus mart√≠rios para os salvar. Mas n√£o... Em vez de estimarem aquele sagrado pano como uma recorda√ß√£o de Deus enquanto homem, duvidando das evid√™ncias, a preocupa√ß√£o deles √© saber se o carbono catorze e outras alquimias confirmam ou negam a veracidade daquele meu peda√ßo de hist√≥ria.
A maioria das personagens, bem como Mel Gibson e Jamie Olivier, escutavam estas palavras entre atónitas e maravilhadas, num silêncio onde nem um respirar se ouvia. Era como se todos, de repente, tivessem passado do estado de carne e osso para um estado de gente imobilizada em granito, em mármore ou noutro material qualquer. Era quase como se a Ilha de Páscoa se tivesse mudado, com todas as suas estátuas, para uma enorme tenda instalada por um cozinheiro engenhoso numa quinta do século XIX e preparada para albergar uma montanha de convidados, possa embora a metáfora da ilha servir apenas como um gigantismo literário e para colorir um romance sem grande substrato.
Entretanto, aquele que se intitulava como Jesus a experienciar o mal, prosseguia:
- Ah!...Ainda há a descendência com Maria Madalena, engendrada para mim por certas criaturas terrenas...- disse, com um sorriso nos lábios, para depois continuar:
- Quanto a isso, mais uma vez vos digo: Tudo estava escrito... O poema de Maria Gon√ßalo sobre a m√£e, retratando √† boa maneira dos sonetos de Florbela Espanca as Marias Madalenas deste mundo, foi o rastilho, a p√≥lvora seca para queimar certas pessoas de m√°s inten√ß√Ķes! Pessoas de m√°s inten√ß√Ķes como v√≥s, √≥ grupo dos sete mais um! V√≥s que vos fartastes de blasfemar comigo e com aquela que deveria ter todo o vosso apre√ßo, a minha querida amiga Maria Madalena! Sobretudo por, um dia, ela ter cuidado do meu corpo para eu poder subir ao c√©u virgem e impoluto como vim ao mundo! Eram batatas recheadas para aqui, receitas para acol√°, milagres assim, milagres assado! S√≥ porque quer√≠eis ombrear em √™xito com os campe√Ķes de vendas de livros da altura! E principalmente porque queriam ridicularizar a autora Maria Gon√ßalo mais as suas personagens Clara e C√©sar! O C√©sar era eu e o tiro saiu-vos pela culatra, s√≥ para usar uma express√£o popular das vossas. Mas, tudo decorreu como estava escrito... Maria Gon√ßalo leu O Livro do Meio, estava determinado que assim fosse, Maria Gon√ßalo escreveu O Sexo Forte - Confiss√Ķes de um Ressuscitado‚Ķ E agora estais todos na presen√ßa de Jesus, Jesus far√° justi√ßa! Deus, na sua trindade una, ir√° decidir sobre a perversidade de alguns de seus filhos.
E v√≥s, √≥ Humanidade tonta, sois os meus √ļnicos filhos! Ningu√©m precisa de inventar-me outra descend√™ncia! Oh!, como me sinto envergonhado, por, na minha primeira estada entre v√≥s, ter defraudado os intentos de Deus! De facto, n√£o consegui moldar-vos o comportamento de forma a podermos estar, um dia, juntos no c√©u...
Depois de assim falar, todos, ali petrificados com tantas revela√ß√Ķes do Alto numa s√≥ noite, Jesus prosseguiu serenamente:
- Queríeis saber de mim? Pois já o sabeis! Mas, se queríeis ver-me outra vez como um mártir e a dar a outra face para ser esbofeteado, desenganem-se! Agora venho com mão pesada! Contudo ainda estais a tempo de evitar o apocalipse e o ranger de dentes! Ainda podeis impedir a dor que vos está destinada, ó instrumentos da minha segunda vinda à Terra, ó filhos ingratos e transviados! Arrependei-vos, ó parodiantes de romances alheios! Fazei o vosso ato de contrição, ó irmãos de todos os outros filhos de Deus, que Ele não teve outros por meu intermédio! Deus nunca quis ter netos!
Por fim, o homem vestido de branco, que tinha descido sobre o solar, levou a mão à cabeça, soltou o cabelo preso em rabo-de-cavalo, acariciou a barba e olhou aquela numerosa assistência, ao mesmo tempo que se levantava da tenda caminhando devagar pela quinta. A seguir, e uma a uma, fez festas na cabeça de todos os animais, sem esquecer nenhum. Começou pelo Tentilhão, prosseguiu com os outros dois cavalos e continuou com os cisnes, por aí adiante… Até que se debruçou sobre o lago, onde dois peixes dourados, dois carassius auratos autênticos, não querendo ser excluídos daquela bênção levada a cabo por Jesus, punham as cabecitas de fora.
Depois o ilustre visitante, com lentidão, voltou à mesa e disse peremtório, olhando penetrantemente o grupo dos sete mais um, especialmente a Dona Tita Lívia.
- Estais admirados? Pois ainda faltam aqui as cabecitas de uns peixinhos, aqueles que num dia de brincadeira resolveram meter-se no bolso da camisa de César como se estivessem à janela. Mas a carícia deles ficará para melhor oportunidade…
Entretanto, continuou:
- De tudo quanto foi dito por todas as personagens de um e de outro livro, est√° provado que houve par√≥dia e escravatura. Mas ningu√©m vai para Tribunal lavar roupa suja e sujar-se. Por isso, condeno a editora, aqui representada pela Dona Tita L√≠via, bem como os autores de ‚ÄúO Livro do Meio‚ÄĚ, a pagarem a Maria Gon√ßalo a import√Ęncia de duzentos e cinquenta mil euros, sem direito a recurso. Assim todos poupam nas custas e nos advogados. Al√©m de ficarem inc√≥lumes perante a opini√£o p√ļblica. A opini√£o p√ļblica, ainda assim, √© a mais perniciosa das condena√ß√Ķes‚Ķ
Agora, Olivier - disse, dirigindo-se entretanto ao mestre ingl√™s - se os m√ļsicos j√° tiverem acabado de comer o bolo e de beber o champanhe, o maestro que os ponha a tocar o √ļltimo acto da √≥pera ‚ÄúO Elixir do Amor‚ÄĚ, cujo libreto foi distribu√≠do em devido tempo √† assist√™ncia. Ser√°, como estava escrito, o tenor a encerrar este jantar, em que se comeram pela primeira vez Batatas √† Henrique VIII e Pato √† Cornualha, j√° para n√£o falar nas farofas temperadas a Mimosa Hostillis. A seguir h√° de ser o que tem de ser‚Ķ
Os m√ļsicos, h√° minutos preparados para a atua√ß√£o, depois dos primeiros acordes de lubrifica√ß√£o, come√ßaram a arrancar dos instrumentos os melodiosos sons escritos por Donizetti na sua famosa √≥pera, enquanto Jesus fechava os olhos inebriado.
Decorreram alguns momentos, até que por fim o tenor, cumprindo as ordens do cozinheiro, cantou Una furtiva lágrima, a ária que encantava sempre César, estivesse ele a assistir a um espetáculo ao vivo ou simplesmente na cama com Clara, depois de terem coitado juntos no tempo em que as vacas daquele amor projetado por Deus no céu para o regresso de Jesus à Terra ainda andavam gordas e luzidias.
Jesus, enxugando uma teimosa l√°grima, por cima da barba, que lhe ca√≠ra daqueles imensos olhos azuis (Maria Gon√ßalo afirma serem verdes mas, fica assim para servir todos os gostos‚Ķ) tomando o mesmo carro de luz onde viera, subia de novo aos c√©us, acompanhado pelos acordes da m√ļsica e pelas l√°grimas de todas as personagens,  com os parodiantes e a Dona Tita L√≠via t√£o envergonhados quanto arrependidos. Olivier ordena a todos os rapazes de fato preto, camisa branca e avental azul clarinho, que levantem a mesa e desmontem a tenda. O jantar acabara.
Mel Gibson, ele que tanto exagerara na representa√ß√£o dos sofrimentos infligidos a Jesus no Calv√°rio, aquando da realiza√ß√£o do seu famoso filme, arregalava os olhos de espanto, depois da petrifica√ß√£o inicial de que sa√≠ra a custo. Ap√≥s isso, come√ßou a arrumar os dicion√°rios de aramaico dentro de uma pasta, preparando-se para ir ao solar buscar a bagagem. Tinha de ir embora depressa de uma terra de gente doida e sem nada a ver nem com a fleuma australiana, nem com Hollywood, a quem j√° n√£o teria de apresentar uma rapariga tonta e com aspira√ß√Ķes ctriz. A Meca do cinema bem poderia respirar de al√≠vio, depois de se ver livre da Padeira e das suas famosas broas. A menos que um dia decidisse levar ao grande ecr√£ uma com√©dia t√£o sem p√©s nem cabe√ßa como A S√°tira do Livro Roubado. No meio de tudo, o melhor ainda era todos fingirem que o miolo do livro n√£o passava apenas p√°ginas em branco, uma esp√©cie de di√°rio onde pessoas com gosto pela escrita pudessem escrever as suas pr√≥prias ideias sem as ir rebuscar a terceiros.
Por fim, já mal se via o visitante celeste, a voar rente às estrelas.
Entretanto, como se tudo estivesse a decorrer num filme em c√Ęmara lenta, passado como a viagem do velho Professor de marcha atr√°s, Clara, C√©sar, o Agricultor, a velha cusca do terceiro direito, a woman in red, os dois cavalos e todas as personagens de ‚ÄúO Sexo Forte ‚Äď Mem√≥rias de um Ressuscitado regressavam ao livro inicial, esvoa√ßando graciosamente.
Aparentemente, tudo acabara.
Eis sen√£o quando, do c√©u desce, igualmente em c√Ęmara lenta, uma avermelhada bola de fogo, indo alojar-se em frente da Dona Tita L√≠via e dos sete amigos.
Quase a seguir, sobre as labaredas, vindo do céu, cai o Livro do Meio com enorme estrondo, atiçando as fagulhas e as brasas já de si incandescentes. O barulho provoca o segundo grito de medo, ampliado ao longe pelo negrume da noite e para lá das luzes da quinta, ainda acesas e instaladas no solar pelo cozinheiro mais famoso do mundo.
Jesus, lá de cima, junto às estrelas, soltava uma luminosa gargalhada, gritando ao mesmo tempo:
- Foi o milagre que preparei para hoje!

- E n√≥s nem sequer umas batatinhas recheadas servimos a Jesus, que teve de se contentar com um peda√ßo de broa e um pouco de vinho! - disse Clara, a dona da casa,  a C√©sar, abrindo, de par em par, as janelas do livro em que, finalmente, havia  sossego.
Enquanto a √ļltima personagem subia ao c√©u, a crepitante fogueira consumia vorazmente O Livro do Meio, de cuja capa uma rapariga, gordinha e trigueira, insistia em saltar sem sucesso.

FIM

Gabriela S√°

Este livro √© uma obra de pura fic√ß√£o, qualquer semelhan√ßa com a realidade √© apenas uma mera  infeliz coincid√™ncia.


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Bom Ano! Obrigada pela companhia!
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Boa tarde
Outubro 14, 2021, 00:43:39
Obrigado, Administração, por avisar!
Setembro 14, 2021, 10:50:24
Bom dia. O site vai migrar para outra plataforma no dia 23 deste mês de setembro. Aconselha-se as pessoas a fazerem cópias de algum material que não tenham guardado em meios pessoais. Não está previsto perder-se nada, mas poderá acontecer. Obrigada.

Maio 10, 2021, 20:44:46
Boa noite feliz para todos
Maio 07, 2021, 15:30:47
Ol√°! Boas leituras e boas escritas!
Abril 12, 2021, 19:05:45
Boa noite a todos.
Abril 04, 2021, 17:43:19
Bom domingo para todos.
Março 29, 2021, 18:06:30
Boa semana para todos.
Março 27, 2021, 16:58:55
Boa tarde a todos.
Março 25, 2021, 20:24:17
Boia noite para todos.
Março 22, 2021, 20:50:10
Boa noite feliz para todos.
Março 17, 2021, 15:04:15
Boa tarde a todos.
Março 16, 2021, 12:35:25
Ol√° para todos!
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Ol√° para todos!
Março 10, 2021, 20:33:13
Boa feliz noite para todos.
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Bom fim de semana para todos
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Boa quinta para todos.
Março 03, 2021, 19:28:19
Boa noite para todos.
Março 02, 2021, 20:10:50
Boa noite feliz para todos.
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Bom domingo para todos.
Fevereiro 26, 2021, 21:31:48
Bom fim de semana para tod@s.
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