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Autor Tópico: Siddhartha  (Lida 6824 vezes)
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Tim_booth
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« em: Setembro 01, 2008, 17:55:34 »

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    Siddhartha escutou. Era agora todo aten√ß√£o, todo mergulhado no escutar, totalmente vazio, impregnando-se por completo; sentiu que aprendera agora a escutar at√© ao fim.

- Hermann Hesse, Siddhartha



Ora aqui est√° um livro que √© pol√©mica garantida. As opini√Ķes acerca de Siddhartha s√£o, provavelmente, as mais dispersas e antag√≥nicas que j√° ouvi em rela√ß√£o a qualquer livro. Se para uns este √© o livro de uma vida, para outros √© apenas mais um livro como muitos. Eu sou um dos outros - a pol√©mica come√ßa aqui.

Mas j√° l√° vamos. Antes disso conv√©m, para aqueles que ainda n√£o leram a obra, dizer de que trata ent√£o Siddhartha. Este √©, tal como A morte de Ivan Ilitch, um livro sobre a vida, especificamente sobre a vida de um jovem, filho de um br√Ęmane, tamb√©m ele a caminho de se tornar br√Ęmane, um sacerdote hindu, de seu nome Siddhartha. O seu nome √© composto por duas palavras s√Ęnscritas - siddha (o que tem) e artha (significado) - que juntas significam ‚Äúaquele que encontrou o significado‚ÄĚ. Este era tamb√©m, de acordo com a hist√≥ria, o nome de Buda, conhecido como Siddhartha Gotama. No livro, o Buda √© apenas identificado como Gotama.

Mais do que um livro sobre a vida, é sobre uma viagem, interminável para a maioria dos homens, a busca do significado da vida, a verdadeira essência da filosofia, a procura eterna do conhecimento. Esta é a premissa de Siddhartha.

Um dia, o jovem Siddhartha decide que j√° aprendeu tudo o que conseguia aprender com o seu pai e os outros s√°bios. Parte, ent√£o, da sua terra natal na companhia de Govinda, seu amigo de inf√Ęncia, e junta-se a uma tribo n√≥mada, os samanas, uma tribo que vagueia pela terra em busca do conhecimento e que domina as artes de jejuar e da ret√≥rica. Siddhartha e Govinda ficam com eles durante alguns anos, aprendem tudo o que podem deles mas, inevitavelmente, chegam √† conclus√£o de que os seus mestres n√£o v√£o ser capazes de lhes ensinar a verdade que procuram. Ouvem ent√£o falar de Gotama, um monge que se diz ter atingido o nirvana e partem na esperan√ßa de se juntarem aos que o seguem. Siddhartha √† frente, sempre acompanhado de Govinda.

Govinda, ao ouvir os ensinamentos de Gotama decide juntar-se aos monges que o seguem, tomando assim a primeira decis√£o aut√≥noma da sua vida j√° que Siddhartha prefere continuar o seu caminho. Os dois amigos despedem-se emocionados. Ao abandonar a aldeia onde os monges se encontravam, Siddhartha cruza-se com Gotama, fala com o mestre explicando-lhe as raz√Ķes porque n√£o fica junto dos seus disc√≠pulos numa conversa que o marcou para sempre.

O livro continua a descrever a eterna viagem de Siddhartha em busca de conhecimento, de si próprio e da vida, que o leva a experimentar praticamente tudo o que no mundo há para experimentar, até que, eventualmente, a sua busca cessa.

√Č um livro filos√≥fico, indiscutivelmente. √Č um livro bem escrito, indiscutivelmente. √Č um livro com mensagem e que nos faz pensar, indiscutivelmente. Ent√£o porque √© que para mim √© s√≥ mais um livro? Preparem-se, esta √© a frase pol√©mica: porque, para mim, n√£o passa de um livro de auto-ajuda muito bem escrito, uma esp√©cie de O segredo mascarado de obra liter√°ria. Quase que consigo ouvir o queixo do leitor a cair com tamanha alarvidade escrita. Mas eu explico.

A mensagem que o livro traz √© simples: podes procurar o que quiseres, ali√°s, deves procurar o que quiseres, mas as respostas para todas as tuas d√ļvidas est√£o dentro de ti. S√≥ tens de aprender a escutar-te (escutar o rio, no livro, que alegoricamente se refere a todas as experi√™ncias acumuladas ao longo da vida) e atingir√°s o conhecimento. O que h√° de errado com esta mensagem ent√£o? A palavra s√≥. A obra apresenta estas conclus√Ķes como se atingir a paz espiritual fosse apenas uma quest√£o de vontade, mesmo tendo em conta toda a viagem do protagonista at√© este se aperceber disso. N√£o √© passada a dificuldade, ou pelo menos eu n√£o a percebi ao longo da leitura, esperada para uma tarefa desta natureza. Nada √© assim t√£o simples, n√£o basta parar um pouco e pensar sobre aquilo que vivemos para descobrir o sentido da vida. Este √© o meu grande problema com o livro.

A outra quez√≠lia que Siddhartha e eu temos est√° na pr√≥pria mensagem que n√£o √©, pelo menos para mim, nada de novo. Ou seja, quem j√° se debru√ßou e gastou algum tempo a reflectir sobre o sentido do mundo certamente j√° se deparou com a ideia de que todas as respostas s√≥ se encontram dentro do pr√≥prio ser e da pr√≥pria vida e n√£o em qualquer livro ou enciclop√©dia. Quando leio um livro, especialmente um livro filos√≥fico, espero que este me levante novas quest√Ķes, me traga respostas diferentes, n√£o que me apresente conclus√Ķes que eu j√° tirei.

Apenas por isso Siddhartha não significa para mim tanto como significa para outras pessoas. Admiro, ainda assim a qualidade da escrita de Hesse, que não sendo a mais brilhante que alguma vez li, é de génio. Gostava de saber ler alemão para a aproveitar ainda mais. No entanto, Pedro Miguel Dias foi o tradutor da edição que li (capa na imagem) e confio no seu trabalho.

Agora disparem à vontade, apresentem os vossos argumentos, contrariem os meus, espero sinceramente que me consigam mudar a opinião àcerca deste livro, todos sairíamos a ganhar.

Publicado originalmente aqui.
« Última modificação: Setembro 01, 2008, 18:04:18 por Tim_booth » Registado

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« Responder #1 em: Setembro 01, 2008, 21:07:31 »

E eu vou lê-lo!
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« Responder #2 em: Setembro 01, 2008, 23:31:48 »

Estava mortinho para ler a tua resposta Laura, adoro uma boa argumentação.
E devo admitir que a tua foi brilhante: primeiro porque encontraste uma citação do livro bem melhor que aquela que escolhi para iniciar a minha crítica (apesar de a minha escolha se concentrar mais no final já que era esse o ponto que queria ilustrar), depois porque a mesma citação foi resposta perfeita a parte da minha argumentação, mas atenção, não a toda.

Ora bem, primeiro deixa-me dizer-te que provavelmente conseguiste extrair mais do livro porque, tal como tu mesma disseste, a minha leitura foi forçada. Da primeira vez que o li não passei de meio, da segunda li todo, mas, sem vontade nem grande gosto. Como tal é provável que algumas das pérolas de que falas me tenham passado ao lado (e passaram).

Mas nem por isso concordo com tudo o que dizes. Comecemos ent√£o pelos pontos:

1. A meu ver, penso que neste ponto te expressaste mal, isto porque todas as pessoas inteligentes foram sempre inteligentes, no entanto, começaram sem saber nada de nada. A inteligência difere da sabedoria. Por isso discordo de que todas as pessoas inteligentes tenham começado por ser idiotas, apesar de concordar que todos os sábios começaram por ser ignorantes - mas mesmo assim Siddhartha não inovou aqui: Sócrates já dizia o famoso Só sei que nada sei...

2. Este ponto que apresentas aqui, foi um dos tais que não descobri na leitura, apesar de agora me parecer extremamente evidente. E é um daqueles que vai levar um redondo não. Pelo menos para mim, não. Não consigo instantaneamente (ou ao longo de muitos anos) compreender tudo ao ver uma folha a flutuar no rio; além disso isto vai um pouco de encontro ao ponto 3 - se tudo pudesse ser absolutamente compreendido com uma coisa tão simples, de nada adiantava encontrar na vida pessoas mais sábias e humildes, se todas as nossas respostas estavam respondidas...

3. No question there, e tanto o livro como a tua argumentação me fizeram compreender ainda mais isso.

4. O tal amor universal de que falas √© ut√≥pico. √Č practicamente uma defini√ß√£o alternativa do estado de Nirvana no Budismo. Isso vai de encontro aquilo de que falei durante a cr√≠tica, se tudo fosse t√£o f√°cil de encontrar como Hesse nos faz crer, ent√£o todo o mundo seria feliz e viveria em paz e harmonia. Isto vai precisamente de encontro √† minha maior quez√≠lia com o livro: n√£o basta procurar para encontrar. Um homem pode procurar a vida inteira, muitos j√° o tentaram, sem nunca encontrar as respostas que procura.

√Č isso precisamente que te faltou refutar na minha argumenta√ß√£o: Siddhartha procurou e encontrou. O que h√° de diferente nele em rela√ß√£o a todos os outros homens que procuram e n√£o encontram?

E talvez, Tim, isto não te diga nada. Porque já sabes tanta coisa. Mas para mim, foi uma revelação.

Percebo que nas minhas palavras se note algum tom de arrog√Ęncia, mas n√£o foi minha inten√ß√£o, acredita que n√£o. N√£o me julgo mais entendido que ningu√©m em coisa nenhuma (mentira, at√© tenho um certo orgulho irritante em algumas coisas mas n√£o neste campo, que fique claro) mas aquilo que o livro me disse eu j√° tinha percebido sozinho, disse-o como a mais pura das verdades. N√£o foi um feito extraordin√°rio chegar a uma conclus√£o que j√° milhares de pessoas chegaram antes de mim, como n√£o √© superior ao facto de ler uma conclus√£o antes de reflectir sobre o assunto, ou reflectindo, encontrar solu√ß√Ķes d√≠spares. Pareceu-me que, com esta tua √ļltima frase, te sentiste ferida com alguma arrog√Ęncia que admito que se possa encontrar nas minhas palavras mas que l√° existe contra a minha vontade. Espero que agora percebas isso.

Ainda assim fizeste-me descobrir algo novo no livro, concordando ou n√£o, √© sempre mais um ponto a favor de Siddhartha - agora venham mais e a continua√ß√£o desta argumenta√ß√£o que as boas discuss√Ķes s√£o sempre interessantes para todos!

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« Responder #3 em: Setembro 02, 2008, 11:22:09 »

"Gastei muito tempo e ainda n√£o cheguei ao fim, para apenas aprender isto: que n√£o se pode aprender nada! Acho eu que a tal coisa que chamamos ‚Äúaprender‚ÄĚ de fato n√£o existe.
Existe, sim, meu amigo, uma √ļnica sabedoria que se acha em toda a parte. √Č o √Ātman, que est√° em mim e em ti e em qualquer criatura.
E por isso começo a crer que o pior inimigo dessa sabedoria é a sede de saber, é a aprendizagem." Herman Hesse, in Siddartha

O Oriente se destaca do Ocidente como duas partes de uma laranja, se olharmos a questão sob um ponto de vista mais amplo, mais geral. Aquela civilização aprendeu por ver, por meditar,por sentir e livrar a mente do pensamento; após muitos e muitos milênios de aprendizado formal.
Desse pensamento que exige a raz√£o, a l√≥gica para tudo. Essa forma de pensar ainda √© √ļtil para algumas coisas, por√©m se mostra falha, √† medida que subamos mais e mais na escala da compreens√£o. N√≥s podemos constatar que a lista das nossas ignor√Ęncias √© vasta, muito mais do que a mais completa lista dos saberes.
Aprendemos muitas coisas, mas não nos livramos das doenças, da velhice e da morte. E essa questão angustia aos orientais.
Aprendem vendo, aprendem meditando calmamente, na loucura que é a vida. Tirando momentos para sentir que fazemos parte integrante do mundo inteiro. Que o ar que você expira,será também inspirado por chim, subsequentemente. E o impacto o valor e as consequências disso tudo ainda é ignorado e não sentido por nós todos, quase todos. Existem momentos de lampejo na literatura que Eça lembrou num conto particularmente belo.
São problemas que ainda não passam com a gravidade devida pela mente do Ocidente. A nossa civilização ainda está ou é carente por acumular coisas.
Fernando Pessoa também se viu preso nessa contradição entre o saber e o sentir e disse uma frase miraculosamente bela, a respeito:
"O mundo exterior existe como um actor num palco: está lá mas é outra coisa." in Livro do desassossego, através de Bernardo Soares.

Assim para você se convencer ou não do valor desse livro, tente se livrar dessa maneira de ver as coisas, veja você mesmo como um ser integrante do mundo inteiro, e que por mais que se faça, ainda existirá a doença, a velhice e a morte, portanto, a solução não está no saber, está em encontrar um caminho para que você passe e bem por esse período chamado vida, entre dois momentos do não existir, o antes e o depois. E é assim que me vi convencido, por não conseguir definir precisamente o que é uma flor, muito menos conseguir explicar o que é eletricidade. Por mais sábio que seja o homem, a ele não está dada a graça de saber, só de sentir.
Ah, lembro-me ainda de um argentino genial chamado Borges, que poderá ilustrar nossa discussão num conto chamado 'Formas de uma lenda" e em "Aleph". Tudo poderá ficar mais claro, ou mais obscuro. Depende de nós mesmos.
Peço desculpas por me estender dessa forma.
Um grande abraço e felicito-o por levantar uma conversa tão intrigante e de forma tão honesta.



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« Responder #4 em: Setembro 02, 2008, 13:12:08 »

√Č verdade Djabal, que talvez a chave para a compreens√£o de Siddhartha esteja na vis√£o claramente oriental com que o livro √© escrito. Talvez apenas lendo com uma mesma vis√£o oriental se consiga atingir a plenitude daquilo que nos √© transmitido por Hesse. Por outro lado, lembro-me que Hesse √© alem√£o e que, provavelmente ao escrever, tentou faz√™-lo de maneira a ser um livro multi cultural, acess√≠vel a todos os povos j√° que ele mesmo √© uma mistura de Oriente e Ocidente (viveu alguns anos na √ćndia, durante a inf√Ęncia). Ainda do mesmo lado, lembramo-nos que estamos na chamada "aldeia global", j√° n√£o √© t√£o dif√≠cil assim entender as culturas que nos s√£o distantes pelo simples facto de que n√£o s√£o t√£o distantes assim, s√≥ desta maneira somos capazes de entender, pelo menos, os conceitos b√°sicos de budismo e hindu√≠smo que Hesse fala ao longo do livro.
Admito, no entanto, que mesmo tendo um conhecimento completo da cultura oriental, nem assim a somos capazes de experienciar e limitamo-nos a observ√°-la da nossa esfera ocidental, talvez at√© a julg√°-la sob os nossos par√Ęmetros ocidentais, o que, tal como o Djabal disse, pode contribuir para uma sub-aprecia√ß√£o da obra.

Grato pela sua resposta Djabal, n√£o tenha medo de se alongar. As discuss√Ķes querem-se alongadas, racionais e interessantes.

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« Responder #5 em: Setembro 02, 2008, 13:42:31 »

Mais uma contribuição, agora poética e portuguesa, para a nossa 'discussão' a respeito:
"Lição de Buda

N√£o creias em nada
N√£o creias em nada seja qual for o livro
Que tenhas lido a pedra
Onde esteja gravado
N√£o creias em nada seja quem for
Que te tenha dito
N√£o creias em nada
Ainda que eu próprio o tenha dito
N√£o creias em nada
A n√£o ser que a tua mente a tua raz√£o
Em vazio desfeita
Tenha dissolvido o sim e o n√£o
N√£o creias em nada
Sequer no vaso onde se fundem a noite
As estrelas e as √°guas do mar
Que nada s√£o nada sabem
Porque n√£o h√° nada
Que se possa segurar.

Casimiro de Brito"

Acabo de conhecer essa poesia publicada na revista Poesia Sempre, n.26 editada pela Biblioteca Nacional.

Outro grande abraço.

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« Responder #6 em: Setembro 02, 2008, 19:31:25 »

Djabal, esta Lição de Buda vem ainda dar mais argumentos a ambos os lados da barricada...

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N√£o creias em nada seja quem for
Que te tenha dito

Laura, as discuss√Ķes querem-se animadas! Vamos l√° ver se mais gente se junta √† nossa conversa...
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« Responder #7 em: Setembro 02, 2008, 19:36:31 »

E se sent√≠ssemos o livro de Hesse em primeira inst√Ęncia e s√≥ de seguida tent√°ssemos perceber e intelectualizar o tema tratado?
Dar, por vezes, o primado √†s sensa√ß√Ķes, n√£o deve trazer mal maior ao mundo!
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Pensar amar-te, é ter o acto na palavra e o coração no corpo inteiro.
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« Responder #8 em: Setembro 02, 2008, 19:38:50 »

E se sent√≠ssemos o livro de Hesse em primeira inst√Ęncia e s√≥ de seguida tent√°ssemos perceber e intelectualizar o tema tratado?
Dar, por vezes, o primado √†s sensa√ß√Ķes, n√£o deve trazer mal maior ao mundo!
Um dos problemas com este livro para mim foi precisamente esse: ele não me fez sentir nada. Não consegui sentir nada. Talvez por isso tenha intelectualizado tanto o assunto, à procura da sensação que certamente Hesse lá deixou. Mas, mais uma vez reafirmo que foi uma leitura forçada...
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« Responder #9 em: Setembro 02, 2008, 19:50:11 »

Sim, ele dá argumento para ambos. Lembre-se que o ideal oriental é sentir. Não intelectualizar. Eu mesmo confesso que tive grandes dificuldades para entender (creio que ainda não o consegui) como sentir sem um aprendizado escrito.
Fiquei com o seguinte: vendo o mestre, ouvindo histórias que façam com que você 'desperte' para um sentido mais amplo daquilo que é explicado.
As hist√≥rias dos mestres tao√≠stas s√£o famosas por despertar o  interior do ouvinte para sentidos mais amplos, comparados com a simples leitura de um texto.
E talvez o motivo seja esse: os olhos v√™em simultaneamente: ao passo que o  transcrito √© sucessivo, porque a linguagem o √©.
Aceito o seu desafio, e aguardemos os nossos amigos. Que eles também entrem a conversar.
Um grande abraço.
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« Responder #10 em: Setembro 02, 2008, 20:04:15 »

F√°cil foi a sua leitura

Esquecendo a mensagem, ajudaste-me a encontrar aqui uma falha na escrita de Hesse. Não senti minimamente a dificuldade da vida de Siddhartha. Ele queria aprender com os Samanas, aprendia. Quis viver com o povo das crianças, viveu. Quis ser mercador e tornou-se rico, percebes o que quero dizer? A dificuldade da vida de Siddhartha não passou, pelo menos não a mim.

Quanto ao "O Fio da Navalha", tenho de confessar que nunca ouvi falar no livro - que tal uma critica aqui para este espaço?

Citar
Quanto ao amor universal, é para mim algo de absolutamente indiscutível. Não posso apresentar-te provas. Só quando largares os bits e bytes de vez...

Anseio pelo dia... Smiley

Djabal, tem raz√£o quando diz que a aprendizagem tem de ser mista. Concordo que apenas os textos n√£o chegam para aprendermos e que sozinhos dificilmente conseguimos tudo. Este livro tem esse cond√£o: de despertar as pessoas para discuss√Ķes, tanto √† volta do pr√≥prio livro como das quest√Ķes maiores de que ele fala...

Vamos, vamos! Mais opini√Ķes, mais!

Cheers
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« Responder #11 em: Setembro 02, 2008, 20:12:29 »

E achas que é fácil, seguir o coração? Claro que não sentiste...
N√£o √© f√°cil seguir o cora√ß√£o, mas a vida dele foi desde o seu nascimento preparada para a busca do conhecimento, ele ia-se tornar num Br√Ęmane...
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« Responder #12 em: Setembro 06, 2008, 20:05:26 »

Laura,
você disse tudo! Venho acompanhando a discussão e, creio, só agora veio à luz sua essência...
Respondam-me: é fácil seguir o coração?
Quando aprendermops a fazer isso, teremos aprendido...sem necessidade de intelectualizar; ela estar√° dispensda!
beijo,
Guacira.
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« Responder #13 em: Setembro 06, 2008, 20:13:48 »

Posso ainda atirar mais achas para a fogueira: o que é seguir o coração? Fazer tudo o que nos apetece? Fazer tudo para sermos felizes? Sem olhar a meios? Se o destino do nosso coração se atravessar em obstáculos humanos, o que fazer? Como se define, então, o que é seguir o coração?

Só estou a manter o tópico activo Cheesy

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« Responder #14 em: Setembro 06, 2008, 23:20:02 »

Você está sendo MAAUUU!!

Não creio...fazer o que nos apetece seria seguir a cabeça e/ou os instintos, as vontades...quando entendo algo com o coração, entro numa dimensão mais ligada à sensibilidade e à espiritualidade.
Assim me posicionaria quanto a seguir; ouvir o coração, sem ser piegas. Dessa forma, se o escutamso não nos deparamos com nossas humanidades como obstáculo, mas como aprendizado.
Guacira.

   
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Bom dia. Hoje, andaei a pastar pelas 351 páginas da poesia e encontrei 32 poemas meus, milionários de leituras. com média de 1209 leituras cada. Obrigado a todos os meus contribuintes de lucros poéticos. FigasAbração, a todos. Nota: O Campeão é o Linguagem Decente, com 3692 leituras.Viva a D
Julho 29, 2019, 22:55:56
Olá para todos! Boas histórias e boas escritas!
Julho 02, 2019, 07:05:22
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Boa escrita e boa leitura para todos!
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Boas leituras e boas escritas para todos!
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Boa noite feliz para todos.
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Ol√° para todos!
Dezembro 24, 2018, 21:55:27
Boas Festas.
Novembro 03, 2018, 14:19:38
Claro que sim, Mateus. Vamos lá puxar pelos neurónios?
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